Blog do J Ruy Veloso


                                                                 

Reflexões sobre Estratégias e um Tom Peters sempre atual

José Ruy Veloso Campos*

Falando de planejamento de marketing costumo me lembrar de uma frase de Sêneca que é de uso comum em muitas áreas: “de que adiantam os bons ventos para quem não sabe para onde quer ir?”. Certamente em se falando de planejamento a médio e longo prazo, a frase cai muito bem. Mas, Tom Peters fala de algumas estratégias as quais podem ajudar executivos e empresas com um contraponto à frase de Sêneca: “faz mais diferença saber com quem se vai, do que aonde se quer chegar”. Tudo é rodeado de grande aura teórica em partindo de um guru da administração como Peters, mas são ações e atitudes que gente comum como eu, por exemplo, sempre teve claras na cabeça. Vejamos:

1.      Sobre talentos: (Patrícia Ward Biederman, apud Peters) “A melhor coisa que um líder pode fazer para um grande grupo é permitir que seus líderes descubram a própria grandeza”. Eis uma premissa que sempre segui e sugeri: “Bons gestores são aqueles que formam líderes e gestores. Fazem seus sucessores”.

2.      Seu grupo é formado por pessoas peculiares que outros chamariam de “problemáticas”: Tom Peters ataca: se estamos buscando quem gosta de aventuras vamos chamar quem gosta disso. E os fãs de aventuras tendem a ser estranhos. Muitos desajustados ficaram na história: Alexandre, o Grande; Napoleão; Joana D´Arc; De Gaulle; Jefferson; Copérnico, Bill Gates e por aí vai. Os “desajustados” pensam. Cabe aos gestores extrair deles o que há de positivo. É outro mandamento que segui sempre até porque nunca me senti um ajustado.

3.      Os conselhos de administração são tão “descolados” quanto a sua oferta de produtos? Essa é uma boa questão e Peters diz que esses conselhos devem contemplar sexo, cor e idade. Isso lá nos EUA. Aqui é o mesmo ampliado. Não bastam as pesquisas qualitativas e grupos de discussão. É preciso que os componentes das empresas e organizações acreditem em seus serviços e em seus produtos. Como pode o diretor de um hospital pedir para passar por cirurgia no concorrente? Ou o revendedor GMC presentear a esposa com um Fiat?

4.      Sobre Inovação e Empreendedorismo: (Jonas Ridderstrále, apud Peters): “A sociedade do excesso tem um excesso de empresas semelhantes, que empregam pessoas semelhantes, com bagagens educacionais semelhantes, que vêm com idéias semelhantes, produzem coisas semelhantes com preços e qualidades semelhantes”. Verdade. Daí porque a necessidade de uma mudança de cultura, do modo de ver as coisas de sempre por um outro ângulo. Taí uma coisa de que gosto. Como gosto das outras todas.

5.      Os colaboradores que exibem inquebrantável “viés para a ação” têm maior rapidez nos ciclos OODA? (OODA: Observar, Orientar, Decidir e Agir. By John Boyd)  Pessoas com vontade e rapidez podem nascer assim e terem suas pilhas descarregadas na empresa patinadora, nos ciúmes e na inveja. Os que não esfriam conseguem trocar de bandeira. Conheço muitos casos.

6.      É importante estimular o grupo com palavras do tipo “excelência”, “metas grandes e audaciosas”, “vamos deixar nossa marca no universo”. Para Tom Peters qualquer projeto de uma empresa pode ser comparado ao Padrão de Desempenho do Cirque du Soleil (PDCS). Qualquer atividade aparentemente humilde pode ser transformada numa magnífica obra de arte. Vi isso também, alguns por puro talento e raça e outros por conchavos e acertos.

7.      Ser mais do que o melhor entre os melhores. Ser o único que faz daquela forma. Para Peters a simples resposta de intenção de compra não prediz o sucesso ou o fracasso. Para crescer as empresas precisam romper um circulo vicioso de benchmarking e imitação. As empresas líderes perdem suas posições, em dois terços das vezes, por terem escolhido o concorrente errado para se preocupar.

8.      O mantra nº1 dos negócios da década de 2000: não tente competir com o Wal-Mart em preço e nem com a China em custos. Para Tom Peters trata-se de uma briga estúpida. É preciso, como já vimos, “ser melhor, e ser os únicos que fazem o que fazemos”! Em resumo, faça o que você sabe fazer bem. Esse já é um ganho razoável.  (Fonte HSM management jan fev 2005)

*José Ruy Veloso Campos é mestre pela ECA/USP em comunicação e marketing e especialista em gestão educacional pela Unicamp.

 



Escrito por José Ruy Veloso Campos às 21h52
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Os sapatos de Aristeu                                                                                                                 O cineasta, a menina e o homem-sanduíche

Festival de Curtas, esperança e orgulho.

 

O KinoFórum, Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo, aconteceu entre 22 e 29 de agosto, agorinha, em 2008. Foi um evento que atraiu um público com interesse na arte, mas de toda idade e gênero. Lá estão os “olheiros” de agências, os apaixonados por cinema dos 12 aos 80 anos e, sobretudo, estudantes e recém-formados nas artes de imagens. Só a visão do foyer das salas de projeção já é um acontecimento a parte. O visual de cada um pode ser uma verdadeira alegoria. Mas isso não é o mais importante. Importante mesmo é perceber o talento e a sensibilidade dessa nova geração. Há nesses filmes, sem exceção, mensagens claras, diretas, sobre dilemas da vida, sobre intolerância, fraquezas humanas e solidão. São temas recorrentes nos curtas, podem dizer, assim como as denúncias sociais. Pois é. Pode ser. Mas ainda assim soa esperançoso para a minha geração com mais de meio século. Trata-se de ver que essa gente jovem gosta da arte e tende a colocá-la a serviço da sociedade como forma de entretenimento de bom nível, seja tratando da solidão vivida por casais modernos, pelos embalos das rave ou pela intolerância das famílias à opção sexual dos filhos. Atrevo-me a dizer que é uma geração que oscila entre François Truffaut, Pedro Almodóvar e Fernando Meirelles, alguns com toques David Lynch. Não é exagero. Eles sabem usar seus parcos recursos. Não é o Cinema Novo. É a nova geração do cinema nacional que pensa mais em cinema social do que em cinema publicitário. Não é um cinema patrulha. É, digamos, uma arte engajada. É gente que sabe das coisas, antenada e de futuro. Por que falo disso? Por esperança e orgulho. Esperança por tudo o que acabo de dizer, vendo filmes como Eletro Torpe, de Yuri Amaral e Espalhadas no ar, de Vera Egito. Orgulho porque o júri, indicado pelas empresas parceiras que ofereceram o prêmio, formado pelos críticos Cesar Zamberlan, Rafael Barion e pelo jornalista Eduardo Ribeiro, apontou como vencedor o curta-metragem Os Sapatos de Aristeu, de René Guerra, cuja assistente de direção foi a minha filha Camila Gutierrez Campos e cuja edição foi de seu namorado, o Vini Calderoni. Os sapatos, trata da intolerância de uma família de classe média baixa à opção de transsexualidade do filho e irmão. Guerra é um diretor e roteirista de talento e não é a primeira vez que trabalhou o tema do homossexualismo. Os travestis que participam do filme são figuras desse mundo na paulicéia e as atrizes principais ninguém menos do que as veteranas Berta Zemel e Denise Weinberg, além de Phedra D. Córdoba. No Festival do Rio de Janeiro, Berta Zemel ganhou Menção Honrosa por seu desempenho. A fotografia é impressionante e nos integra de vez à situação. A canção de Violeta Parra para o funeral é um dos pontos altos dessa obra de quinze minutos: Grácias a la vida, que me há dado tanto! Me dió dos luceros que cuando los abro Perfecto distingo lo negro del blanco ...  Ah, a gente fica feliz e orgulhoso. Para quem não entende e vê um curta, arrisca-se a achar que é tudo fácil. Como dar um depoimento de uma vida toda de sofrimentos, alegrias e tantas dores em quinze minutos? Na dúvida, experimenta escrever sua vida em uma página em Verdana fonte 12. Tenta... Minha Camila fala pouco e observa muito. Sua câmara fotográfica registra imagens cujos contrastes passam despercebidos para a maioria. O mesmo se dá com os seus make off. Camila compõe com seus amigos talentosos parte dessa geração. E o outro produto inesquecível, venceu também em Floripa no Florianópolis Audiovisual do Mercosul. Trata-se de O cineasta, a menina e o homem-sanduíche, que tem a direção da não menos talentosa Daniella Saba, a fotografia de Laura Del Rey (especial amiga da Camila) e uma impecável direção de arte de Mário Surcan. A atriz mirim Monize Camargo é uma revelação. A Camila fez a montagem e o tema das aflições do cotidiano de três pessoas de universos distintos é narrado com clareza, ternura e realismo. Assim é. Se nos resultados das Olimpíadas de Pequim ficou claro que o país não se preocupa com recursos para preparar futuros atletas a partir do ensino básico, é claro também que são poucos os espaços que permitem aos novos cineastas apresentar seus trabalhos e construir uma indústria do entretenimento que gere emprego, diversão e menos gente aculturada pela indústria de imagens da Costa Oeste estadunidense. Aqui, com exibidores atrelados aos blockbusters do Norte, jamais alguém terá uma chance como teve Spielberg com o seu “Encurralado” (Duel,1971) filme com o qual o diretor que hoje é milionário, mostrou seu talento, foi reconhecido, abandonou a universidade e fez a vida. Poucos aqui investem no cinema porque as chances de exibição são poucas e o retorno é duvidoso. Um perverso ciclo vicioso. Mas essa geração vai ganhar esse espaço porque muitos deles, que não estão no cinema e sim no mundo dos investimentos, vão acabar virando produtores. Querem um exemplo? Procurem pelo Cláudio Sjasman. Pode ser uma tentativa promissora. É questão de insistir.

 



Escrito por José Ruy Veloso Campos às 14h12
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Algemas e outras bobagens

 

Não sei precisar a data, mas foi há uns seis anos passados. Num vôo doméstico eu conversava com um senhor do assento vizinho e falávamos das origens de cada um, eu de Araçatuba e ele de Bauru. No meio da conversa surgiu a questão da estatização das ferrovias e dos precatórios gerados pelo ato e que nunca foram pagos a uma família que ele conhecia. O vizinho de vôo me disse então que a causa esperava há anos no STF uma solução, que os dois principais acionistas já haviam morrido e que os herdeiros não tinham esperanças na solução do assunto. O Estado não lhes pagava e acabou. Quem pode contra o poder do Estado? Pois sempre me lembrava dessa conversa quando o STF julgava com pressa e presteza os recursos do então deputado e ex-chefe da Casa Civil José Dirceu. E depois dele outros fatos foram julgados rapidamente como pistoleiros em filmes de western. Agora aparece essa das algemas. Todos os jornais fazem uma análise sensata sobre o tema. As algemas  incomodam a sociedade tanto quanto os braços de quem as têm nos pulsos. Não há como negar que a alta magistratura lembrou-se dos pobres e falou do pedreiro que foi julgado com algemas e que a medida, vejam só, servirá para os pobres. Mas foi gerada em razão dos ricos. Não há como negar. E os pobres que são algemados e mostrados para as câmaras de TV? Sabe-se lá se eles são mesmo culpados? Quanto tempo leva para que um advogado dativo comece a conversar com esse suspeito da periferia? A discussão sobre algemar ou não algemar é uma bobagem. Trata-se de um procedimento comum às policias do mundo. Tive a oportunidade de ver, num curso de Ciências Policiais no Estado de Ohio, a forma de algemar o sujeito que vai à Corte (Fórum): algemas nas mãos ligadas a um cinturão que tem outra corrente ligada aos tornozelos, que têm algemas em ambas as pernas. E daí? O instrutor disse que é um procedimento normal que evita acidentes e incidentes. E pronto. Prendeu na Wall Stret? Algemas neles. Crime é crime. O estuprador, por exemplo, quase sempre tem um desvio comportamental e ao fim e ao cabo deverá receber alguma atenção psiquiátrica. Mas é perigoso, para si e para a sociedade. Deve ser algemado e colocado em cela privada para evitar a “justiça” que lhes aplicam os presidiários. E os homens que desviam recursos públicos? Eles roubam o erário e, portanto, aquele dinheiro que poderia ter ajudado a família do criminoso “pé-de-chinelo” que acaba nas prisões transformando-se em ferramenta do crime organizado. Os ladrões engravatados do erário têm mais culpa do que o desestabilizado mental e social. Qual o problema em algemar um Paulo Maluf e um Pitta? Ora, que nos poupem os doutos da Corte Suprema com suas justificativas sobre quem oferece ou não perigo. São eles ou os agentes da frente de combate ao crime que decidirão isso? E a questão dos fichas sujas? Vivemos uma situação onde os cães criam regras para a guarda das lingüiças. Assim é o Poder Legislativo maior. É curioso que eles possam se candidatar com tantos processos graves nas costas e o contribuinte não possa, por exemplo, prestar serviços ao Estado se tiver qualquer tipo de problema com a justiça. Ai de nós, simples mortais, se tivermos débitos com a Receita Federal. Não podemos fazer nada. Estamos de mãos amarradas. Já os candidatos podem, mesmo com processos de corrupção, assassinatos, desvio de dinheiro público e tantos outros crimes, chegar ao poder e lá de cima, olharem soberanos para os demais contribuintes, todos com o nariz vermelho circense, e dizer-lhes o que podem e não podem fazer. E como ficaram os processos sobre o mensalão, sobre os cartões de crédito corporativos, sobre os “aloprados”, sobre o “dinheiro na cueca”, sobre os vínculos com as FARC e sobre, sobre etc.? E as mortes nas estradas? E a guerra no vizinho país do Rio de Janeiro? Disso ninguém fala. Já sobre indenizações para os supostos torturados quem entende bem é o Greenhald, ex-deputado e advogado que tão bem defendeu os seqüestradores de Abílio Diniz e faz tentativas para defender os que seqüestraram o Washington Olivetto. Esses bandidos têm ligação com o MIR, um movimento guerrilheiro do Chile que não quis se aposentar com a chegada da democracia e aliou-se às FARC e ao MST. Por conta de dias de prisão durante o regime militar, muita gente enriqueceu. É uma mistura de ideologia com memória e oportunismo. Ditadura e tortura, nunca mais. De acordo. Queimar arquivos dentro dos partidos é que foi algo inovador no país. Perguntem pra viúva do Toninho do PT, lá de Campinas/ SP, quanta atenção lhe deram o Lula e o senhor Tarso Genro. Arhf! É muita bobagem?

 

 

 

 



Escrito por José Ruy Veloso Campos às 23h18
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Marketing de Relacionamento

       

MARKETING DE RELACIONAMENTO. AS EMPRESAS PRATICAM ISSO?

 

Regis McKenna, Philip Kotler e o guru Peter Drucker estão no topo das citações em livros e trabalhos acadêmicos que versam sobre o marketing de relacionamento. Quando tratam disso, os autores, acadêmicos ou “profissionais de mercado” incluem também, com pertinência, os sistemas de CRM como obrigatório nas empresas, sejam elas fabricantes de produtos manufaturados, atacadistas, varejistas e, sobretudo, as empresas de serviços. Essa vertente dos estudos de marketing é também chamada de “pós-marketing”, que nada tem a ver com as expressões pós-industrial ou pós-moderno. Trata-se na verdade de um simples processo de acompanhamento da percepção do cliente em relação ao seu produto ou serviço. Relacionamento, como costumo dizer aos estudantes de graduação, é uma grande moeda de troca no século 21. Mais do que isso vem de constituir-se uma ferramenta fundamental para a fidelização e multiplicação dos consumidores e clientes. O processo de relacionamento deve ajudar na  escolha do cliente, na identificação de suas necessidades e, portanto, numa saudável decisão de como aprimorar permanentemente os serviços a ele prestados e seus valores agregados. Na área de serviços esse processo é fundamental para proporcionar uma melhor relação custo/benefício. Desde os tempos das pequenas lojinhas o relacionamento vem fazendo a diferença. Quando o imigrante libanês em sua loja de tecidos nos anos 1930 ou o português em sua padaria, já nos anos 1950, marcavam nas cadernetas as despesas de suas freguesas e aceitavam, ao cabo do mês apenas parte do pagamento para continuar fornecendo, estavam estabelecendo um relacionamento. Se eles não vendessem fiado, os concorrentes poderiam fazê-lo. Melhor então marcar uns pães a mais e deixar para o mês seguinte a outra parcela do débito. Mas não é de débitos e créditos que trata o marketing de relacionamento. Trata-se da percepção dos gestores da empresa em perguntar-se o que mais pode ser feito para melhorar a vida de seus clientes. Para Peter Drucker, as reclamações e conflitos são sempre de responsabilidade da empresa. Com certeza, em algum ponto dos processos que compõem os serviços houve uma falha. Na semana que passou a Telefonica amargou um apagão dos serviços de Internet até então nunca visto no país. Ficaram sem funcionar bancos, hospítais e polícia, pelo menos no que diz respeito aos serviços online. A empresa publicou anúncios nos principais jornais afirmando que vai deduzir das contas de seus clientes aquelas horas sem serviço!? E isso vai pagar os prejuizos? Não sabe a empresa sobre a intangibilidade de seu próprio negócio? Falhou, negou, não deu certo. Morreu. Pedir desculpas e deduzir alguns trocados nas contas não vai reparar o mal causado a milhares de contribuintes que precisaram, e não tiveram, os serviços acima citados. Mas enfim, pode acontecer. O fato é que as empresas de serviços precisam conhecer bem os seus clientes e, mais importante, torná-los conhecidos a todos os seus colaboradores. O cliente não pode, não merece, esperar, ficar sem resposta objetiva ou não ter suas dúvidas plenamente esclarecidas. Satisfação do cliente é traduzida em percepção de qualidade. Pessoalmente, quando sou (bem) atendido por um serviço de bancos ou companhias de telecomunicações fico surpreso, agradecido e faço questão de registrar o fato para a empresa nominando o atendente que solucionou minha dúvida ou meu problema. Como milhares de cidadãos, sou descrente com relação a esses serviços, sobretudo por telefone.

Por mais que publicações especializadas, palestrantes e sites da Internet tratem do assunto “qualidade no atendimento”, as empresas de serviços parecem não se preocupar com a satisfação / fidelidade de seus clientes. Hospitais dificultam atendimento e culpam os planos de seguro saúde. Hotéis pretendem que os seus clientes paguem por cada café que eles posssam tomar sem avaliar corretamente o custo de sua imagem versus o benefício que aquela cortesia poderia lhes trazer. Sobre companhias aéreas é melhor não comentar. E o que dizer dos médicos que marcam hora para os seus clientes e vão atendê-los quase duas horas depois? Fornecedoras de energia elétrica, água e telefonia cobram frações de valores nos casos de atraso de um dia no pagamento de suas contas mas nada deduzem quando deixam os consumidores sem água, energia ou comunicação por horas a fio. De acordo com o Technical Assistance Research Programs Institute, TARP, uma instituição estadunidense criada a partir da Universidade de Harvard em 1971 com o objetivo de inovar no campo interativo com os consumidores e quem tem como clientes algumas marcas como a Coca Cola, o CityBank e a Toyota, somente um em cada vinte e cinco clientes insatisfeitos voltará a procurar a empresa, se tiver outra alternativa. Sobre o serviço público então o que dizer? Curiosamente minha experiência pessoal, em 2008,no atendimento da Receita Federal e da Polícia Federal foi muito boa. Outra luz de esperança foi uma passagem pelo Poupa Tempo. Tudo rápido e bem explicado por pessoas que demonstram saber o que estão fazendo. O serviço público deve muito aos contribuintes em termos de atendimento. Nas cidades menores essa percepção e (portanto) esse mal relacionamento, têm um reflexo maior sobre os políticos porque estão mais próximos de seus eleitores. O marketing de relacionamento dos políticos, aliás, deveria começar pelo atendimento nos serviços públicos. Quando as percepções do prestador de serviço e do usuário / cliente / contribuinte forem as mesmas, isto é, de que um atende com presteza e o outro se sente bem atendido, aí então os políticos poderão fazer sua campanha nas repartições e órgãos públicos com pequenas filas, cumprimentar as pessoas e receber cumprimentos por sua boa gestão. Assim é o mercado. E ainda não se inventou uma outra forma de satisfação.

 



Escrito por José Ruy Veloso Campos às 22h25
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A vida e a morte

           

Ledger                      Perez                  Scheider           Távola               Ruth                  de Falco

A VIDA E A MORTE

 

  • Lá se foi o senador Jefferson Perez, um exemplo de homem público. Já Maluf está aí, se candidatando para favorecer a votação de Marta Suplicy e ainda por cima negando que tenha dinheiro no exterior. É assim a estratégia divina, nem sempre compreensível à nossa pobre percepção.
  • Lá se foi Ruth Cardoso, um exemplo de mulher, de mãe, de acadêmica e de cidadã, enfim. Já Marta Suplicy continua aí, plena de botox e laços inconfessáveis na política. É assim a estratégia divina...
  • Em menos de sessenta dias três crianças foram atiradas pela janela de apartamentos no Brasil. Parece ficção. Algo como algum contato imediato de 3º grau ou o preparo para a vinda de um bebê de Rosemary. Agora só falta o PCC registrar o seu Partido para concorrer nas eleições de 2010, coligados naturalmente com aqueles que apóiam seus aliados do MST.
  • Morreu Roy Scheider que foi o personagem principal de “All That Jazz”, de Bob Fosse. Será que cantaram “By By Love” no seu enterro?
  • Morreu Heath Ledger, que foi um dos namorados de “Brokeback mountain”, o filme que trata do caso de amor homossexual de dois pastores temporários no Meio Oeste estadunidense na década de 1960. Já o machão Jader Barbalho continua firme na política brasileira.
  • Foi-se também Rubens de Falco, um ator sério e bom de palco. Já Glória Perez vai continuar escrevendo novelas para a Rede Globo...
  •  Mudou de endereço também o espírito de Paulo Alberto Artur da Távola Moretzooshn Monteiro de Barros ou simplesmente Arthur da Távola, político, radialista, acadêmico e entendido em música. Foi-se da terra. Já Renan Calheiros continua firme no Senado, mesmo depois que sua amada saiu peladona em páginas da Play Boy. Assim é a chegada do apocalipse.


Escrito por José Ruy Veloso Campos às 00h18
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OBAMA e STUART HALL

             

O símbolo                                Obama                  O povo               Hall

 

OBAMA e STUART HALL

Buscando entender o fenômeno de Barack Obama nos Estados Unidos e tentando encontrar algum laço que o compare ao fenômeno Lula no Brasil, voltei a trechos de material que escrevia em 2007 sobre identidade, hospitalidade e comportamento do consumidor. Naquele texto encontrei um trecho em que falo sobre Stuart Hall e achei interessante, como primeira abordagem, relembrar o caso Clarence Thomas e observar como as coisas mudaram. Por que me interesso sobre o  “porque” do sucesso de Obama? Porque não é só um problema dos estadunidenses. Isso nos afeta diretamente nesse mundo on line. Vejamos.

Stuart Hall, um sociólogo nascido na Jamaica e vivendo na Inglaterra desde os seus 18 anos, é um dos maiores expoentes da corrente conhecida como Escola de Birmigham.  Essa corrente reúne um conjunto de pensadores britânicos contemporâneos que, a partir de uma leitura do filósofo marxista Antonio Gramsci, fazem uma radiografia dos processos culturais contemporâneos, tendo como pano de fundo as mudanças societárias impostas pelo processo de globalização e a chamada cultura pós-moderna.

Para Hall, que considera que o conceito de identidade é ainda recente e ambíguo no campo da sociologia (e que correntes e/ou teóricos acreditam que as identidades modernas estão entrando em colapso), um tipo diferente de mudança estrutural está transformando as sociedades modernas a partir do final do século 20. Ele entende que essa mudança estrutural está fragmentando as paisagens culturais de classe, gênero, sexualidade, etnia, raça e nacionalidade, que, no passado, “nos tinham fornecido sólidas localizações como indivíduos sociais”.  O sociólogo inglês relaciona a questão da identidade ao “caráter da mudança na modernidade tardia, em particular ao processo de mudança conhecido como globalização e seu impacto sobre a identidade cultural.” Para dar um exemplo concreto de sua visão sociológica do assunto, Hall  (Hall, 2005,pg. 18) trás o exemplo do escândalo estadunidense de Clarence Thomas, um juiz negro de visão conservadora e que foi indicado para a Suprema Corte daquele país pelo presidente Bush, de olho em restaurar a maioria conservadora naquela instância. Era o ano de 1991. O provável raciocínio de Bush, de acordo com Hall, era o de que os brancos conservadores, mesmo com preconceitos contra os magistrados descendentes de africanos, veriam com bons olhos a indicação por ser ele um conservador e, portanto, defender idéias da maioria branca. Por seu lado, os negros que apóiam políticas liberais em questões de raça, apoiariam Thomas porque ele era negro. Ou seja, Bush jogava o “jogo das identidades”. Vale observar aqui que é uma estratégia que tem caráter mercadológico considerando-se o objetivo final que é a satisfação do eleitor pelos atos daquele que eles elegeram. Ocorreu que, no meio do processo para a aprovação do indicado de Bush pelo Senado, apareceu uma denúncia de assédio sexual, feita por uma mulher negra, uma ex-colega de Thomas, chamada Anita Hill. Nas audiências que se seguiram instalou-se a polêmica no país de George Washington: Alguns negros apoiaram Thomas, baseados na questão da raça; outros negros se opuseram à nomeação, com base na questão sexual. Para as negras, a situação apresentou-se ainda mais ampla: defender sua identidade como negra ou como mulher, simplesmente? Mesmo os homens negros ficavam divididos: sob que ângulo olhar a situação? Política, Sexismo ou liberalismo? Homens brancos estavam também divididos, não apenas por causa da política, mas de como se identificavam com respeito ao racismo e ao sexismo. Já as mulheres conservadoras brancas, apoiavam o indicado, por sua inclinação política e, sobretudo, por sua oposição ao feminismo. E as mulheres progressistas que sempre tinham posições avançadas na questão da raça? Elas se opunham a Thomas com base na questão sexual (pressionar uma subalterna para favores sexuais é imperdoável). Para fechar o círculo, veio a questão de classe social, uma vez que a assediada era subalterna.  A questão objetiva no caso ClarenceThomas é a discussão do “jogo de identidades”. No mundo do final do século 20 a sociedade já estava fragmentada em termos de identidade. Muito diferente, pois dos anos 1960 quando a luta pelos direitos dos negros era uma bandeira de Luther King e resultava em passeatas e mortes na resistência à integração vinda, sobretudo dos Estados mais atrasados. Quem assistiu ao filme Mississipi em Chamas (EUA, 1988) viu a reação da conservadora e atrasada sociedade do Estado do Mississipi que era contra qualquer tipo de emancipação dos negros, encobria os assassinatos contra eles e chamava, acreditem, os agentes do FBI de “comunistas”. No século 21, pelo menos nas regiões não tão atrasadas dos EUA, as reações não são mais tão definidas. As identidades são, de acordo com Hall, contraditórias, se cruzam e se “deslocam” mutuamente. Isso afeta o comportamento do consumidor, naturalmente. Hall entende que as pessoas não identificam mais seus interesses sociais exclusivamente em termos de classe: (Hall, 2005, pg. 20)

“... a classe não pode servir como um dispositivo discursivo ou uma categoria mobilizadora através da qual todos os variados interesses e todas as variadas identidades das pessoas possam ser reconciliadas e representadas... uma vez que a identidade muda de acordo com a forma como o sujeito é interpelado ou representado, a identificação não é automática, mas pode ser ganha ou perdida. Ela tornou-se politizada. Esse processo é, às vezes, descrito como constituindo uma mudança de uma política de identidade (de classe) para uma política de diferença”

 

Obama, com certeza, deve ter Hall na bibliografia das obras que publicou. Obama compreendeu a questão das identidades e de como interagir com essa diversidade numa sociedade complexa como a estadunidense e que tem em comum uma preciosidade que a classe média e média baixa brasileira não vê nem de longe: o amor ao seu país e aos seus símbolos. A bandeira estadunidense é o maior dos símbolos da chamada “maioria silenciosa”  e o presidente dos Estados Unidos o segundo. Ocorre que Bush Filho deixou de ser esse símbolo e Obama, ocupou o espaço. O resultado dessa estratégia bem pensada pelo senador Barack Obama veremos depois que os democratas medirem forças com os banqueiros e os fabricantes de armas. Mas já foi um caminho e tanto.

Veneremur cernui

Et antiquum documentum.

Novo cedat ritui.

Praestet fides suplementum

Sensuum defectui

Voltaremos ao tema.

 



Escrito por José Ruy Veloso Campos às 15h07
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Depois de tanto tempo...

   

Trigo                             Nagashi                       Sandy                       Madia

Depois de tanto tempo que fiquei sem blogar...

  • Meu amigo Luiz Trigo viajou três vezes pelo mundo, fez bons trabalhos para o Ministério do Turismo e foi efetivado na USP Leste como o bom Livre Docente que é...
  • Meu amigo Mário Beni consolidou sua idéia de fazer educação à distância e botou em pé um projeto com a Secretaria de Turismo do Estado de São Paulo...
  • Minha amiga Sonia Marly pensa em blogar sobre direito para o turismo e se vale à pena fazer cirurgia na coluna...
  • Meu amigo Carlos Raul Etulain, anarquista argentino doutorado pela Unicamp, esteve por duas vezes em sua terra natal dando curso sobre democracia na América Latina...
  • Barac Obama, quem diria, é mesmo o favorito para a presidência na capital do mundo. Os fatos deixam a ficção do cinema e vêm para a realidade: um negro e uma mulher disputaram a preferência para ser candidato à presidência dos EUA. Edgar Hoover rodou sua bailarina no túmulo...
  • Meu amigo Nagashi Furukawa foi por alguns meses a grande esperança de afastar para sempre da prefeitura de Bragança Paulista, uma aprazível cidade média situada a 89 km de São Paulo, as famílias Chedid e Lima, que se revezam no poder a quase meio século. Entrou para o Partido Verde disposto a dar mais um tempo de sua vida para o serviço público, mas foi desestimulado por um suposto “fogo amigo”. Perde a cidade. Perde o país, perde a democracia, perdem os Verdes...
  • O amigo Francisco Madia, lançou outro livro e fala do cotidiano do marketing “como ninguém nesse país...”
  • Meu amigo Napoleão Xavier, lá de Araçatuba, não deu mais notícias...
  • O amigo Francisco Aparecido Cordão foi nomeado novamente para o Conselho Nacional de Educação. Tratará da Educação Profissional, o que sabe fazer "como ninguém nesse país".
  • Sandy & Júnior, a dupla, como previmos em três matérias nesse Blog, pendurou as chuteiras, aparentemente sem mapear cuidadosamente a reciclagem do produto e transformar pra valer em carreira solo a moça bonita e de boa voz. Como Cely Campello, de saudosa memória, Sandy vai se casar em setembro próximo e morar mesmo em Campinas...
  • Edward Albee escreveu: “Às vezes, é preciso que nos afastemos muito de nosso caminho para voltarmos um pouquinho na direção certa”.


Escrito por José Ruy Veloso Campos às 14h33
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Luíza faz muito bem o "Me faz bem".

“Me faz bem”, de Luíza Possi, é bem feito.

 

Quando a conheci era ainda uma criança lá na terceira ou quarta série do ensino fundamental. Ficou amiga de minha filha mais nova, a Camila, e formaram uma pequena turma para trabalhos escolares, vai-e-vem entre as suas casas e algumas daquelas baladas do tipo “mingau”. Integravam o grupo o Lane, o Rufo, o Bruno, o Beny, a Carol, a Saes e a Lígia. Entre os trabalhos escolares que precisaram fazer, rolou um vídeo em que cantaram e declaram poesias. Era o embrião do que seriam no futuro. Hoje a Camila é formada em cinema e vai tateando nesse mercado e Luíza virou cantora pra valer. Aliás, se tinha algo que ela levava a sério eram as aulas de canto e de balé. Curtia o som da mãe, a Zizi, e tinha nela um modelo.

Achava a profissão do pai, produtor musical, o máximo. Tinha no sangue o DNA de artista. Hoje segue com cautela a sua jornada profissional. E canta bem. Canta muito bem, sem forçar, sem maquiar o som. É uma garganta aveludada, sensual e madura. Sabe como interpretar. Tem voz e talento. Hoje me deparei com ela cantando na UOL a canção “Me faz bem”. E faz bem mesmo. Para quem ouve e para quem canta. Luíza faz “Me faz bem” muito bem feito. É do ramo. Fico orgulhoso da turma da Camila. Um pessoalzinho “direto ao ponto”. Alguns já viraram empresários, outro já está a quase na Fórmula 1 e as outras crescendo em suas profissões. É uma geração dos anos 1980. Foram educados na Escola Pacaembu, que era dirigida por educadoras responsáveis e com os olhos no futuro. Sua clientela era heterogênea na renda e homogênea nos objetivos educacionais: queriam o melhor para os seus filhos. A escola não fazia diferença entre os seus clientes (aliás, proibiam a ostentação na escola) e as educadoras estavam sempre prontas a ouvir, acatar ou orientar os pais. Não era uma escola barata, mas oferecia um benefício enorme para o custo que diminuía ao se ver os resultados. A escola se constituía, antes de tudo, num bom ambiente. Foi bom. Valeu.

E aí estão elas e eles, Luízas, Camilas, Carols, Brunos e Benys que não conhecemos e que devem estar trilhando bons caminhos.

Educação é um valor imensurável.

E a Luíza? Ah é claro, comprem o CD e o DVD, porque ela é demais. Melhor do que a Sandy do que a Vanessa e, arrisco, do que a Maria Rita. Duvida? Compre o CD.

 



Escrito por José Ruy Veloso Campos às 22h06
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O debate dos Democratas

 

Para quem não viajou no feriadão o debate dos pré-candidatos do Partido Democrata dos Estados Unidos foi uma alternativa de programa na noite de garoa do dia 15 de novembro. O evento transmitido pela CNN foi realizado na Drexel University, na Philadelfia num grande auditório onde estavam separados imprensa e o público geral. Conduzido pelo jornalista Brian Williams, o debate não parece ter tido grande altos e baixos. Hillary Clinton foi quem se saiu melhor e a impressão, às vezes, era a de que perguntas dos jornalistas serviam de escada para suas respostas inteligentes. Barack Obama teve uma atuação decepcionante, tendo em conta a projeção de seu nome como um candidato absolutamente diferente: negro e democrata. Foi superado por outros, desconhecidos de nós brasileiros, que falavam e respondiam com mais ênfase o que lhes era perguntado. A senhora Clinton pareceu poupada pelos debatedores e só teve maior contundência nas perguntas por parte de um jornalista chamado Tim Russert. Ela se esquivou das questões sobre ataques terroristas, sobre a América Latina e sobre restrições aos imigrantes. Por causa disso o debate ficou um bom tempo polarizado entre ela Obama deixando os outros debatedores como mero expectadores. Quem quer se comprometer? Falou sobre questões da saúde, da mulher e dos agricultores. Que não se duvide de que uma vez no poder, ela mantenha (e aperte) as restrições aos produtos de agro-negócio de outros países. Um senador do Delaware chamado Joe Biden foi também esperto diante das câmaras e deu respostas hilárias para os jornalistas ganhando aplausos da platéia. Hillary foi a dona do espetáculo, mas a imprensa estadunidense anda dizendo que a classe média consciente (isso significa as duas Costas, Leste e Oeste) anda cansada de ver na Casa Branca o entra e sai das famílias Bush e Clinton. Pode ser, mas há uma grande diferença entre as raízes e intenções dessas pessoas. Isso é claro como a luz. Por que assistir ao debate com sono e perdendo palavras aqui e ali? Porque é um debate político e sempre nos interessa. Afinal, eles ainda dão as cartas no mundo. E depois, só de ver o cenário, a organização e a educação dos debatedores que não se agridem e nem falam fora de seu tempo e do público que se limita aos aplausos, a gente tem um pouco de inveja e fica pensando que estamos chegando lá, isto é, se os banqueiros não fecharem com Lula o terceiro mandato.

 



Escrito por José Ruy Veloso Campos às 20h17
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PAULO AUTRAN

                                                                                                   

AUTRAN: O GRANDE CAVALHEIRO DO TEATRO BRASILEIRO

 

Paulo Autran foi um daqueles atores que irradiavam uma luz inexplicável de talento e uma sincera simpatia. Tive a chance de conhecê-lo de perto lá nos anos 1960, em plena ditadura militar. Ele, ao lado de Tereza Raquel, Luíza Maranhão e Jairo Arco-e-Flecha, levavam, país adentro, o espetáculo  “Liberdade Liberdade”, com poemas, músicas e muitas mensagens contra o regime vigente. Era uma cruzada e lhes acrescentava alguns tostões. Isso deve ter sido em 1966 e eu tinha lá meus dezoito anos. Recebi o grupo lá em Araçatuba, juntamente com outros colegas de teatro. Ajudamos a montar o palco do anfiteatro do Instituto de Educação Manoel Bento da Cruz, que depois seria IEPSG Manoel Bento da Cruz e hoje é, sabe-se lá o que, e providenciamos sanduíches e sorvetes para a equipe. Era uma experiência inexplicável, incomparável e invejável. Alguns anos depois eu me lembraria do fato quando visitava Raul Cortez no seu camarim da peça “O Balcão” de Jean Genet, na qual protagonizou o primeiro nu no teatro brasileiro. Tive a chance de contar ao Raul Cortez a emoção de ficar nos bastidores de “Liberdade Liberdade”. Raul então me disse que dentro de 50 anos jamais teríamos outro ator como Autran, mesmo que dissessem que Sérgio Cardoso era um “monstro”. Pois Raul, ele mesmo um “monstro” do teatro, estava certo. Talento como o de Paulo Autran não é para todas as épocas. Sir Laurence Oliver, com certeza foi um desses. Mas é mesmo difícil. Lá naquela provinciana e pecuarista Araçatuba (também lá já não existe mais pecuária, só canaviais) um casal se ofereceu para receber os atores depois do espetáculo. Lembro-me que ele, o anfitrião era um médico, o Derocy de Carvalho e sua mulher, professora da rede estadual. Foi tudo muito simples inusitado. Era qualquer coisa de especial receber em casa personalidades como Autran, Tereza Raquel, o Arco-e-Flecha e Luíza Maranhão, tida à época como o “negativo da Sophia Loren”, por sua negra beleza. Em 1986 encontrei-o novamente em gravações de novela da Globo no Shopping Eldorado onde eu trabalhava. Servimos para ele sucos e saladas e falei-lhe rapidamente daqueles tempos de “Liberdade Liberdade”. Ele foi direto: preferia aqueles palcos mambembes às madrugadas de gravações de novelas. Parecia não gostar muito das câmeras. Pois lá estão os talentos, juntando-se no céu. Raul Cortez poderá dizer de sua admiração por Autran e da comparação com Sérgio Cardoso, tendo os dois à sua frente. Estarão juntos ainda o Guarnieri, a Dina Sfat, a Nara Leão, o Zé Kéti, o Plínio Marcos, o João José Pompeo, Lílian Lemmertz, Jardel Filho, Otelo Zeloni e o diretor Eugênio Kusnet. Como se vê, passar para o outro lado tem lá suas vantagens. Uma roda dessa dispensa cerveja e política, dá para escrever muito e trazer muito assunto para a próxima encarnação. Descanse em Paz, nobre Cavalheiro do Teatro Brasileiro!

 



Escrito por José Ruy Veloso Campos às 19h51
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GLOBALIZAÇÃO ?

                                                                         

GLOBALIZAÇÃO OU O CAPITAL MUDANDO DE MÃOS

 

 José Ruy Veloso Campos*

 

Na semana que passou duas grandes aquisições foram anunciadas: a compra da VR refeições, do grupo fundado e conduzido por Abram Szajman, que é também, há vinte anos, presidente da federação do Comércio do Estado de São Paulo e, por conseguinte, presidente dos Conselhos do Sesc e do Senac. A “Vale refeições” começou há cerca de vinte anos num mercado que era amado e odiado pelos restaurantes, padarias e demais pontos de alimentação no Brasil. Amado por que ganhavam o estímulo do consumo de refeições pelos empregados das empresas que recebiam o vale e contribuíam para aumentar o seu movimento. Odiado porque demorava a reembolsar os vales, num sistema que não utilizava os bancos e fazia os empresários da hospitalidade gastarem tempo e correrem risco no transporte daqueles papéis, que eram um valor, circulando pelas ruas do centro e em ônibus lotados nas pastas de Office boys. O ganho das empresas de vales era grande. Somavam-se as perdas dos vales pelos empregados, o vencimento (sim, eles venciam) do prazo e a perda também pelos estabelecimentos de serviços de alimentação. Era uma farra nos tempos da inflação. A VR ganhou muito e cresceu muito graças, sobretudo a visão estratégica de seus gestores que entraram rápido na informatização e nos cartões de plástico. Foram além, criando um novo serviço através do VR Smart, que acumula pontos e fideliza clientes. Uma família inteligente que agora embolsa um bilhão de reais na venda desse serviço para a francesa Sodexho. E assim o capital brasileiro perde mais um forte negócio de suporte aos serviços de hospitalidade. Na área operacional dos serviços de alimentação, outra perda significativa: a venda eminente da rede Viena de Restaurantes para Advent, de private equity, que já abocanhou também a RA, serviços de Catering de Aviação e responsável pela alimentação em aeronaves e estações de passageiros nos principais aeroportos do país. O chefe do clã Bielawski, Roberto, dono da rede restaurantes, lanchonetes e cafés Viena e dos restaurantes Ráscal pretende vender só uma parte da empresa e manter a rede Rascal. A rede Viena é das mais antigas no país e entrou em operação em 1975 na esteira da chegada do conceito de Coffee Shop no país, misturando serviços de café e chá com pratos já montados no almoço e no jantar. Depois, nos anos 1990, adotaria o conceito de quilo.

Já o Advent, é o maior fundo de private equity em operação no Brasil, e está negociando uma transação pode ser a primeira no País com recursos da carteira de US$ 1,3 bilhão lançada pelo Advent em julho para aquisições de empresas latino-americanas.

O grupo Viena nasceu com uma loja de refeições rápidas no Conjunto Nacional, na capital paulista e hoje tem 30 lojas em São Paulo e outras 5 no Rio de Janeiro, com seis diferentes marcas: os restaurantes Viena Delicatessen, Ráscal e Grano, os restaurantes de comida rápida em praças de alimentação dos shoppings Viena Express e Viena K Express, além da Viena Café, que combina serviços de cafeteria e livraria.
O Advent é o mesmo fundo que desinvestiu em empresas como a processadora de cartões de crédito CSU CARDSYSTEM, o Paraná Banco, a rede de lojas de duty free Dufry e a empresa de tecnologia Totvs, por meio de oferta de ações na Bovespa. A compra do Viena faz parte da estratégia do Advent de se concentrar em empresas de serviços. Quando os estudantes falam e escrevem sobre “resultados da Globalização”, nem sempre sabem sobre o que exatamente estão falando. Esses aí são dois casos típicos: duas famílias de origem judaica chegam ao país, arregaçam as mangas, constroem fortuna em cima de bons serviços oferecidos com capital gerado no Brasil e trinta anos depois, diante de uma carga brutal de impostos, má gestão pública, insegurança pública e alto custo nas relações trabalhistas, preferem vender o bolo pronto e investir de outra forma o ganho gerado em terras brasílis. É assim aqui, é assim em outros países em desenvolvimento. O que vai acontecer na gestão dos novos patrões, nunca se sabe.

O capital agora mudou de mãos. E ficamos assim, a deriva...

O aproveitamento das garrafas plásticas PET, já trabalhado pela Coca Cola em diversos países, rejeitado pela AMBEV, discutido por sanitaristas e ambientalistas é outro bom imbróglio globalizado e que merece um escrito a respeito. Voltarei ao tema.

 

*José Ruy Veloso Campos é mestre em comunicação e marketing pela ECA/USP, especialista em gestão educacional pela UNICAMP e docente da Metrocamp na disciplina de Planejamento e Controle de Marketing.

 



Escrito por José Ruy Veloso Campos às 15h41
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SOBERBA

Do Vinho do Porto a Madeleine

 

Impossível imaginar o que vai à cabeça de um casal cuja filha desapareceu de um chalé de hotel e agora é suspeito de tê-la matado. Impossível também saber o que pode ser a verdade num mundo tão cheio de surpresas. É assim o caso do casal de médicos ingleses que reclama que sua filha sumiu do apartamento de um resort em Portugal em maio passado. A comunidade britânica é claro, mobilizou-se e defende o casal contra a suposta incompetência das autoridades lusas. Juntou-se mais de um milhão de Euros numa campanha relâmpago para que a família pudesse continuar em Portugal acompanhando as investigações. Mas, entre idas e vindas, a polícia portuguesa acabou por enquadrar o casal como suspeito. Parte da imprensa inglesa caiu de pau, há tempos, no trabalho de investigação dos portugueses. Para a grande maioria dos ingleses Portugal é um destino turístico próximo à ilha de Sua Majestade, tem sol o ano todo e uma gente sorridente. Mas consideram aquela gente atrasada e de segunda classe na Europa. É assim desde sempre. Foram os ingleses que escoltaram o rei de Portugal, D. João VI em sua fuga para o Brasil, quando Napoleão buscou conquistar aquela saída portuguesa para o mar. Foram os ingleses que estimularam o fabrico do Vinho do Porto e são eles até hoje os grandes consumidores daquele produto da região do Douro. Os ingleses gostam mesmo de invadir a região do Algarve na primavera e no verão. Chegam com seus chapéus estranhos e suas roupas espalhafatosas. Não são os ingleses do alto do PIB. É uma classe média estável. Só isso. Mas contam com a solidariedade de seus pares colonizadores que mantêm o mesmo espírito da Armada da Rainha, quando as esquadras inglesas ameaçavam nações só por ancorar na costa de suas terras. No caso da infeliz menina Madeleine, tudo pode ter acontecido. Os pais, uma vez suspeitos, dizem que os portugueses não querem estragar o turismo assumindo que um pedófilo pode ter entrado no resort (que não é um hotel fechado. São chalés em cujas ruas podem circular estranhos à hospedagem) e querem então culpar os pais. A polícia portuguesa já deixou vazar que as crianças podem ter sido dopadas para que os pais pudessem jantar com tranqüilidade e que a menina foi vítima do remédio que lhe foi dado. Os pais então teriam forjado o sumiço. Tudo muito trágico e cinematográfico, mas nada inverossímil. Pelo menos a ministra do interior inglesa manifestou-se neutra e os laboratórios ingleses fizeram os exames, aparentemente sem favorecer os pais. Porque também aí tudo é possível. O casal de canadenses que seqüestrou o Abílio Diniz foi defendido na imprensa daquele país como “idealistas libertários” que estavam apodrecendo nas masmorras do Brasil. FHC cedeu e os libertou na briga da Embraer com a Bombardier, sob a pressão dos petistas, cúmplices dos seqüestradores de Diniz e mais tarde de Washington Olivetto. É assim que as cabeças medianas do mundo desenvolvido vêem os países mais pobres. É assim que os ingleses vêem Portugal. Se o casal for mesmo culpado, já tem a seu favor boa parte da opinião pública do seu país para quem os portugueses só tem alguma competência para prestar-lhes serviços hoteleiros. E no caso do sumiço da menina, talvez nem isso tenham, pensarão eles. Tudo muito triste é verdade, mas já ouvi gente dizer que dava remédio para que a criança ficasse “meio chumbadinha” para que os pais pudessem melhor aproveitar a noite.



Escrito por José Ruy Veloso Campos às 08h56
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PODER E CONFRONTO

                                               

TRÊS HISTÓRIAS DE PODER, CONFRONTO E, NADA.

 

1-Minha avó Eulália, que aprendemos desde sempre a chamar de Líla, foi uma daquelas mães e avós resistentes, forte, decidida e lúcida até que um AVC a fez prostrada por anos numa cama. Mas morreu bonita e sem nenhuma ferida, graças ao carinho de uma filha que, solteira, recebeu a delegação dos irmãos para cuidar dela. Vó Líla foi professora e auxiliar do marido farmacêutico, agrimensor e tabelião. A vizinhança, por muito tempo, valeu-se dela para aplicar injeções e fazer pequenos curativos. Quando perdeu o marido, tinha ainda um filho de onze anos, o mais novo dos dez que compunham a prole. Era decidida  e fazia por unir a família. Alguns a achavam autoritária e controladora. Pode ser. Mas jamais invadiu a privacidade de filhos, genros, noras ou netos. Era forte e lia todos os dias os jornais. Se não o fizesse, sentia-se fora do mundo. Herdei isso dela. Mas então, houve quem a julgasse autoritária. E como não ser? Teve que administrar a casa com aqueles sete filhos que ainda eram solteiros, ali na Vila Pompéia, cheia de garoa e longe dos bondes naquela São Paulo dos anos 1950. Pois se um dia lhe fizeram bico alguns parentes, com certeza, quando ouvem sobre o seu passado, se lhes passa pela cabeça um fio de culpa. Ela foi, isso sim uma heroína. E a vida segue sem ela, mas com muitas de suas lições, bem vivas. O confronto com a avó, se houve, virou nada.

2- Ouvi muitas histórias de ciúmes nas organizações. Uma vez achei um livro com esse título num aeroporto. Comprei-o e mandei para dois chefes que eu tinha. Foi um desastre. Achava que eles deveriam racionalizar sobre as ações supostamente úteis que eu empreendia na organização e não ficar atrapalhando cada um dos meus passos. Eles tinham as razões deles e o livro foi como um veneno na sopa que já estava fria e quase azeda. Já ouvi histórias de ciúmes de gente criativa, de atropelos e puxada de tapetes por um cargo que não acrescentaria muito mais, financeiramente, para o conspirador. Pura vaidade e questão de poder. Era gente batendo de frente, em grandes confrontos urdidos à socapa e em finais de semana só para barrar um projeto do outro. Por que? Não havia uma explicação clara. Era ciúme ou necessidade de mostrar poder. Não, não é coisa de meninos. Vi e ouvi em e sobre empresas que tratavam de somas e negócios de gente grande. Coisa de bilhões por ano. Vinte anos depois, onde estão aquelas pessoas? De que valeram aquelas conspirações todas? Um adoeceu, outro enviuvou, aqueloutro perdeu tudo e os demais estão sobrevivendo. Os confrontos? Talvez estejam limitados às esteiras, as corridas, aos exames laboratoriais de rotina e aos cartões de crédito. As conspirações, se de fato houve, viraram nada.

3- João, que era pobre, comprou feijão para comer, mas resolveu plantá-lo pensando no amanhã. O pé cresceu e João foi às nuvens onde encontrou o gigante e a galinha dos ovos de ouro. Conseguiu livrar-se do gigante com muita dificuldade graças à habilidade da mãe no machado. Os ovos da galinha trouxeram-lhe o conforto, o luxo, o amor, a inveja e a desgraça. Nessa ordem. João não poupava porque a galinha não envelhecia e ele sabia que era para a vida toda aquela riqueza em ouro. O luxo que sucedeu ao conforto lhe trouxe o amor de uma parente distante que veio pedir ajuda e  por quem ele se encantou. Casou-se rapidamente e ela passou a exigir mais luxo, para desespero da mãe, boa de machado e agora sogra. As filas de pedintes de favores e de proponentes de sociedade era diárias e intermináveis. A mulher, e nora, começou a querer cobrar ingresso para que falassem com João. A mãe, e agora sogra, encheu-se rapidamente e um dia achou que ela estava se engraçando com um rico comerciante de peles. Falou com João e ele disse para a mãe esquecer aquilo. Um dia, num ataque de fúria, a mãe, e sogra, que envelhecia e tinha ciúme da mulher, que era sua nora, acertou o pescoço da galinha com o machado e a serviu ensopada no jantar. Três anos depois João estava pobre, a mãe morrendo no leito e a mulher desolada porque o rico comerciante, que tanto prometera, deixou-a  sozinha depois de cavalgá-la por quatro vezes em suas tendas do comércio. Dez anos depois, a luta com o gigante, o poder, as disputas e as conquistas daqueles personagens estavam esquecidas. Mas não acabou em nada. Virou conto de fadas. Como sempre, sem contar o que aconteceu depois que João ficou de posse da galinha, quando o poder e o confronto viraram coisa nenhuma, nada.

 



Escrito por José Ruy Veloso Campos às 19h52
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J LO, QUEM NÃO GOSTA?

                                                                                                        del Castillo

                   

Eu gosto da J Lo. Não me perguntem por que. Ela é sensual. Sua face latina e o corpo de dançarina com derriè acentuado fazem dela um sucesso latino em terra de WASPs.  Já a vi em filmes, os mais diferentes. Uma mulher fatal na cidadezinha do interior que deixa Sean Penn abilolado; uma latina roliça no barco fatal atacado pela Anaconda; uma professora de dança de salão que dá lições de vida a Richard Gere; uma camareira romântica no Waldorf Astoria que se envolve com Ralph Fiennes; uma psicóloga que entra na mente e nos desejos de um sentenciado no melhor estilo Matrix; uma dona de casa que apanha do marido e resolve se vingar com luta marcial; uma imigrante que se apaixona por um médico e tem que enfrentar a sogra Jane Fonda, e muito outros.  Jennifer Lopes é também cantora Pop e acabou de gravar um CD em espanhol, intitulado “Como ama uma mujer”. Como cantora ela é, nos EUA, pouco mais do que a Vanessa Camargo aqui no Brasil, só que com muito, mas muito mais dinheiro mesmo. Ela nasceu em NYC, filha de porto-riquenhos, naquela linha do West Side Story. Teve vários romances e adora se casar. O mais atribulado deles, os romances, foi com o galã Ben Affleck, de quem largou às vésperas do casamento. Tem uma escultura sua em cera no museu de cera de Londres cujo bubum, se tocado, deixa a face da réplica vermelha. J Lo é inteligente e está investindo pra valer no público latino. Seu mais recente trabalho cinematográfico trás seu nome duas vezes nos créditos: como atriz principal e como produtora. Trata-se do filme Bordertown (Cidade do Silêncio) que conta ainda com duas figuras bastante conhecidas dos brasileiros: Antonio Banderas e Sonia Braga. O filme conta a história real de uma cidade ao Norte do México, quase divisa com os EUA que recebeu, por conta da ALCA, algumas fábricas de televisores e computadores que são operadas por camponeses mexicanos, na sua maioria mulheres, que moram em favelas e ganham por volta de 150 dólares por mês, diferente dos estadunidenses que ganhavam mais de 1800 dólares pelo mesmo serviço mais os benefícios a que obriga a legislação do Tio Sam. É uma denúncia sobre um problema social e de casos escabrosos de estupros e mortes de mulheres à saída das fábricas, com a cumplicidade (de novo) da polícia mexicana que defende os interesses das indústrias. J Lo faz a jornalista de Chicago que vai cobrir o caso dos desaparecimentos. Banderas é o jornalista correto da comunidade e Sonia Braga uma mexicana rica, mas consciente dos problemas sociais. Vale a pena ver o trabalho de Kate dell Castillo como a operária vítima da bandidagem. E mais não falo. O que é importante nisso tudo? Muita coisa. É um prato cheio para aquela esquerda chata que combate a ALCA e que quer o Chaves mandando no Mercosul. Depois, como muita justiça, a atriz e cantora Jennifer Lopez recebeu o prêmio da Anistia Internacional por ter produzido e atuado no filme. O prêmio, chamado "Artistas pela Anistia", foi entregue pelo Primeiro Ministro de Timor Leste, Jose Ramos-Horta. Eu gosto da J Lo. Agora um pouco mais.

       



Escrito por José Ruy Veloso Campos às 14h29
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TRISTEZAS

                                  

TRISTEZAS

 

Bush, Lula e Chaves são pragas da mesma espécie com variações de formato e comportamento. Os três são autoritários, querem ficar no poder até morrer, favorecem apenas os amigos, se pudessem acabariam com a imprensa e com seus críticos, espionariam deus e o mundo e fariam a humanidade mais fria e iletrada. São uns ogros servindo a oportunistas e acabando com as nações que dirigem.

Não há prova mais concreta do que aquelas que envolvem o descaso deles com o concreto de rodovias, pontes e aeroportos. São todos iguais. Na Venezuela o grande viaduto que ligava o litoral, onde fica o aeroporto que serve Caracas, a capital, quase veio abaixo por pura falta de manutenção. Imaginem o resto, que não é caso de noticiário internacional. No Brasil não é preciso (nem é possível) enumerar todos os problemas com concreto e asfalto. Estradas que cruzam Minas Gerais ou que levam ao Paraná têm viadutos danificados e já causaram desastres e mortes de arrepiar. Não vamos falar das pistas dos aeroportos, da segurança no controle do espaço (e tráfego) aéreo. É o caos. Mas aqui é a América Latina, sem a ética protestante de que fala Weber. E na terra do Tio Sam? Como isso pode acontecer? O Bush não gasta milhões no Iraque e mantendo bases mundo afora? Não gastam investindo na Coréia do Norte e em países europeus com nomes impronunciáveis? E como podem os estadunidenses trabalhadores e contribuintes ficar à mercê do tempo como foi o caso das vítimas do Katrina cujo socorro Bush levou três dias para iniciar? (o Lula levou três dias também para falar sobre o acidente com o avião em Congonhas) Com tanto dinheiro, como os EUA podem deixar em ruínas suas pontes e estradas? Como pode o governo Bush permitir um desemprego desenfreado beneficiando as empresas estadunidenses que foram se instalar no México pagando salário de fome para os camponeses abaixo do Rio Grande? Que humilhação para o finado e republicano John Wayne essa da ponte cair sobre o rio Mississipi matando contribuintes inocentes! Isso para não falar da possibilidade de astronautas da NASA terem embarcado bêbados na nave espacial. Cadê o primeiro mundo, Santo Deus?

Não há primeiro mundo quando gente como Bush, Lula e Chaves ganham o poder. Aqueles que os colocaram lá em cima não sabem o que é valor humano e não pensam no amanhã. Querem apenas o lucro (profit, ganancia) fácil e imediato. O povo que se dane. Eles são banqueiros e industriais. Lá e cá. Nem todos, é claro, mas alguns muito poderosos e que fazem a diferença, para o mal.

Lula, Bush e Chaves: que o inferno consuma suas almas causando-lhes muita dor e sofrimento. 

 



Escrito por José Ruy Veloso Campos às 13h31
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