O SEXTO SENTIDO
CURIOSIDADES DA DISNEY WAR: Quando chegou às mãos de David Vogel, presidente do Buena Vista Montion Pictures Group (1998/1999) aquele roteiro sobre um psicólogo que tratava com muita dedicação do problema de um menino que dizia ver e falar com pessoas mortas, o Vogel ficou maravilhado. O final era absolutamente imprevisível e a produção de custo baixíssimo. David Vogel negociou o roteiro que já tinha uma oferta da New Line de dois milhões de dólares com a direção de M. Night Shyamalan. O roteiro foi negociado com a Buena Vista com a condição de que o custo não passasse de 14 milhões de dólares, um baixíssimo orçamento para Hollywood. Por força contratual, tiveram que enviar o roteiro para o empresário de Bruce Willis, então com um cachê muito alto para aquela produção barata e sem muita expressão, ainda que o final fosse bom. Para surpresa, e desespero, de alguns, o velho Bruce queria fazer o filme. Isso aumentava o custo da produção e poderia elevar o filme à categoria de “fenômeno”. Depois de muitas negociações acertaram a produção com Willis para o verão de 1998. Por não acreditar em Vogel a companhia acabou negociando os direitos nacionais e internacionais de O sexto sentido e tudo o que a Disney ganharia seria uma taxa de distribuição. Um negócio típico para filmes duvidosos ainda em produção. David Vogel perdeu o emprego antes do lançamento do filme. O sexto sentido teve um custo final de 34 milhões de dólares, inflacionado pela presença de Willis (que queria outros papéis que não aquele de matar pessoas), foi um fenômeno indicado para seis Oscars e arrecadou, só nos EUA, 300 milhões de dólares. Vogel sorriu vingativo quando viu o sucesso do filme, sabendo que a Disney iría levar só uma taxa de 12,5%. O establishment da Disney ganhava muito, mas nem sempre tinha o mesmo faro de seus subordinados...
Escrito por José Ruy Veloso Campos às 18h58
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EISNER E GIANNETTI
LEITURAS DE VERÃO: O que pode ter o texto de Eduardo Giannetti intitulado O Valor do amanhã (Cia das Letras, 2005) com o Disney War, do jornalista James B. Stewart (Ediouro, 2006) sobre o qual já falei várias vezes aqui no Blog? Tem bastante. Giannetti trata dos juros em perspectivas onde jamais pensamos encontrá-los e a principal delas é o próprio corpo humano. Ele mostra a importância da decisão do “viver tudo agora” e o “acumular para o amanhã”. É uma visão sobre cumulação? Sim, mas não somente de riquezas materiais como o dinheiro e bens. É saber de como o ser humano vive e investe no “valor do amanhã”, ou seja, bebo, fumo, como abusadamente ou me drogo hoje, não sei por quanto tempo viverei. Vale também para o dinheiro. Gasto hoje sem remorsos e não me importo com a velhice. Não sei se vou viver mesmo! Ele nos faz refletir sobre o imponderável que é a duração da vida humana e o terror que temos da morte: como fica tudo o que construímos (família) e amealhamos (bens) diante desse porvir inescapável? Numa frase de François Rochefoucauld, ele traduz os medos do homem: “Nem o sol nem a morte podem ser olhados fixamente”. E o que tem isso com o Disney War? É possível observar as muitas faces do comportamento no mundo dos executivos. Lutam paras viver aquele seu momento como se fosse o último e que nada mais tivesse importância no mundo do que aquele seu universo de trabalho. Workaholicks, os altos executivos da Disney, uma das grandes corporações de entretenimento estadunidenses, tinham , segundo o relato do autor, comportamentos absolutamente pueris nas relações inter pessoais e o CEO Michael Eisner submeteu a grandes constrangimentos alguns de seus mais íntimos auxiliares por pura inveja e mesquinhez, colocando em risco decisões empresariais em razão de suas picuinhas. É assim no mundo todo, em qualquer nível. E o amanhã? Quanto de nosso tempo é dedicado ao amanhã, seja na saúde, na cumulação e nos relacionamentos?
Bem, são duas leituras que valem a pena, com os temas se cruzando ou não. Experimente.
Escrito por José Ruy Veloso Campos às 15h59
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ZÉ MAURO E PAULO COELHO
ZÉ MAURO DE VASCONCELOS E PAULO COELHO: Minhas leituras de verão foram instigantes. Dois livros que não se relacionam pelos títulos, quando lidos ao mesmo tempo e num determinado momento das pessoas, dizem bastante. Bobagem, todo livro diz algo. Foi assim com o Zé Mauro de Vasconcelos, que os nascidos depois de 1975 não conheceram e é hoje com o Paulo Coelho. A intelectualidade descia o pau no Zé Mauro porque ele fazia sucesso. Ele falava do canto da canoa lá no Xingu: xengo, delengo-dengo. E a professorada caia de pau nele. Morreu pobre, porque naquele tempo (como hoje) livros não enriqueciam as pessoas. Já o Paulo Coelho escreveu em outros tempos e iniciou com temas que diziam de perto para muitos que subiram o Matchu-Pitchu em busca de seu horizonte. Tudo misturado com o Maluco Beleza e o Pink Floyd. Muito cogumelo e “só cara...” Mas a diferença entre Zé Mauro e P Coelho é que o mundo livreiro dos anos 1990 paga mais e muito mais. O Zé Mauro tinha textos melhor acabados. Mas e daí? Não foram eles que li no verão. Sobre minhas leituras falo acima.
Escrito por José Ruy Veloso Campos às 15h58
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