OKLAHOMA & MST
SEM TERRA E COM GUERRA: Um dia, no ano de 1995 eu conversava com um amigo sobre as questões políticas do momento. Não sei porque, comentei sobre matéria publicada pela News Week sobre o MST e o fato de que eles estavam organizando um movimento que nada tinha a ver com a reforma agrária e que cujo objetivo era a tomada do poder junto com outras forças sul-americanas, na perspectiva de instalar nos países ao sul do continente, a velha ditadura do proletariado campesino. Não se falava ainda do Chaves como hoje, mas lá estavam as FARC dando palestras em escolas públicas no RS e, dizia-se, tinham um escritório em Ribeirão Preto.Os cocaleros na Bolívia eram ainda muito fracos. O amigo comentou que o Stédile tinha que sair de circulação (por bem ou por mal) porque representava um perigo maior do que aquela gente que, nos EUA, explodiu o prédio em Oklahoma. Lá eles eram um grupo menor com motivações racistas e de protesto pelas pressões econômicas. Já o Stédile trabalhava com mobilização de pessoas das periferias, não necessariamente ligadas ao trabalho rural e visava apenas afrontar o regime sublevando turbas sem informação com o único objetivo de destruir a democracia no continente. Bem, dez anos depois estão juntos os Cocaleros da Bolívia, as FARC, os Piqueteros da Argentina e as milícias do Chaves. No Brasil, o MST deita e rola e a TV dá prestígio para o Stédile dizer que vandalismo, assalto a caminhões e outros crimes praticados pelo seu movimento são “necessários” para chamar a atenção do governo. E o governo é deles. O que farão então contra um suposto governo do Alckmin? É triste, mas meu amigo tinha razão. O lugar do Stédile e seus sequazes é numa prisão de segurança máxima. As ações desses movimentos têm que ser reprimidas conforme a lei, com energia e enquadramento de seus participantes. Os políticos acham que não se deve ir “contra os pobres” e ficam calados. O MST e seus fora da lei não são os pobres. Os pobres estão ai, buscando trabalho. Essa gente busca dinheiro fácil do Estado e seus líderes nunca trabalharam. Vivem de movimentar essa ilusão que hoje, está se tornando uma realidade. É um triste caminho de fortalecimento para a extrema direita, se é que ela ainda existe em tempos d´agora.
Escrito por José Ruy Veloso Campos às 12h54
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TURISMO CHAPA BRANCA
OS CURSOS DE TURISMO E O MERCADO: Dia desses, durante um treinamento sobre cursos de qualificação profissional, eu conversava com duas bacharéis em turismo daquelas que defendem a regulamentação da profissão. Eu perguntava qual a vantagem, em termos de mercado de trabalho, de pertencer a uma profissão regulamentada. Elas respondiam que poderiam exigir que algumas posições no setor público fossem ocupadas pelos bacharéis em turismo, que agora eles chamam de turismólogo. Sem me ater às questões óbvias sobre o tema, eu perguntava quantos cargos elas achavam que poderiam ser preenchidos, em cada prefeitura, no estado de São Paulo. Não tinham idéia, mas, diziam, pelo menos uns dois por prefeitura. E qual o impacto disso para o exército de egressos que temos aí no mercado? Perguntei. Ah, mas já seria alguma coisa, respondeu uma delas. A outra trouxe como exemplo a profissão de corretor de imóveis que, depois de regulamentada, só permitiu exercer os que estavam credenciados. E quais as áreas que o bacharel pode querer garantir para ele como reserva de mercado? Muitas, diziam elas, mas, sobretudo no planejamento. Argumentei que muitos economistas e engenheiros são ainda hoje bons planejadores em turismo. Mas cabe aos egressos dos cursos de turismo esse tipo de trabalho. Então argumentei que os administradores, que estão numa profissão regulamentada com autarquias, Conselhos e tudo o mais, não têm reserva de mercado, a não ser para dar aulas nos cursos de administração, porque o CFA teve cacife para propor isso ao MEC, como nas demais áreas onde se exige a tal da “aderência”, traduzida na graduação do docente, preferencialmente, na área na qual vai ensinar. O que faz sentido. Mas e no resto do mercado? Quem pode exigir ao dono de uma empresa que ele contrate um administrador para gerir os seus negócios? E não é uma profissão regulamentada? Uma terceira arriscou: se não ajuda, atrapalhar é que não vai. Dias depois desse episódio, meu amigo Luiz Trigo me disse que ia participar do evento da ABBTUR onde discutiriam a questão do reconhecimento da profissão de turismólogo. Perguntei o que significava isso. Ele disse que seria uma profissão reconhecida pelo Estado e talvez um caminho para a regulamentação. Perguntei: até tu Trigo? Ele me garantiu que continua contra esse negócio de regulamentação. De minha parte o que posso dizer aos ex-estudantes com os quais às vezes cruzo na WEB, nos Shopping ou nos eventos é que procurem fazer uma especialização nas áreas de finanças, terceiro setor, marketing ou canto orfeônico. No mercado de turismo, fica quem de fato gosta disso e entra com vontade acreditando que um dia vai ganhar bem. Com vontade e espírito empreendedor ele/ela conseguirá. Quem quer garantia de emprego público deveria ter entrado nos 75 mil cargos que o PT loteou no governo e estatais. Ainda há tempo...
Escrito por José Ruy Veloso Campos às 21h21
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ZÉ MUCHAQUE
O TEATRO DO ZÉ MUCHAQUE: Avisou-me o amigo Napoleão que, avisou-o o fotógrafo Gutierrez, casado com uma prima do Zé Muchaque, que ele, o Zé Muchaque, partiu na nave que o Napoleão chamava, lá pelos anos 1960, em Araçatuba, de “Apolo Cardassi”. O Zé Muchaque morreu. E quem foi ele? Um amigo nas artes. José Alberto Muchaque trabalhava na rádio Difusora de Araçatuba, era um leitor de peças teatrais e acompanhava o movimento teatral naqueles tempos bicudos da ditadura militar. Foi na rádio que o conheci, através de seu gerente, o Pedro Croti. Um dia ele me deu um texto pesado chamado “A mão do macaco”, uma história “extraordinária” lá dos tempos da Tudor House, cujo autor não me lembro agora. Tentamos montá-la, mas não tivemos retorno dos amadores que queríamos para o espetáculo (ele queria as irmãs Ricco, conhecidas costureiras e carnavalescas na cidade) Depois disso ele foi incluído no elenco de “Os fuzis da senhora Carrar” de Bertold Brecht, dirigida pelo Sidney de Miguel (depois exilado, deputado pelo PV e hoje militante do PV) para um Festival Estadual de Teatro Amador. À mesma época, eu dirigi e interpretei “Toda donzela tem um pai que é uma fera” do Gláucio Gil. E depois disso, em 1968, fizemos um giro pelo estado de São Paulo com o espetáculo “A história do Zoológico”, de Edward Albee, que tínhamos visto ali no teatro da Galeria Metrópole (não tínhamos ainda o Shopping Iguatemi) com Fúlvio Stefanini e Raul Cortez. Perdemos dinheiro, conhecemos um monte de gente, ouvimos digressões as mais estapafúrdias e nos divertimos viajando numa Kombi e tendo como cenário um banco de jardim, um cesto de lixo daqueles de arame trançado, um pano preto de fundo e seis spots da Fontamac. Depois disso, ele entrou para equipes de produção. Esteve no “Cemitério de Automóveis”, em “O Balcão” e depois se casou com uma atriz já bem mais velha do que ele. Mas lembro-me também de seus momentos de paixão por uma jovem que morava na rua Aquidabam e era a “favorita reservada” de um delegado de polícia. Todas as tardes, ou quase todas, o Muchaque estava lá, batendo o ponto e saindo rápido. Ganhou muitos presentes com o dinheiro do delegado. Ríamos muito. Como ator, Muchaque tinha dois aspectos diferenciados: o tom de voz incansável e os gestos com as mãos grandes. Era um ator forte e um amigo nas artes. Com certeza faz teatro nas nuvens. Curta aí amigo Muchaque!
Escrito por José Ruy Veloso Campos às 20h02
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A JARDINEIRA E O A350-900
A ARTE (DE ESCREVER) DA POLÍTICA: A sensação é mais para aquela de viajar numa velha jardineira, andando em estradas de terra lá na longínqua Araçatuba dos anos 1950 e depois, voar numa poltrona executiva de um A350-900 da TAM, rumo ao primeiro mundo ou a um simples período de férias. O que vem a ser isso? Explico: é ver na TV o atual presidente da República dizendo um monte de inverdades ou fantasias de sua mente petista (a velha jardineira) e depois começar a ler “A arte da política, a história que vivi” do sociólogo Fernando Henrique Cardoso. Só não quero ser injusto com a jardineira. Ela representava o progresso naqueles tempos. O que não é o caso do atual presidente e seus sequazes. FHC já começa numa linguagem agradável nos agradecimentos e na introdução. É didático na explicação dos capítulos e sugere até mesmo que se pode pular um deles sem perder o fio da narrativa. Não perde o toque acadêmico. Os rodapés estão ali remetendo-nos a Bobbio, Montesquieu, Platão, Maquiavel. Ou seja, o leitor conhece sua história (já começa falando de seu desapego por cargos políticos e de sua falada vaidade) e vai aprendendo de filosofia e sociologia. FHC pode ser vaidoso e ter muitos defeitos (que não conheço), mas ouvir uma exposição sua e ler seus textos é algo que dá prazer. Coisa difícil nos dias atuais, em se tratando de políticos...
Escrito por José Ruy Veloso Campos às 21h32
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