CAPACIDADE COGNITIVA
CAPACIDADE COGNITIVA: Depois de tanto desprazer com esse episódio da Bolívia (que não é deles, é nosso. E triste) volto-me para uma outra questão importante. É que li num caderno desses de informática, assim, an passant, que as crianças de hoje, já com quatro anos, estão mais ligadas no computador do que em qualquer outro tipo de atividade. Preocupante. Mas, como todas as outras da idade delas, nunca se atêm a uma só atividade por muito tempo. Vai daí, passam do computador para a TV, para o caderno e, ôoops, para o livro. Ah, bom. Mas acredite, é assim mesmo. É impressionante como as gerações nascidas nos anos 1990 são capazes de conduzir três ações ao mesmo tempo, com um percentual significativo de absorção dos conteúdos estudados, por exemplo. Enquanto, nos anos 1980, defendíamos a concentração a custa de algum silêncio, nos tempos d´agora, os pré-adolescentes são capazes de captar tudo num só tempo. Muito mudou desde então. São novos códigos, rápidos e voláteis. A gíria de hoje não é mais válida na semana vindoura. Esqueça isso. O livro não tem espaço se a escola e a família não desenvolverem um hercúleo esforço. Os jogos On Line, pela Internet falam mais alto, mais rápido e criam um mundo especial. As conversas são no nível real com um fone intercomunicador como se fossem astronautas. São apenas internautas. Bem, o idioma e a escrita são mesmo coisas vivas, dinâmicas. Assim, estabeleceram uma nova linguagem que é específica, peculiar da Web. Não há por que assustar. A escrita formal permanece e as escolas assim a exigem. Estamos salvos. Impressiona, todavia essa capacidade cognitiva no meio de tanta informação ao mesmo tempo. Como pode ser isso? Perguntariam estudiosos dos anos 1960. É preciso concentração. Também acho. Mas a velocidade da informação (e do raciocínio) é abissal, comparando-se 2006 com 1966. Hoje eles são capazes de jogar esses jogos eletrônicos e conversar ao mesmo tempo. Com mais de vinte e um anos, dificilmente alguém acompanha aquele movimento de dedos e olhos combinando teclado, joystick e tela. Só os nascidos nos anos 1990.
E os livros? Esse é o grande desafio. Harry Porter, O Senhor dos Anéis e outras literaturas que deveriam os interessar de perto, acabam transformadas em jogos e tudo se reduz a uma grande corrida de obstáculos. É uma forma de mutação, estou quase seguro. Como podem fazer a lição rápida e corretamente com três tipos de sons ao mesmo tempo? Uma mutação cognitiva, quem sabe. E um grande desafio para aqueles nomes e teorias que me desafiaram nos anos 1970: Robert Gagné, Robert Mager, B S Bloom e sua taxonomia dos objetivos cognitivos e toda aquela conversa dos behavioristas que (acho) ignoravam McLuhan. Como será que os estudiosos estão vendo e analisando isso nos dias de hoje? É instigante e preocupante...
Escrito por José Ruy Veloso Campos às 21h13
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