CRIME E POLÍTICA II
(CONTINUAÇÃO)Continuam enganados. É só listar as evidências que governos e imprensa não levaram a sério e vamos entender que todo esse movimento atribuído a uma organização criminosa, é apenas a ponta do iceberg. Vamos lá:
- Os EUA já fizeram várias menções aos movimentos de terroristas internacionais na tríplice fronteira, via Foz do Iguaçu. Nossas autoridades não acreditam.
- Jornais noticiaram em 2001 que militantes das FARC estavam dando palestras nas escolas em Osasco, Porto Alegre e Ribeirão Preto, onde teriam até mesmo uma sala.
- Jornais falaram timidamente de duas fazendas, uma no Piauí e outra no Ceará, onde o MST estaria recebendo treinamento militar ministrado por gente das FARC e das milícias do Chaves, da Venezuela. Nenhum jornal ou autoridade foi investigar a fundo.
- O MST tem, abertamente, escolas mantidas com dinheiro público, que pregam a derrubada do regime democrático no Brasil e propõem a implantação de uma ditadura campesina.
- O MST invade, quebra, aprisiona, bate nas pessoas, achaca proprietários e mantêm autoridades em cativeiro. A reação do Estado? Nenhuma.
- O senhor Stédile nunca escondeu as relações do MST com os Cocaleros (Bolívia) Piqueteros (Argentina), Bolivaristas (Venezuela) e FARC (Colômbia). O episódio recente da Bolívia é só outra ponta de iceberg.
- A logística bem orquestrada das últimas invasões do MST, na calada da noite, com ônibus, mulheres e crianças (são escudos contra eventuais reações dos proprietários) às fazendas e centros de pesquisa mostram uma organização meticulosa e com recursos financeiros.
- A precisão dos ataques dos criminosos organizados e até com siglas, que a imprensa valoriza de forma pueril (bandido adora se ver nos jornais, como as socialites nas colunas sociais) teve o mesmo formato.
- Criminalistas e pessoas do atual governo tramam para mudar a lei abrandando penas e regimes prisionais para os chamados crimes hediondos. Isso vai favorecer o chamado “crime organizado”, entre eles os bandidos a serviço das FARC/PT/MST, que seqüestraram o Washigton Oliveto. Os que seqüestraram o Abílio Diniz, do mesmo bando, foram soltos. Lembram-se?
- A articulação entre essas organizações criminosas é oportuna, sobretudo contra os cidadãos do Estado de São Paulo, que foi comandando nos últimos 12 anos pelo PSDB e que gerou o adversário de Lula cuja aceitação é ainda pífia, mas que, segundo analistas de marketing, ainda pode crescer, diferentemente de Lula, que só pode baixar. Pelo sim pelo não, os movimentos pró-Lula estão nas ruas, apoiando a violência.
Então, se essas ações, como aquelas de invadir propriedades, quebrar pedágios, queimar tratores, ônibus, bancos e supermercados, não for terrorismo, o que é isso tudo então? Se o senhor Stédile pode falar abertamente na TV que esse quebra-quebra é positivo e se o Chaves vem intermediar um assunto que não é dele, e se deputados e senadores petistas vão à porta da prisão pedir a liberdade dos seqüestradores do Abílio Diniz e todo mundo acha que é normal, porque estranhar agora essa guerrilha? Ela foi, de há muito anunciada. Só não viu quem não quis.
Escrito por José Ruy Veloso Campos às 16h48
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CRIME E POLÍTICA I
O CRIME E A POLÍTICA: Não é novidade, no Brasil, que a sociedade subestime ações beligerantes, sobretudo quando elas podem vir dos civis. Foi assim até mesmo no começo da ditadura militar nos anos 1960. Muita gente não acreditava que “os meninos, estudantes” pudessem pegar em armas. E eles pegaram. Foi tudo muito amador, utópico e na raça. Na época, o que faltou mesmo foi adesão da população. A economia ia bem, havia empregos e ninguém sabia o que era inflação. Vai daí, a grande massa não entrava naquela de derrubar o regime. Mas os guerrilheiros de então deram trabalho. O fato é que a beligerância, como acreditam muitos intelectuais, não é parte de nossa cultura. De fato não é. Pelo menos para quem procura trabalhar conforme as leis do mercado. Já para aqueles que vivem de saquear o Estado ou para aqueles que vivem da rapinagem e do latrocínio, trabalhar com o uso das armas nunca foi problema. O que acontece então, para que estejamos sofrendo essa violência tamanha? Falarei aqui de três vertentes. A primeira delas é o fato de que, com o fim da ditadura e a volta da democracia, os governantes manifestaram uma verdadeira ojeriza pela questão da segurança. Isso se explica porque os militares usavam a palavra “segurança” para, em nome dela, reprimir qualquer movimento contra aquele status quo. Os novos governantes viam então a polícia como um cancro. Um foco de infecção do antigo regime, à época ainda com rebarbas dentro dos corredores que levavam aos antigos “porões da ditadura”.Com tal visão, deixaram de investir em segurança. As polícias ficaram sem recursos tecnológicos, sem uma preocupação de acertar os planos de carreira e, pior, sem unificar Polícia Militar e Polícia Civil. Elas não se entendem e os militares não querem abrir mão de seus feudos e regalias. O grosso da tropa até que apoiou o projeto da deputada Zulaê Cobra, que unifica as polícias. Polícia ganha carros a cada dois anos. E é só. Tecnologia que é bom nada. Nem integração para ver as fichas dos presos e procurados não existe. Fala-se em um sistema para checar as placas de carros há mais de três anos. E nada sai do lugar. Os recursos para a investigação criminal são moderníssimos mundo afora. Aqui não chegaram. E os salários são vergonhosos. Além disso, muitos dos governos pós-ditadura apoiaram incondicionalmente os movimentos que tratam dos “direitos humanos” e sua ação dentro dos presídios foi perniciosa. Favoreceu a organização (com desenho sindicalista e partidário) dos criminosos, vendeu discursos, permitiu as tais da “visitas íntimas” e outras regalias que geraram mais focos de corrupção e possibilidades de acertos e fugas. Em contrapartida, a polícia se viu acuada na questão dos “direitos humanos” e passou ela, a instituição policial, a ser perseguida pelos movimentos e organizações não governamentais, quase sempre com apoio de setores dos governos. Não que as polícias sejam santas. A questão é a credibilidade dessas instituições. Esses movimentos trabalharam contra a polícia na ilusão de que recuperariam os presos. A segunda questão é curta. No tempo da ditadura, muitos presos políticos, cheios de ideologia e fantasia na cabeça, conviveram nas celas com os criminosos comuns. Num delírio sobre futuros movimentos de massa, eles foram ensinando os criminosos a se organizarem. Manoel Puig mostrou parte dessa convivência em “O beijo da mulher aranha”. E eles foram se organizando depois, com o apoio do pessoal dos “direitos humanos”. A terceira, última e mais importante, nesse momento: o Estado, a imprensa e parte da sociedade continuam ignorando os movimentos guerrilheiros e terroristas porque não acreditam que isso faça parte de nossa índole. (CONTINUA)
Escrito por José Ruy Veloso Campos às 16h46
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