Blog do J Ruy Veloso


BROWN, EUA E O ISLÃ

CÓDIGO DA VINCI VEROSSÍMEL: Muitos oportunistas escreveram ou republicaram textos que tratam do Santo Graal depois do sucesso do Dan Brown com o seu “Código Da Vinci”. Um aspecto da trama da história do livro, no entanto, é interessante e pode merecer uma reflexão por parte daqueles mais céticos em relação aos temas religiosos. Trata-se da forma com que, supostamente, o imperador Constantino, de Roma, conduziu o Concílio de Nicéia, trazendo para o poder do Império Romano o domínio do cristianismo. De acordo com o livro, naquele ano de 325, Constantino conseguiu juntar datas e festas da cultura romana com as ainda fracas tradições dos seguidores do cristianismo. Assim, por exemplo, estabeleceu-se como data do nascimento de Cristo, até então indefinida, o final de dezembro, quando se festejava o rei sol, na cultura de Roma. O imperador romano teria selecionado os textos bíblicos que enfatizavam aspectos divinos da existência de Cristo em detrimento dos que falavam do homem, ser humano. Nessa mesma perspectiva, fez desaparecer da história a presença de Maria Madalena, que teria sido companheira de Jesus Cristo e lhe dado filhos. A igreja romana se encarregou depois de fazer desaparecer a imagem da mulher da história de Cristo e de sua própria história. E Roma, que um dia jogou aos leões os seguidores daquele pregador, profeta ou revolucionário, como queriam alguns, tomou conta de tudo e passou a chamar a sede do cristianismo de Igreja Católica Apostólica Romana. E continuaram no poder. Se trouxermos para o século 21 essa mesma situação, pode ser que aceitemos a teoria do Sto. Graal do Dan Brown sem maiores problemas. Imaginem os Estados Unidos já cansados de brigar com os muçulmanos radicais e com sua economia correndo perigos diante de ataques terroristas e insegurança para investimentos. De repente, é eleito presidente da nação mais poderosa, um negro muçulmano (convertido) e que propõe aos grandes conglomerados do país tentar uma parceria com o Islã buscando sanar os problemas e seus riscos. Uma década depois os EUA consegue transformar o islamismo como uma carta magna para questões éticas do comportamento humano dos estadunidenses, sem interferir, todavia nas questões econômicas. O Islã abre mão de pressões sobre a modernidade e o capital abre mão de comportamentos mais, digamos, radicais. É mantida a liberdade de religiões, desde que não se critique o islamismo, e começa um processo de revisão do Alcorão e suas interfaces com a Bíblia e a Tora. Uma grande ação ecumênica em prol do capital e do consumo. Turbantes, véus e burcas vão parar no Macy´s e em lojas de grife. Os radicais do Islã são contidos, cultural ou fisicamente em nome da propagação do seu credo. Eles entendem que vão engolir o cristianismo. E o mundo começa a rodar com um pouco mais de paz. Os conflitos acabam ficando entre os radicais e os renovadores. E os EUA começam a ser a capital do Islã. Dá um outro livro de sucesso?



Escrito por José Ruy Veloso Campos às 12h23
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DAN BROWN E A BÍBLIA

DAN BROWN, O BARULHO DESNECESSÁRIO: Li “O Código Da Vinci” em janeiro de 2004. Trata-se de um roteiro cinematográfico, sem pudor de sê-lo e sem gosto literário. É linear e sem graça. O tema, sem dúvida, chega a ser instigante, mas nada em profundidade. O autor trata da Opus Dei e de um suposto segredo da Igreja católica da mesma forma que muitos outros já trataram de supostos problemas da CIA, do Governo dos Estados Unidos ou da Rússia. Dan Brown, assim como Frederick Fortsyst, mostrou-se bom no negócio de roteiro. Sobre o tema de Madalena e da criação da Bíblia no Concílio de Nicéia, à época, falei com teólogos e estudiosos sobre a Igreja e todos foram enfáticos: a relação com os fatos históricos é pífia. Mas é um bom argumento, não há dúvida. A encrenca, no entanto, não está no argumento de Brown. Ela reside na bobagem de alguns religiosos em falar mal do livro e, em especial, agora, do filme. Vi o filme. É pior do que o livro em termos de provocar a curiosidade do espectador. Toda a teoria é passada numa única cena e o resto é correria, no velho estilo estadunidense de fazer filmes de ação. Mal se fala da Opus Dei. Não há tempo para isso. Virou uma trama rasa, pior que a linear do livro. O filme é chato e inverossímil por demais. Porque os religiosos se preocupam e falam mal dele? E depois, quem é Dan Brown, na ordem das coisas? Dia desses falava com um amigo evangélico, desses mais esclarecidos, e lhe perguntei se ele achava que esse romance fraco, mas com um bom tema, sem dúvida, poderia abalar um documento como a Bíblia, que tem mais de dois mil anos. Ele disse que não se deve duvidar da Bíblia. Compreendo. É uma questão de fé. Por isso mesmo, por ser tudo dogmático e questão de fé, não há porque se preocupar. Ou a Bíblia não é mais forte? A Opus Dei foi mais inteligente. Sua reação ficou limitada a um pequeno protesto na Internet em 2004, no auge do livro no mundo. Depois ficou na dela. Barulho para que? Para dar prestígio ao autor? Sobre o filme vale dizer que não tiveram tempo de tratar do feminino na Igreja pós Nicéia. No livro o autor levanta a hipótese de que algumas construções de igrejas manifestavam o feminino, por exemplo, na forma vaginal de suas portas cujos umbrais representam grandes e pequenos lábios e que podem ser observadas em algumas catedrais. Uma outra bobagem provavelmente, mas que, como diz o personagem principal da trama, a mente vê o que quer.



Escrito por José Ruy Veloso Campos às 23h33
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