COLANDO UMBERTO ECO
COLANDO UMBERTO ECO: Sem saber se posso, colei aqui matéria assinada por Umberto Eco, publicada na página da UOL. Trata-se de tema interessante que, acredito, mexe com aqueles que são anti-estadunidenses atávicos. Boa leitura!
Flash Gordon e a liberdade
UMBERTO ECO ILUSTRAÇÃO: ARTUR LOPES
Art Spiegelman [artista gráfico sueco, naturalizado americano] se tornou famoso com a sua formidável série de quadrinhos Maus, na qual demonstrou que, com o formato, pode-se abordar o Holocausto com a força de uma grande saga. Enfim, eu o considero um gênio. Estava em minha casa, tomando um aperitivo comigo, quando lhe mostrei minha coleção de quadrinhos do tempo do onça, alguns originais já desgastados e algumas boas cópias anastáticas, e ele se espantou ao ver as capas dos velhos álbuns de Mandrake, Fantasma e Flash Gordon.
Se pegarem na mão uma boa história dos quadrinhos elaborada nos Estados Unidos decerto encontrarão ali uma menção ao Fantasma e companheiros, mas – mesmo visitando a internet – vê-se que as grandes releituras se dão notadamente em torno do Super-Homem e da liga de heróis como o Homem Aranha, e por aquelas bandas se atualizam Batman em chave pós-moderna. Tentem procurar Tim e Tom (série que, aliás, no original se chama Tim Tyler’s Luck): encontrarão inúmeras menções ao péssimo filme ou telefilme (assim como tinha se feito uma penosíssima série de Flash Gordon, agora objeto de culto trash), mas de suas tirinhas originais se fala muito pouco. É que, contava-me Spiegelman, parece que Fantasma, Mandrake e companhia são mais populares na Itália do que na terra deles. Perguntava-me o porquê, e eu lhe dei minha explicação, que, aliás, é a de uma testemunha histórica que os viu nascer e chegar às inverossímeis e solecistas traduções italianas, quase logo em seguida a seu aparecimento americano.
Era que, comparados aos quadrinhos do regime fascista, Flash Gordon vinha revelar à garotada italiana que era possível lutar pela liberdade do planeta Mongo contra um acirrado e sanguinário autocrata como Ming, que o Fantasma lutava não contra os negros mas com eles, para domar aventureiros brancos, que existia uma África imensa por onde vagava a Patrulha para prender os traficantes de marfim, que havia heróis que andavam por aí não de camisa negra, mas de fraque e com aquilo que Storace chamava de “tubo de tecido” na cabeça e tantas outras coisas, para terminar com a revelação da liberdade de imprensa por meio das aventuras de Mickey Mouse jornalista. Pois é, naqueles anos obscuros as tirinhas americanas ensinaram- nos algo e marcaram nossa vida, mesmo a vida adulta. O ano de 1934 foi um grande ano para os quadrinhos. A primeira aventura de Flash Gordon apareceu em 1934, desenhada por Alex Raymond.
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| Marcello Mastroiani como Mandrake e capas de antigos álbuns de quadrinhos; heróis como ele e Flash Gordon fazem mais sucesso na Itália que nos Estados Unidos |
Duas semanas depois, do mesmo autor, o Agente Secreto X-9 (com texto de Dashiell Hammett!). Logo depois, sai na Itália L’avventuroso, com a primeira aventura de Gordon, exceto que o herói não é apresentado como jogador de pólo (excessivamente burguês), mas como comandante de polícia. Em junho daquele ano, entra em cena Mandrake, de Lee Falk e Phil Davis, e em agosto Li’l Abner, de Al Capp (na Itália chegaria somente no pós-guerra). Em setembro, Walt Disney marca a estréia do Pato Donald. Em outubro, lá está Terry and the pirates de Milton Caniff (que aqui na Itália estrearia timidamente nos anos seguintes). No mesmo ano, na França, nasce Le journal de Mickey, com as histórias de Mickey Mouse em francês. Digam-me se não foi um ano interessante para se sentir saudades.
Escrito por José Ruy Veloso Campos às 16h17
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ASNEIRAS
SACOLÃO DE ASNEIRAS: PRIMEIRA: Aquela gente ligada ao MST invadindo a Câmara não é surpresa para quem vem acompanhando o desenrolar do movimento terrorista sob o comando do Stédile e assessoria das FARC. Isso já vem do tempo de FHC que foi também leniente em relação ao assunto. Pelo menos serviu para duas coisas: 1- mostrar a “cara sofrida” dessa gente, como a daquela moça popozuda com tatuagem pouco acima das nádegas, quebrando com força e calma aparente, os terminais de informação no saguão da Câmara. Coitada. Sua expressão mostra um sofrimento atroz. 2- mostrar aos senhores deputados, que sempre votam a favor da impunidade para seus pares, qual é a sensação de impotência e medo por que passam proprietários rurais e seus prepostos quando essa camarilha terrorista invade suas terras, quebrando, tocando fogo em tudo, matando gado e fazendo sexo em suas camas. E o governo ri. E a polícia nada faz. E a nação fica perdida, no medo. E vai ser duro restaurar a ordem. Acreditem.
SEGUNDA: Dizer que o Lula vai superar Geraldo Alckmin em São Paulo é pura exploração do assunto. Paulistas, em especial os paulistanos, não querem mais saber de PT. Não que o Geraldo seja a solução definitiva para enfrentar a corrupção e os engodos petistas. Não é. Mas antes ele do que o Lula de novo. Esse é o raciocínio do povo. Portanto, não vão querer o PT nem no federal e muito menos no estadual. O paulistano sabe que ele falou pouco, mas aumentou o Metrô, canalizou o Tietê e o Pinheiros, demoliu o Carandiru, construiu um monte de penitenciárias e enfrentou, como pode, os petistas na Febem. E deixou o Estado com saldo. Vão querer quem? O Quércia? Para criar outro Banespa e quebrá-lo também? Querem ver o circo pegar fogo? Perguntem de onde veio a fortuna do Quércia. Bem, na eleição para o governo estadual, o Quércia vai entrar, a pedido do Lula, para tentar levar o Mercadante para o segundo turno. Já para presidente, o Lula não tem chance em São Paulo. Ou melhor, deve ter, na cabeça do pessoal da Folha de São Paulo. Fazer o que? Esperar a campanha pra valer. Eleição, dizia Tancredo Neves, só se ganha depois de apuradas as urnas. Antes é pura especulação.
TERCEIRA: Esse Beckham é um completo paspalho. Vive melhor da venda de sua imagem do que do pé na bola. Ontem ele deu uma entrevista para o jornal alemão “Die Welt” e explicou qual é a seleção de futebol de seus sonhos. Na sua escalação privilegiou um monte de amigos que não estão no ranking mundial. E no lugar de Pelé, mandou ver na figura do Maradona. O Beckham não é bom de bola como falam e muito menos bem informado. De simpático então, nunca teve nada.
Escrito por José Ruy Veloso Campos às 10h16
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