PSDB e TOCQUEVILLE
PSDB E TOCQUEVILLE: É uma grande decepção, depois de ler o livro de FHC, em especial o trecho que ele conta como aconteceram as negociações para a reeleição, ler agora nos jornais sobre os acordos que vêm sendo costurados entre os próceres daquele partido visando as candidaturas de Aécio e Serra em 2010. Soa, primeiro, como dividir os bens do doente ainda em vida. Depois, como um cínico casuísmo sobre o tema. Oh, tucanos de outrora esperançosa bandeira, por quem tomai seus simpatizantes? Viram que não foi possível “sangrar até a eleição” a escória petista e então, inacreditável, sangraram Alckmin. Letrados que são, os caciques poderiam voltar a ler Tocqueville e sua visão sobre a democracia americana. Verão o que o eleitor esperava de seus representantes lá no século 19 e, acredito, perceberão que o conceito não mudou. Só deve estar mais afinado e com um público mais exigente (espero). De quebra, poderão lembrar-se também do modelo prisional estadunidense que, à época, já foi modelo para a França. Outro modelo que pode inspirar os tucanos, vindo também dos EUA é a objetividade dos partidos, já existente ao tempo de Tocqueville. Hoje, as posições dos partidos do Tio Sam são ainda melhor definidas e assim o eleitor vota numa idéia, numa linha de ação, num credo republicano ou democrata. Assim Bush foi reeleito com guerra e tudo, valendo-se do 11/9. Aqui os Tucanos (e os outros também) têm medo de se posicionar e querem aumentar o share no eleitorado de Lula. Tudo besteira. Os professores das universidades públicas, que odeiam os EUA, acham que não precisamos pagar as contas e querem fechar com o Chaves, jamais votarão no Alckmin. Nem no Serra e muito menos no Aécio. A pobreza do cabresto nos sertões nordestinos vai atrás das cestas e de interesses do curral. E os mais esclarecidos que querem um Brasil melhor sem esse socialismo sindical corporativo aparelhador etc.? O que dizer para eles? Os tucanos têm que abrir o jogo e mostrar sua bandeira. Hoje eles não a têm. Então, finalizo com as sugestões para a bandeira:
- MST e congêneres vão para a ilegalidade e seus chefes para a cadeia
- Mudança urgente do código do Processo Penal. Acaba o limite de 30 anos para prisão. Vigora a prisão perpétua. Prisões privatizadas e trabalhos forçados.
- Municipalização da segurança pública.
- Privatização das rodovias federais.
- Definição de áreas essenciais do serviço público onde haverá estabilidade no emprego. Fim da estabilidade.
- Banco Central independente
- Legislação Eleitoral: Deputados federais e estaduais serão eleitos em eleições separadas do executivo. Juntar a eleição de prefeito à de governador e presidente. Voto distrital.
- Corte de impostos: automóveis, gasolina, alimentos industrializados e remédios.
- Lei que regulamenta aposentadorias em órgãos e escolas públicas.
- Manter reeleição.
- Investimento pesado na educação de base
- Fim das cotas nas universidades
Escrito por José Ruy Veloso Campos às 19h26
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REQUIEM DA VARIG
VARIG: UMA CRUELDADE CONTRA A SOCIEDADE: Porque os nossos governantes foram lenientes com a Varig? Desde os tempos do Sarney a Varig já estava com o pé no buraco. Aliás, sempre esteve. Foi mal gerida justamente por se sentir a dona do mundo nos tempos do regime militar. Ganhava sozinha, sem concorrência. Era cheia de diretorias, mordomias e obsequiosa com os donos do poder. Quebrou, é claro, como quebram todos os que têm esse tipo de comportamento. Hoje se fala no desemprego que sua quebra vai causar. E quando eles, da Varig, fizeram fechar a Panair do Brasil? Quantos foram para a rua na época? A fecharam a Panair por quê? Não, não podemos mais suportar tamanha injustiça. Que se fechem as portas dessa maldita companhia que nos sugou por tantos anos. Que o mercado seja o senhor da razão. Que não se gastem velas com a Varig. A companhia nunca teve gestão séria. Deixem o mundo para quem sabe trabalhar. Bem disse o saudoso Rolim Amaro: “Nada substitui o lucro”. A Varig não sabia disso.
Escrito por José Ruy Veloso Campos às 11h49
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UNIVERSITÁRIO PENSANTE
POLÍTICA NAS UNIVERSIDADES: Deu no NYT: personalidades do mundo acadêmico, artístico e político aproveitam o palco da Academia para colocarem suas posições políticas nessa temporada de formaturas nos Estados Unidos. No Malboro College, em Vermont a ativista Nan Aron, presidente da ONG Aliança para Justiça discursou para uma turma de 2006 denunciando o programa de escuta telefônica e outras manobras semelhantes do governo Bush. Aron falou abertamente sobre os prisioneiros de Guantánamo que os EUA não processam formalmente e nem comunicam às famílias sobre sua situação. No final Nan Aron disse que o comediante Jay Leno é que estava certo quando, à época em que os EUA tentavam desenhar uma constituição para o Iraque disse: “Dê-lhes a nossa. Ela foi escrita por muitos caras espertos há duzentos anos atrás. E nós não estamos fazendo uso dela mesmo...” Já o senador republicano John McCain, do Arizona, foi recebido com vaias e protestos na New School Graduation, onde era o equivalente a um paraninfo. Faixas levantadas pelos estudantes diziam “nossa formatura não é seu palanque”. A primeira oradora da turma, uma moça de 21 anos disse: “o senador não reflete os ideais dessa escola que estão presentes desde a sua fundação. O convite para a sua participação foi uma decisão superior e que não chegou ao corpo de representantes dos estudantes. É um insulto para uma ocasião tão honrosa”. No Boston College a vaiada foi a Secretária de Estado Condoleezza Rice´s. Já na University of Southern Califórnia, o prefeito de Los Angeles, Antonio Villaraigosa, lamentou a degradação do discurso civil e disse que isso envenena a política. Ou seja, participar é preciso. Por que trazer essas notícias do país do tio Sam? Simplesmente para reflexão sobre os dias de hoje nas nossas universidades. Quem reclama? Quem protesta? Quais as atividades que geram discursos mais engajados e preocupados, por exemplo, com a desbragada corrupção no Governo Federal, com a mal elaborada reforma universitária, com as bobagens de nossa política externa e por aí vai. Por que não temos universitários mais ativos? Porque, nas universidades públicas, em especial nas federais, o professorado está fechado com o PT ou, mesmo desiludido com ele, faz aquela pergunta dissimulada: eles não são bons, mas quem é? Porque nas universidades e faculdades particulares não há tempo para esse tipo de reflexão. Os estudantes não lêem jornais, não assistem aos noticiários de TV e não lêem nenhum livro, nem mesmo um romance barato. Vão se manifestar contra ou a favor do que, de quem? Nas particulares não há tempo para reflexão. Nas públicas não há vontade, de cima para baixo. E depois, os professores das federais dizem que o estadunidense é que é alienado.
Escrito por José Ruy Veloso Campos às 21h22
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