ESTADO ESPOLIADO
FAB A SERVIÇO DA VARIG: Está nos jornais. A FAB vai transportar os supostamente desavisados passageiros da Varig que estão na Alemanha com dificuldades para embarcar de volta. Tem gente do governo chamando isso de repatriação. Nada mais errado e, como sempre, o governo petista mistura o Estado com interesses privados. A Varig está quebrada há muito tempo. Se tem turista desinformado, não tem agência de turismo que não soubesse disso. De resto, a crise está nos jornais há mais de dois anos. Nos últimos meses então, não se fala em outra coisa, nas TVs, nos jornais etc. Ninguém viajou enganado. Repatriar pessoas que estão em país estrangeiro é uma ação de máxima emergência. Acontece quando há guerra ou calamidade em outro país. Foi o caso do Tsuname, das guerras de Angola, Moçambique, Haiti e outros dos quais não me lembro. Porque o contribuinte tem que pagar pelo turismo de quem quis ver a Copa de perto? Risco é risco. Mercado é isso. Nunca soube que os EUA socorreram os passageiros da falida PanAmerican. País nenhum faz isso. Já o PT, que mistura sempre os interesses públicos com o privado e utiliza o troco da compra em benefício próprio, fará isso. E espera ganhar mais votos para a reeleição de Lula. Esse é o bom neo-comunismo.
Escrito por José Ruy Veloso Campos às 15h57
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CRÔNICA PERDIDA 2
ARAÇATUBA, EUROPA E NYC 2
JAN/14/2006
(Continuação)
No interior da Itália, aquelas casas altas, sem varandas, pintadas em tom amarelado e com árvores coníferas ao lado me lembravam cenas de “La ragazza de Bubi” onde Cláudia Cardinalli se apaixonava por um soldado americano no final da Guerra. Fui capaz de reconhecer os rios com muito cascalho muito parecidos com aqueles nos quais Steve Reeves (1926/2000) lutava com seus inimigos (ele era o Maciste) e jogava pedras de isopor de uma leveza cruel naqueles trash movies que faziam-nos rir nas sessões das seis horas do domingo no Cine São Francisco, onde o calor era insuportável e de onde saíamos molhados duplamente: pelo calor e pelo contato com as namoradas, num exercício de mãos e braços que pouco espaço deixava para o encontro das bocas sob o olhar cúmplice dos vizinhos de cadeiras.
E Nova Yorque? Na vez primeira, fui às vésperas do Natal. Tudo era mais do que cinematográfico. E comovente. Aquelas vitrines maravilhosas com bonecos animados em plena calçada da 5ª avenida, e as filas comportadas para vê-las naquele frio danado? Confesso que não sei se tive tempo de me lembrar das vitrines do Bazar Saito ou do Canato Presentes, da velha e distante Araçatuba. Apenas curtia aquelas ruas frias de cujos buracos saia aquela fumaça branca que, vim a saber eu, era o escape do vapor da rede que abastece boa parte dos prédios da Big Apple. As duplas de mendigos cantando canções natalinas às portas dos restaurantes e os corais que cantavam nas ruas com velas na mão com um caldeirão para recolher dinheiro destinado às instituições de caridade, me lembravam aquela gente que os cartões de natal mostravam: os corais em frente as casas com luz amarela em contraste com a neve branca do lado de fora. Escorregar no black ice na beira da calçada foi um aprendizado. Tudo parece simples, mas não se brinca com o inverno (no caso, o fim do outono) Um natal com frio era um sonho na tórrida Araçatuba dos anos 1950/60.
Escrito por José Ruy Veloso Campos às 09h34
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CRÔNICA PERDIDA 1
ARAÇATUBA, EUROPA E NYC 1
Jan/14/2006
Quando pré-adolescente na longínqua Araçatuba, eu ouvia os LPs de trilhas de filmes na rádio vitrola HIFI (sigla que nunca me preocupei em saber o que dizia) da Philips e ficava imaginando os EUA e a Europa, conforme a música. Assistia também aos filmes que traziam cenas da Europa e tinha uma familiaridade total com o velho mundo. Um dos LPs, de minha casa e que não era de trilha sonora, tinha o título Roma con amore e continha músicas italianas tocadas por um conjunto de acordeon, bandolin, violão e violino. Eu era capaz de ver Claudia Cardinali, Alberto Sordi e Ugo Tognazi sentados nas mesinhas de cantinas ao ar livre nas tardes de verão ou de primavera. Mais tarde Troy Danahue e Sandra Dee passaram a integrar o elenco.
Dos LPs de trilha sonora, algumas raridades para o ano 2005: “West Side Story”, com cada música da opereta cinematográfica de Romeu e Julieta nas “tribos” de porto-riquenhos que se instalavam ao oeste de Nova Yorque. “O candelabro italiano”, “É tão sublime o amor” (love is the many splendor thing) e outros que não me vêm à memória agora.
Calor imenso no final da tarde, eu abria a janela de correr da sala de visitas e colocava os discos para curtir meus momentos europeus ou estadunidenses. Na casa da frente, dona Maria Helena Gianini Vilela, uma professora sempre enérgica com os filhos, acenava vez em quando e, quando raramente nos falávamos, dizia que as músicas eram bonitas. Incrível como eu podia ver e sentir aquelas cantinas e cafés nas ruas italianas só de ouvir as músicas. Um outro filme, “A última vez que vi Paris”, com Liz Taylor e Van Johnson, no qual ela morre de pneumonia no final, me chamou a atenção para a cidade luz. Aquelas casas sempre iguais ( NY também tem ruas assim, eu veria mais tarde) e o frio de janeiro que fez Liz doente no ano novo naquele filme. E Nova Yorque? Todos os filmes nos levavam para lá. Se não era NY era Chicago. Para isso as músicas do velho Frank Sinatra eram as melhores: All the way, stranger in the night e outras.
Erradamente, eu e outros amigos associávamos a música “Summer time” com o bas fond parisiense, ignorando que aquela era a canção famosa da ópera americana Porgy and Bess. Convenhamos, o piston com surdina que faz Summertime era para qualquer underground parisiense dançar sob luz fraca e fumaça dos cigarros franceses, sem filtros, lá nos idos anos de 1960.
Misturávamos, eu e o Osvaldinho “Espanhol” Árias, o que seriam as culturas underground assistindo filmes noir (e nem sabíamos disso) com Jean Paul Belmondo, fugindo da polícia francesa nas noites de Paris. Achávamos o máximo aquelas sirenes francesas e atribuíamos aquele som ao fato de que os europeus teriam trauma de sirene pós a segunda Grande Guerra. Achávamos “impossíveis” aquelas ruas escuras e sem movimento na noite de Paris. O chão (como em NY) estava sempre molhado. A grande diferença é que, em NY, saia fumaça dos ralos na rua. E a gente pensava: é demais esse negócio de neblina na noite, é não? Em São Paulo até tem neblina no mês de julho...
Gostávamos de curtir os filmes discutindo-os ali no banco da pracinha Getúlio Vargas, em frente ao Nenê Sorvetes. Ficávamos ali até tarde falando do progresso dos americanos na investigação dos crimes e de como eles eram rápidos com comunicações nos carros etc. etc. Às vezes o palco desse fórum era na frente do prédio dos correios, ali na avenida Pereira Barreto. Quando ventava muito, ali era um bom abrigo porque ficávamos mais para dentro do que o nível da calçada. E tome conversa! Imaginação não faltava naqueles anos 1960, antes do período tenebroso que foi marcado por 31 de março de 1964. Depois daquela data tudo ficou estranho e comprometido. Se a gente achava os filmes americanos bons, diziam que era uma besteira e que estávamos sendo vítimas do colonialismo cultural, que filme americano não prestava e, muito menos o americano. Vá Lá, íamos ver o “Fellini 8 ½” Ninguém entendia nada, mas foi ótimo. Depois desse período as discussões e os encontros perderam a graça e tínhamos (ou eu, pelo menos, com as amizades que tinha) que ser “responsáveis” e não podíamos ser “inocentes úteis”. Bom mesmo era valorizar o cinema nacional “cabeça”.Mas vi muitos outros bons e não tão cabeças, no tempo do cinema preto e branco.
Mas o que quero mesmo é lembrar daqueles momentos em que as músicas me levavam longe, além mar. As cenas de bares e restaurantes com mesas ao ar livre sempre me chamaram a atenção (talvez um aviso premonitório de minha carreira na hotelaria) pela singeleza de sua paisagem, fosse ela no centro das cidades ou à beira do mar. Nos anos 1980, quando pela primeira vez pisei no Velho Continente, já conhecia tudo. Subi na torre Eifel sem muita emoção e entrei na catedral de Milão pensando no filme “O milagre de Milão” quando as bicicletas voaram muito antes do ET de Spilberg. Não alimentei as pombas da praça da catedral, mas me animei com os bares com mesas nas calçadas. Senti falta da poesia de uma companhia feminina, pois estava a trabalho e, mesmo assim pude, ao sentar-me numa mesinha de um café famoso donde se via o Arco do Triunfo, na Cidade Luz, pedir ao homem que tocava uma pequena sanfona, como meu sotaque sofrível: Sur le ciel de Paris. Ele entendeu e, por alguns trocados, pude me deliciar com aquele som de valsinha ouvindo, no fundo de meus pensamentos, a voz de Piaf a cantar sobre as nuvens e o céu de Paris. Foi bom. (Continua)
Escrito por José Ruy Veloso Campos às 09h31
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COPA DE FUTEBOL E TRABALHO
COPA DO MUNDO, CIDADANIA E ALIENAÇÃO: Quando chega o tempo de Copa do Mundo, me vem à mente os tempos da ditadura militar que durou de 1964 até 1985. Naqueles tempos era comum que a gente torcesse contra o Brasil para que o regime militar não capitalizasse em cima da vitória. Não adiantava muito. Não tinha inflação e não faltava emprego. O povão não “tava nem aí”. Muitos daqueles quase guerrilheiros que não queriam a vitória do Brasil (alguns foram mesmo) acabam pulando, gritando e torcendo. Era uma cena parecida com aquela que, anos depois, eu veria num filme em que Kevin Kline faz um professor dividido na sua sexualidade (In & Out, Paramont, EUA, 1997) e busca conter sua vontade de dançar ouvindo um “guia do macho”. Num dado momento ele não agüenta e roda a baiana gritando, dançando e erguendo os braços. Assim foi com os oposicionistas ao regime militar. Não queriam a vitória, mas não resistiram. Acabaram “saindo do armário de torcedor”. O clima de Copa me enche o saco. Na verdade gosto do clima daqueles momentos que passamos junto à família ou aos amigos. Frios, pipoca, refrigerantes ou cerveja. Uma festa. Mas é só. Ver tudo parado no país me dá aquela sensação de terceiro mundismo. Algo como o que vi na República Dominicana, estampado nas camisetas das pessoas: El merengue premero, el trabajo después. Acho o fim do mundo as repartições públicas fecharem na hora do almoço porque o jogo é às dezesseis horas. Um escritório privado, uma indústria privada, vá lá. Eles fazem o que querem. São donos do seu dinheiro. O serviço público não. Eles têm que estar alerta e atender as pessoas que necessitam. Uma TV no local do trabalho é uma boa solução. Podem assistir os servidores públicos e os que aguardam pelo atendimento. Mas, qual o que, diria minha avó Lilá, que viveu mais de 90 anos e já se foi. Inesquecível um vôo que fiz entre Santa Catarina e São Paulo num dia de jogo do Brasil na Copa de 1998. A chegada em São Paulo foi cinematográfica. Sobrevoamos o terminal do Jabaquara para aterrissar em Congonhas. A vista das avenidas era fantasmagórica. Nenhum carro. Nada. Como se aquela bomba que preserva as construções tivesse estourado por lá. Todo mundo assistindo o jogo. Mas o primeiro mundo também tem seus problemas. Uma vez visitava um museu na cidade de Washington. A pressa dos seguranças para fechar o museu era visível. Era uma final com jogo do Red Skins e todos queriam estar lá. Sem cerimônia. Mas era mesmo hora de fechar o museu. Eles apenas apressavam as pessoas, o que não fazem nos dias normais. Mas, o pior mesmo é imaginar aquela súcia instalada no Palácio do Planalto, se esbaldando em caipirinhas e costelinhas fritas em meio a garrafas envelhecidas por dezoito anos e sacolas de dinheiro do erário para a gastança da campanha e dos bolsos de muitos deles. São os neo-comunistas que estão muito próximos dos reis do tráfico e do terrorismo latino americano. E se a seleção brasileira ganhar, vai ajudá-los. Qual o que, vó Lila, a campanha terá uma virada. Com taça ou sem ela. E os neo-comunistas vão sair de lá. Em todo o caso, vá rezando por aí, minha boa avó.
Escrito por José Ruy Veloso Campos às 13h39
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