O VINI E A EDUCAÇÃO
O VINI CINEASTA E A EDUCAÇÃO: Vinícius deriva de vínico, aquele que cultiva a vinha. Que bom. Assim foi o nosso poeta imortal, cultivando poesia e música, colecionando mulheres e muito malte no fígado. Já o Vini cineasta quer ser também músico, poeta e cantor. Um interprete. Sê-lo-á. Não precisa fazer a poesia do poeta embaixador, mas, com certeza, saberá fazer a crônica urbana de Woody Allen. Para isso tem inteligência, o look e as raízes do cineasta de Manhathan. E pode ir longe. E por que falo do Vini? Porque é o perfil que gostaria de ter encontrado em pelo menos 20% das salas de aula nas quais lecionei. Vini lê os jornais, está informado sobre o cinema brasileiro desde os anos 1940. Sabe da Maristela, da Atlântida, do Mazzaropi, do Glauber, do Rui Guerra, Walter Hugo Khouri e tantos outros. Mas conhece também o Nouvelle Vague e o neo-realismo italiano, do mesmo jeito que sabe como foi o crescimento da dupla Lucas / Spielberg e sabe apreciar o que há de bom no cinema estadunidense. Como Camila, sua namorada, que também será cineasta, ele aprecia François Truffaut (ela cultua toda a obra de Truffaut) e não deixa de pensar na produção de um CD que, na certa, terá também uma homenagem à Bossa Nova. O Vini e a Camila estudam cinema e estão no último ano. Não é exatamente um mercado promissor como aquele que podem vislumbrar os que cursam finanças no Ibemec, por exemplo, e que têm no mercado dos bancos boas perspectivas. Mas eles têm talento e vontade. Eles estão informados sobre o que ocorre à sua volta. O Vini é um exemplo que deveria ser seguido por muitos outros jovens, cada um em sua área, mas sempre sabendo do mundo. Criar o PROUNI e fazer entrar nas faculdades privadas um exército de sem informação só vai levar o Brasil a ter, dentro de uma década, grandes contingentes de diplomados em cursos superiores piores dos que já temos hoje. A inclusão social que o falacioso PT propugna teria que começar na educação de base e com projetos sérios. Dia desses ouvia uma exposição de Guiomar Namo de Mello, que é uma autoridade em educação no país, e que falava sobre as perspectivas das políticas para a educação quando abordou a importância da inclusão digital dos professores que atuam na educação dos primeiros oito anos (agora serão nove?) e também nas universidades. Ela provocou bem: vocês acham que inclusão digital se faz só com ONGs nas favelas? De fato, não. É preciso incluir os professores no mundo digital e melhorar a educação de base, com leitura e muita informação. Depois disso, as possibilidades da inclusão universitária virão automaticamente. O resto é demagogia e os Vini continuarão sendo raridades, mesmo no circuito Morumbi / Higienópolis.
Escrito por José Ruy Veloso Campos às 19h10
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ZÉLIA, A VIRGEM
ZÉLIA, A VIRGEM, E A CORRUPÇÃO: A 3ª Turma do TRF (Tribunal Regional Federal) da 1ª Região (Brasília) absolveu por insuficiência de prova Zélia Maria Cardoso de Mello, ex-ministra da Fazenda e Planejamento do governo Fernando Collor (1990-1992), nas acusações de crime de corrupção passiva por suposto envolvimento no esquema PC Farias. E agora?
Zélia e o esquema PC Farias / Collor que planejava (e o fizeram) arrecadar um bilhão para a próxima campanha, desfrutando, é claro, de uns trocados pelo meio do caminho, não foi nada santa. Casou-se com o homem que fazia piadas sobre ela e o resto da equipe. Antes, teve um rápido affair com o Bernardo Cabral que, por sua vez, teria tido incontinência urinária quando os jornalistas fizeram um cerco sobre ele perguntando da namorada e, ao final e ao cabo, acabou se aposentando da USP e recebendo a pensão do humorista que foi seu marido para morar em NYC. Coisa de cinema latino americano com todos os ingredientes: corrupção, cenas de cama, política, assassinatos e a tranqüilidade de Manhathan, antes e depois do 9/11. O fato é que Zélia, perto da caterva petista, é apenas uma virgem desavisada no meio da tempestade da corrupção. Aliás, todo o esquema Collor o era. Mas e daí, por que lembrar de Zélia (ah, à época fizeram fotos ousadas de suas pernas com direito até à calcinha branca no fundo. Êta, pessoal) em tempos d´agora? Porque ela foi absolvida por falta de provas. Ligou agora? Pelo mesmo caminho poderá ir toda a escória do PT e seus aliados e mais as sanguessugas e mensaleiros, valérioduteiros, ladrões da previdência e assassinos dos prefeitos petistas. É assim que termina mais esse filme latino americano de fala portuguesa. Os novos filmes, já a partir de 2005, virão com fala espanhola. Periga dar saudades do Collor. Pelo menos ele prenderia o Stédile. Vai voando Zélia, vai voando...
Escrito por José Ruy Veloso Campos às 16h21
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DISNEY E KATZENBERG
KATZENBERG FAZ FALTA: Jeffrey Katzenberg, o executivo da Dreamworks que, quando na Disney, foi fritado pelo então CEO Michael Eisner, está fazendo falta na maior empresa de entretenimento do mundo. Katzenberg foi o responsável pelo resgate da animação e grande incentivador dos musicais animados da Disney (Rei Leão, A Bela e a Fera, Pequena Sereia, Aladim e outros) que recolocaram a Disney no mundo competitivo no início dos anos 1990. Hoje, o sucessor de Eisner quer colocar mais gente da animação na rua, faz desenhos baratos com idéias pouco criativas (“Carros” é uma versão mais cabeça de “carangos e motocas” dos anos 1970). Mas falo de Katzenberg por outra razão e que foi por pouco tempo a área dele: o cinema família e de aventura. Para entender esse meu registro, basta assistir Piratas do Caribe 2: o baú da morte. O filme é muito chato, mesmo com a graça assexuada (afeminada) do Johnny Deep e aquela gracinha que fez Pride and Prejudice (Keira Knightley). Faltou montador para o filme. É longo, arrastado e as cenas de humor pastelão se alongam desnecessariamente. Para quem já visitou o Magic Kingdom algumas cenas são mais hilárias, como a volta do cachorro com as chaves na boca e os prisioneiros fujões iguaizinhos aos da atração do parque. Agüentar as cenas longas, aquelas figuras fantasmagóricas e aqueles efeitos sem graça de um polvo gigante destroçando navios, nem mesmo o Katzenberg agüentaria. Então, talves o filme fosse mais palatável. A Disney sob o comando do Eisner ficou assim, assim com o Brasil do PT. Ô vida!
Escrito por José Ruy Veloso Campos às 14h13
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