O ESTUDANTE, O LIVRO E O PRESIDENTE
A LEITURA DO UNIVERSITÁRIO BRASILEIRO: Nas décadas de 1980 / 90 tive a oportunidade de visitar várias instituições educacionais, nos Estados Unidos e na Europa. A maioria delas de educação profissional. Em todas, o acervo bibliográfico, que já contava com uma infinidade de filmes em vídeo e documentos microfilmados, tinha um acesso bastante concorrido. A biblioteca, ou as bibliotecas da Michigan State University têm uma estrutura e organização impressionantes. E estão sempre cheias de estudantes e visitantes. A Conrad Hilton Library no campus do The Culinary Institute of América, cujo nome dispensa outras explicações sobre o tipo de educação que oferecem, é com certeza um espetáculo para qualquer mantenedor de universidades brasileiras que a visite. Um conjunto de equipamentos, livros e outros tipos de produtos que armazenam conhecimento foi totalmente financiado e construído com recursos doados pela cadeia hoteleira Hilton. Os liceus da França, embora mais modestos e de construção mais antiga são também ricos em oportunidades de leitura. Na Áustria, também mais modestas do que as estadunidenses, as escolas de Viena ou Bad Hofgastein, ofereciam, à época, acervo rico nas áreas ocupacionais nas quais atuavam. E os estudantes tinham que consultá-lo para concluir seus estudos. Na Suíça eles ficam entre os EUA e o resto da Europa. No Brasil não é assim que funciona. Os gestores das bibliotecas, ou dos cursos ou departamentos, sempre encontram dificuldades para novas aquisições que atualizem o acervo. Livros antigos então, nem pensar. O espaço nas bibliotecas nem sempre é satisfatório e as consultas, quando ocorrem, carecem de disciplina ou educação de berço. Mesmo nas escolas mais caras. É um comportamento que resulta da falta de hábito de leitura, sobretudo no lugar público para esse fim específico. Mas é muito mais grave o quadro. Mesmo tendo um acervo modesto, para não dizer pobre, boa parte das escolas oferece os periódicos mais conhecidos de suas regiões e os de circulação nacional. Também oferecem os livros mais conhecidos de cada área do conhecimento. A questão está em quantos buscam ali a informação. Pergunte-se aos alunos dos cursos noturnos das faculdades e universidades particulares sobre as últimas notícias, tendências e fatos econômicos, políticos e culturais e a resposta é um grande silêncio. A justificativa é sempre a mesma: só trabalham e não têm tempo para a leitura ( e por favor, professor, não peça para lermos muita coisa!) ou para assistirem aos noticiários da TV. Um pouco de Internet, é verdade, eles lêem. Quando está na primeira página de seu provedor e quando o chefe não está vendo. O esquerdista padrão brasileiro adora dizer que o estadunidense não lê nada e que não sabe onde fica a Bolívia. É claro, eles têm uma massa de analfabetos funcionais. Mas aqueles que vão à escola têm que ler. É a regra. E nas escolas estadunidenses, as regras costumam ser cumpridas. Nos EUA e nos países europeus dos quais falei, os estrangeiros recebem, de graça, aulas para aprender o idioma e a leitura. Não há como se integrar ao país se não souber o idioma e a leitura. Nossos estudantes demoram em aprender que é difícil entrar de vez no mercado competitivo sem a informação. Já sair da escola sem um mínimo de leitura e sem saber o nome dos principais autores de sua área de estudos, parece mesmo uma mágica. Não é sem motivos que um presidente semi-analfabeto que é parte de organizações criminosas esteja para ser reeleito.
Escrito por José Ruy Veloso Campos às 14h48
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|