ED BENEDICT
ED BENEDICT, ANIMAÇÃO E CINEMA: Com certeza vai ser mais uma cena de animação ou cinema na existência de Ed Benedict. Vão jogar suas cinzas na baia da cidade de Carmel, Califórnia, onde foram jogadas também as de sua mulher. Haverá, na certa, aquele belo pôr-do-sol da Costa Oeste enfeitando a cidade onde um dia Clint Eastwood foi xerife honorário e onde Ed Benedict morou os últimos trinta anos de sua vida. Aos noventa anos, Ed Benedict foi embora deixando sua marca como o criador de Fred Flintstone e toda aquela sociedade de classe média baixa da Idade da Pedra. Nos estúdios de Bill Hanna e Joe Barbera, ele criou também, Zé Colméia, Dom Pixote e Pepe Legal. A animação do Hanna Barbera não era artística e cara como a da Disney. Mais barata e com poucos movimentos, a HB ganhou fácil a liderança na TV com produção em massa. Mas Benedict tinha talento e era criativo e isso ajudou o HB. Ainda que sem muitos movimentos, os desenhos da Hanna Barbera eram muito superiores aos japoneses que invadiram a TV. Nascido em 1912, Ed já estava no mundo da animação antes dos trinta anos e foi um ícone da animação entre os anos 1930 a 1950. Jordan Reichek, animador, produtor e diretor, escreveu sobre Benedict dizendo sobre sua modéstia e sua extraordinária memória e que, aos 89 anos, ele era tão mordaz quanto correto em suas lembranças. Reichek termina sua matéria dizendo:...”Muitos de nós, na animação, devemos ter muita gratidão ao Ed e toda sua geração. Quanto mais o tempo passa, mais percebemos o carinho e a arte que eles colocaram em seus trabalhos. Eles foram grandes ombros sobre os quais nós nos sustentamos. Ed foi um dos grandes e nós certamente seremos sempre gratos pelo o que ele representou levantando essa arte”. As gerações brasileiras que nasceram nos anos 1960 e 1970 certamente vão sempre se lembrar dos cartoons do Ed Benedict, apesar da terrível dublagem a que foram submetidos, com aquelas falas cheias de eco e desencontradas. Mesmo assim, Flintstones e Zé Colméia ainda habitam o imaginário desses marmanjos de quarenta anos.
Escrito por José Ruy Veloso Campos às 21h34
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DEPRESSÃO POLÍTICA
DEPRESSÃO POLÍTICA: No final do século 20 a ciência já registrava várias manifestações de depressão no ser humano. Foi nos anos 1990 que mais se falou em antidepressivos na imprensa e na sociedade mais esclarecida. Diversas manifestações foram identificadas para diagnosticar a depressão. Entre elas, dizem, há um quadro de apatia e desinteresse pelos assuntos da vida nas pessoas depressivas. Simplesmente elas vão deixando de lado assuntos do cotidiano que sempre lhes interessou e pelos quais elas brigaram, discutiram ou buscaram informações alhures. Nessa manifestação o deprimido cuida, e mal, dos assuntos essenciais de sua vida, de seu dia-a-dia. O resto parece desaparecer de seu universo. Mas existem medicamentos e outras terapias que podem trazê-lo de volta à realidade. Pois parece que no campo da política, a população está apática, ou pelo menos, um terço do eleitorado brasileiro. Parece uma manifestação de depressão. As pessoas não ligam para o que vai acontecer. Parecem fatalistas. Muito pior do que no tempo em que os paulistas enfrentam o Maluf. Mas mesmo naquele tempo, surgiu, por exemplo, o verbo “malufar”. Malufar era sinônimo de má conduta, de fugir das regras, da lei, do sentido da amizade. Era passar para o lado do mal, enfim. E foi com motes como esse que o Maluf começou a perder eleições. E o Lula do PT (hoje escondido numa parte da estrela que fica coberta nas propagandas do Lula e do Mercadante)? E os roubos, assassinatos, dólares na cueca, aquela cachalote bailarina lá no plenário da Câmara dos Deputados, que está cheia de processos contra ela? E essa gente toda que já esteve presa e continua aí, livre, mentindo descaradamente e esperando a vitória nas urnas para acertar-se com o Chaves e a esfaimada Bolívia? E os de antes, o Jader Barbalho, o ACM avô e todos esses ladravazes? E o Zé Dirceu que não vai preso? E o Stédile que oferece treinamento de guerrilhas? Ah, deixa pra lá. Não tem mais jeito. É o que dizem até mesmo as pessoas melhor informadas. Como assim? O que será isso? Um filme de ficção onde todos foram anestesiados para não ter reações? Um tipo de lobotomia? Um quadro político depressivo? Sim. É o que parece ser. Talvez estejam sofrendo do mal já anunciado por Rui Barbosa no começo do século 20:
“De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto”.
Não acredito que os brasileiros tenham vergonha de ser honestos. Acredito, isto sim, que estão cansados dos apertos dos bancos, das estradas federais mal conservadas, dos crimes dos políticos sem punição, das mentiras petistas e do salto alto tucano. Estão cansados da vaidade, da inveja e do oportunismo de grande parte dos políticos. Ah, quisera fossem todos eles como o Gabeira. Ah, quisera fossem mais Pedro Simon e menos o camaleônico Tarso Genro. Ah, quisera o PT tivesse sido honesto como dizia ser. Ah, quisera que as pessoas soubessem que o Alckmin fez muitas coisas boas apesar de ter dado espaço para o tal do Chalita. Ah, pudesse numa penada acabar com parte dessa gente, colocando-os para trabalhar de verdade pela educação e pela criança. Ah triste imagem do brilhante advogado paulista que, uma vez ministro, deu dinheiro do erário para os vândalos que invadiram a Câmara dos Deputados. Ah, saudade do Ulisses Guimarães, ah, saudade do Franco Montoro, do Mário Covas e até de opositores como o Golbery de Couto e Silva que, como mostra Elio Gaspari em A ditadura derrotada (2003, Cia das Letras) era um contendedor inteligente, tinha Norte e cultura. Triste contendedor é esse atual presidente sempre embriagado, proferindo palavrões e cultivando os hábitos dos ricos ao lado de uma mulher incapaz de ter erguido uma só pena numa perspectiva social. Já para fazer plásticas e usar boas roupas, isso ela bem sabe fazer. Por muito menos, populações inteiras já ficaram deprimidas. Uma depressão política profunda se avizinha. E isso é perigoso para o país.
Escrito por José Ruy Veloso Campos às 21h27
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