COACHTING E A FAMA FUGAZ
COACHTING E A FAMA FUGAZ: Nesta semana assisti a uma palestra de um profissional da área de RH que trabalha com Coachting. Logo no início de sua fala ele mostrou nomes que em 1990 estavam na mídia como casos de sucesso: Ricardo Frank Semler, Olacyr de Moraes, Luiz Eulálio Bueno Vidigal e alguns outros dos quais não me lembro. A palestra, dirigida a estudantes de um curso de administração desenvolveu-se na linha do que fazer e como fazer para alcançar suas metas profissionais e não voltou mais aos nomes do começo. Mas eles ficaram em minha cabeça. Está certo que os nomes sumiram da mídia. Mas onde estão de fato essas pessoas? Uma rápida busca no Google mostrou, por exemplo, que Luiz Eulálio Bueno Vidigal estava muito bem em 2005. Numa entrevista à revista “Isto É”, ele falava do fim das ações judiciais contra ele, de sua boa relação com o atual presidente Lula quando ele era ainda líder sindical e de uma grande ação que movia contra o Governo Federal visando receber diferenças por conta dos muitos planos econômicos que lhe deram prejuízo. Achava ele, em 2005, muito difícil receber (um bilhão) referente à venda de vagões à Rede Ferroviária Federal, ora privatizada e de como havia entregue sua fábrica de vagões para os empregados. Nos dias atuais (maio de 2005) ele se dedicava ao golfe pelo menos três vezes por semana. Ricardo Frank Semler, informa a Wikipédia, “formou-se em Direito pela Universidade de São Paulo e estudou Administração de Empresas em Harvard escola em que, ironicamente, só conseguiu ingressar depois de escrever uma carta criticando a instituição. Em 1980 assumiu a presidência da SEMCO S/A.Desde então, promoveu uma verdadeira revolução na empresa, incorporando em pouco tempo quatro subsidiárias de firmas multinacionais e aumentando de forma notável o capital e o número de funcionários. Eleito líder de negócios do ano, em 1990 (ano em que também foi escolhido Homem de Negócios da América Latina pela revista America Economie, do Wall Stret Journal) e 1992, Semler estudou na Harvard Business School e foi vice-presidente da FIESP(Federação das Indústrias do Estado de São Paulo)” . Depois desse período ele fez incursões nas páginas de jornais e como dramaturgo. Sim, escreveu a peça “Cheque ou Mate”, inspirado na dramaturgia de autores como O´Neill e Arthur Miller. Em 2006 lançou outro livro: Seven Days Weekend. Trata-se de uma obra em inglês onde ele propõe a empresa ideal, aquela onde os empregados têm a liberdade de fazer os seus próprios horários e a dar sugestões, endosso ou veto nas decisões das empresas. Ele está voltando, anyway. Já o nome de Olacyr de Moraes pode ser encontrado nos sites da FGV e da revista "Época". Ambos fazem referência ao sucesso do empresário, agora produzindo álcool. Encontrei também uma matéria que trata de seu encontro com o presidente Lula, recente, de 01 de setembro de 2006, na inauguração de um terminal de granéis no Guarujá, que é parte de um grande projeto seu que quase o levou à falência no final da década de 1980. A matéria fala ainda dos valores que sua construtora, a Constran, conseguiu receber do governo depois de muita briga. Coisa de 200 milhões de Reais. E o que importam tais informações? Importam para sabermos que as pessoas continuam atuantes, ainda que não mais no alto daquela onda de sucessos. O sucesso nos negócios, sobretudo quando rápidos ou diferenciados, formam um apelo irrecusável para a mídia tornando-se uma pauta obrigatória. E todos os veículos vão atrás dessas pessoas. Se ocuparem cargos importantes, como foi o caso do Bueno Vidigal, isso é inevitável. Ser presidente da FIESP é estar por dentro do PIB brasileiro e falar por ele. Quer mais do que isso para a mídia? Semler era jovem e escreveu um livro mostrando que era possível ter uma boa relação com a base da pirâmide em sua própria empresa, fazê-los ganhar mais e ser bem sucedido nos negócios. Virou assunto de mídia no final do regime militar. Já Olacyr de Moraes sabia o que fazia e talvez não tenha levado em conta as mudanças que se avizinhavam na república com a mudança do regime e a grande dívida externa. Sua iniciativa no ramo ferroviário mostrou que a privatização era um bom caminho para as sucatadas ferrovias, então sob gestão estatal. Já suas aparições com jovens e esbeltas ex-misses e sua mão aberta para com elas, mais pareciam mesmo resultados da falta de um “personal image”. Enfim, não estão mais na mídia, como estavam antes. E do ponto de vista da mídia, é assim mesmo. Hoje eles são notícias mornas, mas não estão fora do frame de pessoas com alguma importância. Do ponto de vista de uma carreira de sucesso talvez tenham muito a contribuir. Até mesmo para falar do seu tempo ”After the Fall” para usar o título de uma peça de um dos autores que inspiraram a incursão de Semler pela dramaturgia.
Escrito por José Ruy Veloso Campos às 19h03
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