O DIABO VESTE PRADA E OS PROFESSORES
O diabo veste Prada e ajuda professores: “O diabo veste Prada” foi um bom lançamento do cinema estadunidense no verão de 2006, baseado no livro homônimo de Laura Weisberger, que diz ter escrito sua história com base no ambiente, mas não na pessoa de sua chefe quando trabalhou para Anna Wintour, poderosa chefona da revista Vogue, lá em NYC. Ambientado, conforme o original, no luxuoso e movimentado circuito de Manhattam e Paris, o filme é daqueles bons de ser ver num feriado e, não fosse por outras qualidades, já valeria a pena só pelo deleite de ver o talento irresistível da bela Meryl Streep, a juventude de Anne Hathaway, a firmeza do coadjuvante que sempre brilha ao lado dos grandes salários das telas, Stanley Tucci e uma rápida aparição de Gisele Büdchen, ali chamada de Serena. A história é aparentemente linear. Moça recém-formada em jornalismo vai parar num emprego de assistente da exigente e grosseira diretora da mais importante revista de moda do país. É interessante a referência que sua chefe imediata (a assistente um) faz ao RH da empresa por mandarem alguém que não sabe quem é sua famosa futura chefe e nem como as pessoas se vestem e se comportam naquele santuário da moda. É intrigante e instigante o comportamento da chefe em relação às suas subordinadas. Há muito o que se discutir sobre aquelas cenas nas aulas de marketing e de gestão de pessoas. Há, por exemplo, um pequeno e objetivo discurso da diretora impiedosa para a sua nova assistente quando ela ri ao observar uma prosaica dúvida sobre a escolha de um cinto para a combinação de um modelito a ser fotografado. Miranda Pristly, a chefe durona interpretada pela senhora Streep a ensina com um texto mais ou menos assim: “Você ri por ignorância. Ri porque se vê num mundo distante desse no qual está trabalhando, achando que a cor de um cinto ou de uma blusa não é importante. Pois eu lhe digo. Essa simples cor foi definida por inúmeras pessoas de talento que movimentam bilhões de dólares no mundo e que ditam tendências, e proporcionam identificação e satisfação para as pessoas através do modo de vestir-se. O azul desse suéter barato que você está usando foi criado por essa gente que você faz questão de ignorar”. Outros diálogos interessantes podem ser pinçados sobre o fazer e gostar de fazer, sobre a decisão de seu projeto de vida e a escolha entre ser um workaholic e / ou conviver com os seus. Desde os meus tempos de cine Clube, aprendi que é possível extrair boas lições de tudo o que se vê nas telas. É a comunicação de massa a serviço da educação. Hoje, com DVD ou os velhos vídeos cassetes, é possível trazer um mundo às vezes absolutamente distante para os nossos estudantes e, de forma lúdica, levá-los a refletir sobre problemas que estão sob seus narizes no seu dia-a-dia e eles não vêem.
Escrito por José Ruy Veloso Campos às 14h00
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LULA NAS CORDAS
DEBATE E CARTÕES DE CRÉDITO: O debate entre Alckmin e Lula na noite de domingo na TV Bandeirantes acabou mesmo em empate. Mas teve momentos que Lula pareceu ir a nocaute. O presidente candidato perdeu o equilíbrio e foi às cordas quando Alckmin perguntou se ele tinha coragem de abrir os gastos com os cartões. Àquela pergunta, Lula ficou vermelho de imediato, gaguejou e apontou o dedo em riste para o adversário com a boca visivelmente seca. Estivesse no campo de futebol da Granja do Torto, teria avançado sobre Alckmin. É que ele se lembrou das denúncias contra a sua “Galega” que apareceram nos jornais dos últimos dias. Informações do Planalto dão conta de que a mulher do presidente gera gastos de até 400 mil Reais por mês. Tudo gasto em frivolidades. Lula ficou apopléctico. Quando sentou ao banquinho para o último round foi aconselhado por seus assessores a provocar o adversário como se ele estivesse nervoso. Coisa que na imaginação deles passaria a imagem de um homem controlado. Sem álcool é difícil. Foi boa a provocação de Alckmin sobre a leitura das perguntas. Alckmin disse por mais de duas vezes que os assessores de Lula haviam errado. “Quem escreveu isso está mal informado”, disse Alckmin. Daí em diante Lula passou a se explicar quando ia ler uma pergunta. Caiu mesmo na do tucano. Triste é ver a tucanada soltando penas em torno do “picolé de chuchu” a essa altura do campeonato. Não fizeram e não estão fazendo força para que ele ganhe a eleição. A preocupação maior é acabar com a reeleição. Gente pobre que decepciona o país “mais lido”. Dá tristeza olhar para a capa do livro de FHC que comecei a ler com tanto gosto e abandonei faltando ainda umas cem páginas. Como podem ser assim tão voltados para o próprio umbigo? Ah, senilidade política! Ah, triste vaidade que apequena os homens!
Uma última sobre o debate: Lula citou Wilma Motta que não teria aceitado o martelo que selou nas privatizações e a coragem de Covas que brigou para que o PSDB não participasse do governo Fernando Collor. Gozado, o Lula hoje é parceiro e elogiou o Collor. A gente acaba concluindo hora dessas que esses políticos são todos esquizofrênicos ou sem vergonha e nem palavra. Nenhumazinha mesmo.
Escrito por José Ruy Veloso Campos às 10h21
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