MISCELÂNEA DE CINEMA
MISCELÂNEA DE CINEMA:

1- Não é fácil ser Rodrigo Santoro. É um bom ator, tem charme e beleza, faz sucesso com as mulheres e tem dificuldade para iniciar a carreira no cinema estadunidense. Mas vai chegando pelas bordas. Esteve lá com as Panteras, recebendo elogios das moças ninjas ali na tela. Não falou nada, mas teve bem uns vinte minutos no filme. Com direito a corrida de motos e tudo o mais. Agora está indo para a série Lost. Lost é um sucesso nas Américas via satélite e cabo. O roteiro, dizem, vai sendo parido conforme a audiência, uma receita que os noveleiros da Globo já conhecem, só que com orçamento de 1/5 do Lost. E Rodrigo chegou lá. Deve ter um bom agente. Aí a imprensa brasileira vai gozando o moço: “ele até tem duas falas”; “tem que prestar muita atenção porque ele aparece rápido”; “eles deixaram ele falar”; “está surfando e fazendo aulas de inglês”. É demais e inveja pura. Sou capaz de apostar que muito jornalista da Globo que está aí no exterior também tem um inglês nada muito claro e que, não duvide, às vezes leva alguém que fale melhor para ajudá-lo numa entrevista. E daí? O Santoro deve entender e falar bem. A questão é o nível que o cinema estadunidense se impõe para o inglês de seus atores. O povão tem que entender sem ter que fazer força. Quando a gente assiste aqueles filmes onde os atores têm sotaque grego, espanhol ou italiano, podem saber, é forçado, igual ao baianês da Globo. Ouça o Bandeiras falando para perceber que o seu inglês não apresenta problemas de compreensão. Seu sotaque é muito leve. Ora essa, o Santoro vai chegando lá. Para melhorar o accent ele, e todo mundo, sabem que teria que passar um tempo por lá. Pode ter sido o caso de La Braga, hoje com mais de sessenta anos. O pessoal gosta é de malhar o ator. Vai ver, escrevem com o cotovelo...
 2- Não é fácil fazer filme para o TCC. E lá vai a minha Camila fazendo o seu filme para encerrar seu curso de cinema agora em dezembro. Foram aí os seus quatro anos de paixão aprendida pelo cinema francês (Truffaut no altar) e admiração pelos nacionais, sem deixar de lado a pátria do cinema, ali, acima do Equador. É um estresse só esse negócio de filmagens, sobretudo quando os recursos são escassos. Chove quando não pode, falta luz suficiente, os travestis que se comprometeram não aparecem na hora, a rua foi bloqueada pela CET e tem um custo. Se não deu para rodar e “valer”, toca começar tudo de novo. E lá vai Camila, às cinco da manhã, voltando depois da 21 horas, moída, mas com amor pelo o que faz. Lembro-me que vi um making off sobre uma tentativa de refilmagem de Quixote. Era um desafio que contava até com Johnny Depp. O ator escolhido para fazer Quixote, já com setenta anos, apresentou um problema de coluna e não podia mais montar seu cavalo. A gota d´água foi um desencontro com o serviço de meteorologia que previu uma chuva para a noite e ela chegou no meio da tarde levando todo o equipamento na enxurrada, ali, numa área quase deserta. Aí acabou tudo. Pois Camila está nesse universo, o do planejamento do improviso. Mas um dia, Sophie Coppola vai parabenizá-la. Duvidam?
Escrito por José Ruy Veloso Campos às 12h18
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