CONCEITO DE IMPRENSA

A IMPRENSA IDEAL PARA O PT: “A formação de uma consciência coletiva unitária demanda iniciativas e condições múltiplas. A difusão do modo de pensar e de agir homogêneo, a partir de uma direção homogênea, é a condição principal para isso – mas ela não deve ser a única. Um erro bastante difundido é o de crer que qualquer camada social elabora sua própria consciência, sua própria cultura da mesma maneira, com os mesmos métodos, isto é, com os métodos dos intelectuais profissionais” ... “Têm (os intelectuais) uma posição paternalista em relação aos trabalhadores (classi strumentali) ou pensam ser deles uma expressão orgânica? Têm uma atitude servil em relação às classes dirigentes ou pensam ser eles próprios dirigentes, uma parte integrante dessas classes?” (caderno um, pg 43. Gramsci, apud Buci – Gluckmann, Gramsci e o Estado, editora Paz e Terra, 1980)
Os ataques do governo petista à imprensa têm vindo de pessoas bem preparadas intelectualmente como o mago das relações exteriores, Marco Aurélio Garcia e o “pacificador” inspirado na Fênix para reerguer o Partido, Tarso Genro. É curioso ver essa gente preparada posar de donos da verdade num país que não é mais uma grande lavoura mal tratada e cheia de pragas. Vivemos no século 21, com Internet e notícias em tempo real. Pois mesmo assim, esses senhores se põem acima da realidade para acusar a imprensa de ser parcial e contra o PT. Dizem que “o país precisa de uma imprensa pluralista”, ou seja, uma imprensa que fale bem do PT e contra os outros, ou melhor, “contra tudo isso que está aí”. É bem verdade que “nunca nesse país” um partido político foi tão prestigiado pela imprensa como o Partido dos Trabalhadores. Sempre foi assim, desde que o Partido nasceu. Agora, quando chegaram ao poder e se viram acuados pelos crimes que seus próprios companheiros cometeram, os militantes petistas acham que tudo é ruim e “golpista”. Marxistas e admiradores da obra de Gramsci, a intelectualidade petista deve imaginar que a “formação de uma consciência coletiva unitária” passa, com certeza, pelo controle da imprensa. E é por aí que pretendem caminhar. São os donos da verdade. Todo o resto é corrupto e descompromissado com a humanidade. Só o PT salva. Eles apenas seguem o modelo do italiano Antonio Gramsci que afirmava: “O socialismo é uma visão integral da vida; ele tem uma filosofia, uma mística e uma moral.” Bom mesmo é o jornal cubano Granma. Eles só publicam as verdades sobre a Hacienda de Fidel. Já os brasileiros, O Estado, Folha, Zero Hora, O Globo e outros grandes, para a inteligentsia petista, são todos fascistas. E aqueles senhores são intelectuais...
Escrito por José Ruy Veloso Campos às 15h40
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SUBURBIO ERUDITO

VANTAGENS SUBURBANAS: Ontem à noite fui assistir ao 258º Concerto Oficial da Orquestra Sinfônica de Bragança Paulista. O evento comemorava os 75 anos de existência da Sociedade Sinfônica Amadores da Arte Musical e era dedicado à memória da violinista Maria Siriani Del Nero que tocou na instituição de 1948 até 2003. Uma vida dedicada à música erudita. Não sou um entendido no assunto, mas a apresentação foi correta com um programa caprichado: a Abertura de Prometheus de Beethoven e a Sinfonia Concertante de Franz Haydn, na primeira parte e na segunda, a Sinfonia 41 de Mozart. Para encerrar, a valsa nº 8 de Tschaikowsky (A Bela Adormecida). Tudo muito correto, num ambiente acolhedor que, se não tem a acústica e o acabamento de uma Sala São Paulo, tem a autenticidade de uma gente que prestigia o que é seu e constrói sua história. São os autênticos bragantinos que comparecem ao espetáculo para prestigiar o que é seu e beber um pouco de cultura mesmo que, como eu, não sejam os mais versados no assunto. Basta ter o gosto de sentir o prazer de relaxar e abrir os ouvidos para um pouco de beleza, história e sentimentos. Assim é a boa música clássica. Bragança, como outras suas vizinhas, é cada vez mais um subúrbio de São Paulo. Muita gente vai e volta todos os dias para trabalhar na capital. Não é exatamente o mesmo trajeto de New Jersey para New York, mas é melhor do que muitos bairros da própria São Paulo. Os bragantinos podem não estar entre os mais receptivos do país, é verdade, mas a qualidade de vida da cidade, o ar, a vegetação, a limpeza e a segurança, complementam a hospitalidade nessa cidade que começou no século XVII e que tem muita coisa boa, inclusive a proximidade e o acesso fácil à São Paulo e Campinas. O mal é que está crescendo muito depressa. Com o tempo, a geração dos bragantinos mais conservadores será substituída por forasteiros e as famílias que foram nomes de ruas ficarão somente na lembrança. Mas vai levar pelo menos mais cinco décadas para que isso ocorra, se é que vai ocorrer. Os bragantinos são conservadores e tendem a manter as raízes em seus domínios. Fazem bem. A cidade é boa de se viver. E agora me digam: quantas cidades desse tamanho (120 mil habitantes) têm uma orquestra sinfônica com mais de setenta anos e teatro próprio? Quantas têm um maestro que é também Conselheiro artístico da Orquestra Sinfônica de Lafayette, no Estado de Indiana, EUA e tem o título de doutor pela Indiana University, Bloomington, também nos Estados Unidos e foi Diretor artístico e regente da Orquestra Sinfônica de Danville, no Illinois, EUA? Pois é. Bragança tem. É o professor e maestro Eduardo Ostergren, que é também professor na Unicamp nas áreas de regência, história e introdução à pesquisa da música. Estamos a 90 Km do centro da cidade de São Paulo. Mas vale a pena. Ainda mais agora que o presidente da República, re-eleito, disse que vai fazer uma PPP (parceria público privada), que na prática é uma privatização, da rodovia Fernão Dias. Quando os políticos do PV chegarem ao poder, teremos de volta a ferrovia ligando-nos a São Paulo. Aí então, não haverá subúrbio melhor. Afinal, ser suburbano tem suas vantagens.
Escrito por José Ruy Veloso Campos às 09h15
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Cinema Brasileiro
MUITO GELO E DOIS DEDOS D´ÁGUA: Pronto. Daniel Filho fez aquela comédia meio road movie, meio cinema italiano e tudo deu certo. Lá estão as competentes Mariana Xinemez (melhor ainda em “O invasor” de Beto Brant) e Paloma Duarte, cercadas por coadjuvantes como Ângelo Paes Leme e Thiago Lacerda e prestigiadas com a presença de Laura Cardoso como a avó que só tinha na cabeça os tempos da ditadura militar e um forte tesão pelos olhos azuis do Garrastazu Médice. A trama é simples, linear e entremeada de recados e clichês engraçados. A referência aos anos 1970 vai do mobiliário da avó, passando pelo seu Opala de duas cores, onde se destaca o vinho e se completando com a trilha musical que vem das fitas que as netas ouvem no carro. É uma produção de médio custo, para o Brasil, e tem locações feitas em Maceió. Tudo muito bonito. Aílton Graça e Carla Daniel completam o elenco dos que têm mais falas. Fica um pouco TV Globo, mas é engraçado. Melhor ainda são os cartoons que entremeiam o filme, muito bem bolados e com incrível semelhança com os atores. Além disso, a idéia de traumas que vêm da escola, lá no ensino médio, é um problema típico dos looser dos Estados Unidos e comum nos filmes daquele país. Mas valeu como tema para a divertida história. É tudo divertido e bem ao gosto brasileiro. Laura Cardoso deve ter se divertido com aquelas moças. La Ximenez promete. Ela será a melhor das atrizes dramáticas dentro de 15 anos. Vai tentar fazer ombro com a forte e imbatível Camila Morgado. Mas isso é outra história. Vá ver o filme. Não espere pela locadora. No cinema é melhor. Pena que as salas estejam sempre vazias quando o filme é nacional.
Escrito por José Ruy Veloso Campos às 17h27
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MIGUEL ACEVES MEJÍA

SE FUÉ MIGUEL ACEVES MEJÍA: Pum, Pum, Pum, Pum: Zonaram quatro balazos ... Assim começava um dos sucessos de Miguel Aceves Mejía que tocava na Rádio Cultura de Araçatuba, lá no começo dos anos 60, quando ainda não tínhamos a ditadura militar. Se não era esse era o outro, o Cucurucucu Paloma... . Pois é. Mejía foi um desses precursores do sucesso que fariam, 40 anos depois, as duplas sertanejas que surgiram como pipoca no Brasil. Era um cucaracha autêntico, melhor dizendo, um mariachi autêntico. Miguel Aceves Mejía passou pelo cinema mexicano e fez sucesso na mesma época que o Cantinflas e outros daquele tempo. Curiosamente fez sucesso na Argentina. Numa entrevista para a revista El Mariachi Sueña ele contou que, lá nos anos 1950, ele cantava num cabaré de Buenos Aires (porque na Argentina, dizia ele, o dinheiro se ganhava fácil. Eram outros tempos, hein?) quando se aproximou dele um senhor bem vestido que se identificou como Ministro da Educação e o convidou para participar de uma função no Teatro Colón, onde se reuniriam os artistas estrangeiros que tivessem atuando na Argentina. Ele nem acreditou, mas topou na hora. Os argentinos não conheciam os Mariachi e sua música rancheira, afirmou o velho artista. Aquele foi o começo de sua forte relação com a Sudamerica, onde firmou carreira e teve seus filmes, feitos posteriormente, muito vistos e bem aceitos. Vendeu também muitos discos e fez shows. Mas o que lhe ficou mesmo na memória foi sua ligação com o caudilho Domingo Perón. Foi uma daquelas coincidências de cinema. Ele cantou no teatro a canção Ruega por nosotros e deixou a platéia emocionada aplaudindo por quinze minutos. Ele também chorou surpreso com o sucesso. O que não sabia era que o país estava ainda sob o efeito da morte de Evita Perón e a música fez a platéia ligá-la à saudade da primeira dama. Depois disso Perón o chamou na Casa Rosada e tomaram café da manhã juntos muitas vezes, durante os três meses que Mejías passou na Argentina naquela temporada. Foi um homem de sorte e talentoso. Morreu tranqüilo aos 90 anos no dia 07 de novembro de 2006.
Escrito por José Ruy Veloso Campos às 09h45
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