MARKETING E POLÍTICA

A CLASSE POBRE FOI AO PARAISO: Durante a campanha eleitoral muita gente escreveu sobre os resultados das pesquisas que apontavam a vitória de Lula com folga e tranqüilidade. Atribui-se muitas vezes, a adesão da grande massa ao lulismo a uma dose de desinformação e ignorância sobre os fatos, acontecimentos e cenários que envolveram o PT e o seu presidente da República. Ou simplesmente à distribuição do Bolsa Família. Faz sentido. Por outro lado, a intelectualidade que apoiou, e apóia, o lulismo, o faz pelo viés do antiamericanismo, da saudade do muro de Berlim e por acreditar então que a utopia não deve ser esquecida, que não precisamos vender nada para os ricos e devemos estabelecer o eixo Sul-Sul, ignorando a Europa e a América do Norte, melhor representada pelos Estados Unidos. É por isso que essa gente letrada torce por Chaves e por Fidel. São apenas contra os americanos e europeus desenvolvidos. Mas os pobres têm outra razão menos prosaica para apoiar o populismo. A Latin Panel, (www.latinpanel.com) ligada a TNS Worldpanel, que está presente em 50 países do mundo, pesquisando 33 mil domicílios semanalmente e fazendo 1,7 milhão de entrevistas anuais para fornecer dados e indicadores de cenários para empresas e governos no planeta, publicou resultados de pesquisa realizada no Brasil que mostram que as famílias de classe D e E, com rendimento mensal de até quatro salários mínimos (R$1,4 mil nos valores de novembro 2006) aumentaram suas compras em 11% em alimentos, bebidas e produtos de higiene pessoal, entre janeiro de 2003 e agosto de 2006. É certo que esse reflexo veio já de 2001 e 2002, do período FHC. Mas o que importa isso para quem pode comprar o que antes não podia? Ficou o registro como resultado do populismo do Lula, e foi isso mesmo. A pesquisa aponta para uma “sofisticação” na cesta básica das classes D e E (pós-xampu, massa instantânea, caldo, esponja sintética, salgadinhos, Longa vida, suco em pó, maionese) cujo crescimento de consumo foi de 15% contra 10% na classe C e 7% nas classes A e B. Coincidentemente, quem lê sobre os escândalos e tem compreensão das maracutaias e conchavos políticos, são as classes A e B. Os arquitetos petistas sabem que não será fácil manter o sonho de consumo em pé sem inflação e gastança desmedida como fizeram no primeiro mandato. Essa é uma das razões da grande preocupação em criar uma imprensa que seja absolutamente elogiosa com o governo e impiedosa com a oposição. Na perspectiva Gramsciana, vão tentar criar veículos de imprensa aparelhados ideologicamente para garantir a informação que os leve a perpetuar-se no poder com artimanhas constitucionais nos modelos venezuelano e boliviano. A ministra Dilma, “companheira de batalha” do J Dirceu, já garantiu o gerenciamento de uma verba de cinco bilhões do Fundo de Telecomunicações para levar a cabo o projeto. Eles se lembram de como Sarney cresceu no poder de compra do Plano Cruzado e de como caiu em desgraça quando esse poder acabou. Querem se garantir.
Escrito por José Ruy Veloso Campos às 10h17
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
ALTMAN HAS GONE

ROBERT ALTMAN HAS GONE: O cinema inteligente está de luto. Partiu Robert Altman. Aqueles que gostam de cinema vão se lembrar de sua direção em Nashville, Mash, o musical Popeye, Cerimônia de Casamento e o mais recente Assassinato em Gosford Park, um dos que mais gostei. Altman tinha o seu jeito próprio para tudo, mas no cinema, sua marca era o movimento da câmera. Para conferir, veja de novo Cerimônia de Casamento onde estão Mia Farrow, Geraldine Chaplin e Vitório Gassman. Uma curiosidade disponível em vários sites: Altman nasceu interiorano, em Kansas City, no Missouri, filho de pai de família rica e mãe descendente dos Quarkers chegados à América no May Flower, estudou em escola do seu Estado, freqüentou a academia militar de Wentworth e foi co-piloto na segunda guerra aos dezoito anos. Começou a se interessar por cinema quando foi fazer curso de pilotagem na Califórnia e viu de perto as luzes de Hollywood. Antes de fazer os sucessos consagrados, ele dirigiu várias produções para a TV, entre elas, episódios de enlatados conhecidos como Bonanza, Maverick, Combate, Rota 66 e uma série sobre Hitchcock, entre outros. Não faz muito tempo, respondendo a um repórter que perguntava sobre o Oscar que nunca chegou (só veio para homenageá-lo e não chegou a premiar seus filmes) ele teria dito: Aposentadoria? Você deve estar se referindo a morte, não? Pois é. Ele se aposentou e os cinéfilos perdem um grande talento.
Escrito por José Ruy Veloso Campos às 11h22
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Aviões e Modelos

Sobre aviões e modelos: Voar de avião é muito bom e seguro. Desde os tempos dos DC3 dos Serviços Aéreos Cruzeiro do Sul. É certo que naqueles tempos eu sempre me enjoava. O cheiro da gasolina, o barulho ensurdecedor e a cabine despressurizada, já eram enjoativos, mas tudo piorava porque minha mãe gostava de viajar lá atrás, quase na cauda do avião, mais perto da porta de emergência. Ela tinha um bom feeling. Nos acidentes aéreos, os que estão na frente, sempre sofrem mais e quase nunca dá tempo para colocar o passaporte entre os dentes para facilitar a identificação posterior. Mas viajar lá atrás era um convite ao enjôo. A turbulência era grande porque os DC3 voavam a baixa altura. Na cauda então... Mas tive que encarar várias vezes essa mesma posição nos Eletra 2 que fizeram a Ponte Aérea São Paulo / Rio até os anos 1980 e tinham, quase na cauda, uma “salinha” com os bancos em círculo e uma mesa no meio. Fiz isso em idas e vindas ao Rio de Janeiro porque um companheiro constante das viagens, o moçambicano João de Abreu, gostava de papear lá no fundo. Uma vez, nesses aviões Eletra 2, eu passei mal e estava sentado ao lado da atriz Bia Saidel. Foi vexatório. Numa outra vez, foi num Folker 28 da TAM, lá no seu começo. Voltávamos de Presidente Prudente e uma forte chuva obrigou o piloto a ficar “em órbita” sobre São Paulo até ter a chance de pousar. Assim que pousou, meu estômago recusou-se a suportar o peso do almoço. Gosto mesmo é de aviões grandes. Ah, esses não dão enjôo fácil. Voam alto, pouco balançam e nos levam sempre a um lugar distante e diferente. De primeira classe, só uma vez. De executiva, algumas vezes, umas duas no up grade. Já vi piloto maluco lá nos EUA. Achei que era uma daqueles que estiveram no Vietnã. Quase sobre o aeroporto eles davam aquela guinada à esquerda (porque não à direita?) do tipo esquadrilha da fumaça. Aliás, pensei, será que eles “tão fumados?” Eram da US Air ou da American Egle. Sei lá. Aventura mesmo foi voar pela Dominicana de Aviación. Boeing 707, do tipo do sucatão, todo remendado, com defeito no ar condicionado e, pior, quando decolou, o carrinho de comidas escapou e ficou batendo no compartimento. Todos os copos de plástico foram ao chão, mas conseguimos voar sobre o Caribe até o aeroporto de Maiquetia Simon Bolívar, na Venezuela. Lá em Miami eles não podem pousar. Em 98, ainda me lembro bem, não foi possível levantar vôo lá em Orlando porque havia uma tempestade de raios. Só raios, sem chuva e com um sol que ia e vinha. Esquisitíssimo. E o aviãozinho russo que, em Cuba, fazia a ligação da grande Ilha com Cayo Largo? Nada mais emocionante. Agora, complicado mesmo foi entender a distribuição de assentos no avião que me levou de Munique até Dresden. A cabine tinha três divisões com cortinas e meu assento, que imaginava na frente, estava lá no fundão. E ainda teve um casal que queria trocar de lugar para irem juntos. Qual era a deles? Um vôo de 55 minutos? Fui taxativo: só posso me sentar no corredor porque passo mal, vomito. Em geral acho tudo ótimo nos aviões. Sobretudo porque são rápidos. Já pensou passar mal num navio a caminho da Europa? São quase dez dias de viagem! Uma vez, entre Isla Margarita e uma outra cujo nome não me lembro, fui num desses barcos grandes de madeira com bancos de igreja (mesmo) pregados no piso. Uma hora de viagem que mais me pareceram três dias. Ele pulava cada onda daquelas com dificuldade e o cheiro do diesel vinha para dentro da embarcação. Por sorte uma “chica” delicada me permitiu partilhar com ela o cheiro de uma casca de limão. E não é que ajudou? Mas, avião é sempre melhor. O que nunca havia pensado é que o problema dos aviões com a segurança nos vôos pudesse vir de fora, dos controles. Pelo andar da carruagem (ou das aeronaves) a coisa no Brasil não é bonita nesse assunto. E o governo do PT faz o que? Já achou mais uma boa oportunidade para aparelhar outro setor, dessa vez pela via dos sindicatos. Quer mesmo colocar na mão de civis e logo tomar conta do sindicato. E aí? Ficaremos nas mãos deles...

MODELOS: A mídia sempre faz barulho com alguns temas quando uma tragédia interrompe a rotina. Esse negócio de anorexia não é exclusivo das modelos. É claro que elas estão mais expostas a esse tipo de comportamento que se transforma rapidamente em doença grave. Mas as pessoas de outras áreas também podem passar por isso. Já tive duas alunas com problemas dessa natureza e a oportunidade de ajudá-las alertando as famílias. Nos dois casos, tivemos sucesso. As famílias encaminharam as doentes para tratamento e elas voltaram boas para a escola e terminaram seus cursos. Mas isso é raro. Em geral a família não entende o problema ou não tem força para levar adiante do tratamento. Não é um tema fácil de ser trabalhado nas famílias. Falar é sempre fácil. Mas daí a querer culpar as agências de modelos e estilistas pelo problema demais. Em todas as profissões tem gente com problemas. Existem secretárias com problemas nervosos ou gula sexual, como atrizes da Globo ou da Califórnia. Existem músicos que bebem e se drogam e outros que não. Os mercados são sempre exigentes, cada um a seu modo. As pessoas é que tem, em maior ou menor grau, controle sobre seus atos e atitudes. Umas são mais seguras, outras nem tanto. Modelos, como atores e cantores, ficam, aos montes, à margem do processo. O que vemos nas telas, nos desfiles ou ouvimos no rádio, é um número insignificante diante daqueles que tentam e buscam firmar as suas carreiras. Nem todos nascem Gisele, Sandy ou Santoro. Muitos têm, com certeza, talento, mas faltou a oportunidade de serem reconhecidos. O desespero pela aparência, pelo peso e pela sorte, está na cabeça e no emocional de cada um. Não dá para culpar o trânsito das grandes cidades para absolver o doido que, pressionado pelo atraso, desce do carro e começa a chutar ou atirar nos que estão parados à sua frente, num dia de fúria. O mundo é assim e nós temos que nos adaptar a ele. Deixem as agências e os estilistas em paz.
Escrito por José Ruy Veloso Campos às 09h29
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
|