XENOFOBIA CAIPIRA

DUAS DE XENOFOBIA CAIPIRA: 1- Circulam pela Web mensagens incitando os navegadores a boicotarem o filme estadunidense TURISTAS que está chegando aos cinemas em dezembro. Trata-se de um daqueles filmes de terror que mostra estudantes em viagem por terras paradisíacas cheias de perigos, no caso, o Brasil. A história mostra um grupo que é vítima de um coquetel com sonífero e que se vê a mercê de uma quadrilha de ladrões de órgãos para transplante. E tome Brasil ruim, do tipo Venezuela dos anos 1950 onde Gary Cooper em “Sangue da Terra” ao lado de Anthony Quinn, Bárbara Stanwyck e Ruth Roman, protagonizam a busca de petróleo na América do Sul enfrentando perigos inimagináveis sob a direção do argentino Hugo Fregonese e embalados pela voz de Frankie Lane. Bem depois disso, outros filmes como um do James Bond onde ele sai de carro do Rio de Janeiro e perseguido, em instantes está em Foz do Iguaçu, ou o famoso e erótico “Orquídea Selvagem”, de 1990, direção de Zalman King com MIckey Rourke, Jacqueline Bisset e a estonteante Carré Otis com cenas explícitas de voyeurismo carioca e a participação sempre correta de Milton Gonçalves. Mais recentemente foi o desenho do Simpsons onde a família também sofre seqüestros e se vê às voltas com macacos no meio da rua. So What? Vamos protestar, reclamar, boicotar? É só uma fantasia e não dura mais do que 25 dias na mídia e depois morre nas locadoras. A imagem do Brasil não será piorada, muito menos melhorada. Nossos cineastas e a Embratur ainda não tiveram a coragem de produzir bons filmes, leves, de aventuras ou romance que mostrem o lado bom do Brasil como as chapadas, o Pantanal e cidades históricas. Sempre tem um bom roteiro para isso. O que precisamos é de bons atores estadunidenses de bilheteria e de uma boa distribuição. Se a memória está fraca, posso ajudar: Crocodilo Dandi, com Paul Hogan, fez da Austrália um destino procurado como nunca. Quem quer ver os caminhos tristes de uma velha senhora como o que é mostrado no bom filme “Central do Brasil”? Estamos falando de cinema propaganda, uma peça promocional etecétera e tal. Quando os estadunidenses falam do México, a brasileirada ri e acha que é isso mesmo. É porque o cinema é escuro e não tem espelho. Não vemos que somos iguais.
Só por causa da polêmica, já vale ver o tal do filme. O resto é bobagem.
2- Na esteira desse tipo de xenofobia ou de simples antiamericanismo, muitos se apressaram em escrever falando mal do repórter estadunidense que estava a bordo do Legacy que se chocou com o Boeing da Gol, matando mais de uma centena de pessoas. Uma tragédia cheia de interrogações. Bem, o repórter, que a bordo do Legacy, acompanhou de perto o sufoco pelo qual passaram tripulação e passageiros naquele aparelho, sem saber bem o que havia acontecido, foi execrado, xingado e mau tratado em cartas aos jornais, textos pela Web, Blogs e programas de rádio e TV. “Vá cuidar de seu país e de suas guerras”, dizia uma dessas circulares. O homem de imprensa fez o seu papel ao denunciar o problema de comunicação no tráfego aéreo brasileiro e, de quebra, defender os pilotos. Qual o que gringo safado, pensaram os chavistas, vocês derrubaram nosso avião e mataram os brasileiros. E agora, diante do grande apagão no sistema de controle? O que vão dizer? Certamente vão culpar a CIA ou a empresa que comprou o Legacy. Ou ainda a própria Embraer. Os estadunidenses sempre serão culpados por nossas desgraças. Senão, atribuir a quem?
Escrito por José Ruy Veloso Campos às 14h34
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PORGY & BESS LINEAR
 
SUMMERTIME NO JÔ: Vida dura, ali, corrigindo provas e mais provas, trabalhos e mais trabalhos, olheiras, exaustão e insegurança, como os demais professores horistas no país. É o retrato de minha mulher no final de ano. Além disso, uma dose de desesperança com o futuro de seus educandos que não lêem e não sabem da realidade do mundo à sua volta. Mas se anima com os que se esforçam e vencem. E não são poucos. Isso lhe devolve o ânimo e a razão de ensinar. Eu, chegado de um dia de enchentes e Metrô quase parando, falo de meus estudantes e vejo as enchentes nos telejornais. De repente, ao mudar de canal, um piano e uma cantora, um duo solitário, executa e canta Summertime essa fantástica ária da Ópera Porgy & Bess, de George Gershwin, que virou um sucesso mundial até hoje. O piano era perfeito, a cantora nem tanto. Faltaram falsetes e brincadeiras com a voz. Faltou blue e jazz. Minha mulher torceu o nariz. De minha parte, gostei do visual. A cantora era bonita. Era a Sandy, da dupla Sandy & Júnior, agora chamada de Sandy Leah, seu nome de batismo. Mais do que isso. Gostei de saber que as tendências sobre um reposicionamento do produto para a cantora e seu partner (e irmão) sobre as quais escrevi aqui neste Blog, estavam corretas. Esse é o quarto texto que trata do tema. Pois é. A aparição no Programa Jô Soares é apenas um balão de ensaio para o novo posicionamento de sua carreira, aos vinte e três anos de idade. Cheguei até mesmo a montar um projeto editorial sobre o tema, algo parecido com uma biografia autorizada. É um fenômeno que merece maior atenção, o dessa dupla e da moça em particular. Meu interesse começou em sala de aula, jogando para os estudantes a questão do trabalho infantil. Eles (a dupla) se enquadram nesse quadro crítico? A discussão é longa e rende bastante. Depois me interessei pelo reposicionamento da dupla, considerando que artistas mirins têm grande mortalidade artística por volta dos dezenove anos. Eles vão longe porque têm recursos. Já nasceram com os recursos dos pais que são artistas (a mãe é de fato a empresaria da família) e amealharam o bastante para virar a própria mesa. E vão fazer isso. Sendo bonitos e ricos, fica mesmo mais fácil. Agora, a Danni Carlos, tem mais suínge e Sandy podia prestar mais atenção ao jeitão dela.
Escrito por José Ruy Veloso Campos às 14h14
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