DIAMANTES DE SANGUE

SOBRE CINEMA E DEMOCRACIA: A indústria do cinema estadunidense sempre soube ganhar muito dinheiro contando histórias de oprimidos e em alguns casos se redimindo de suas culpas nessas opressões. Assim, contaram histórias sobre índios e o massacre que lhes foi imposto pelos brancos. “Enterrem meu coração na curva do rio” e “Dança com lobos”, são apenas dois exemplos dos mais conhecidos. Fizeram isso também com a América Latina: “Viva Zapata” e outros tantos que mostraram as mazelas abaixo do rio Grande, sempre com a mão da indústria armamentista fomentando conflitos dos dois lados. Depois trataram de purgar suas culpas através dos filmes sobre o Vietnã: “Apocalipse Now”, do Coppola e ”Platoon” de Oliver Stone, são os mais conhecidos. A primeira década do século 21 parece ser a década da África. Os europeus têm naquele continente mais culpas do que os americanos. Mas o cinema estadunidense viu a boa oportunidade de fazer o “cinema denúncia” internacional. Aliás, diga-se de passagem, uma coisa que eles, os estadunidenses fazem bem é denunciar suas mazelas internas sob a ótica dos filmes de ação e aventura. Tem muito brasileiro que gosta dos tiros, carros batendo e não se dá conta do que está por trás. Tudo isso para dizer que “Diamantes de sangue” é um bom filme. Tem muita ação com quadros horríveis, mas é bom e não tem tantos clichês. Di Caprio, quem diria, está muito bom. Claro que “O jardineiro fiel” do livro de Le Carré e dirigido pelo brasileiro Fernando Meirelles é mais suave (mas não menos aterrorizante) e foca nas paisagens diminuindo o impacto da brutalidade. Já “Diamantes” é sem anestesia. E dói. Vale a pena ver. A propósito, tem algo em comum com a visão de brasileiros conformistas: “This is África”. Mais do que isso, só assistindo.
A democracia: Malavasi, um amigo dos anos 1970, costumava dizer que o garanhão perde a vida quando começa a transar com a mulher do vizinho na cama dele, o vizinho, e de porta aberta. Fica folgado demais e não se dá conta dos que o observam. Tomara seja assim com chaves. Ele tem feito com a Venezuela o que garanhões fazem com a mulher do vizinho, só que com o prazer unilateral. Pior, os solavancos de sua audácia fornicativa têm atingido o Brasil e os petistas no poder ficam divididos entre entrar de vez nessa esbórnia ou simplesmente dizer que “não se pode emitir juízo de valor” sobre o tema. Ah, mas Chaves é a consolidação daquilo que boa parte dos petistas bolchevistas quer para o Brasil, ou melhor, para eles. O Brasil não é a grande fazenda rica em petróleo que é a Venezuela. Banqueiros e industrias nacionais (são tão poucas hoje) e estrangeiras, engolem medidas do Lula a favor da Argentina, Bolívia, países africanos e até mesmo a China, porque ainda não se lhes mexeram nas carnes. Enquanto o PT assalta os cofres públicos e a indústria ainda vende aqui e acolá, as “zelite” vão se agüentando. Se começarem a falar em estatização de tudo e a perpetuação do Lula no poder, aí vai ter reação. Como o PT sabe disso, vai indo com uma no casco e outra na ferradura. A história de não consolidar as PPP para as rodovias federais é mais uma dessas bobagens retrógradas que beiram o obscurantismo. Coisa dos “perfeitos idiotas latino-americanos”, como bem demonstraram Mendonza, Montaner e Vargas Llosa em seu livro de 1997 publicado no Brasil pela Bertrand Brasil. O Chaves é apenas um idiota latino americano, iletrado e metido a esperto. É um ladravaz cheio de discurso para os menos esclarecidos. E há quem goste dele dentro da Unicamp...
Escrito por José Ruy Veloso Campos às 12h59
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