CRATERA POLÍTICA

CRATERA POLÍTICA EM TRÊS TEMPOS:
1- Aberto o buraco na obra do Metrô paulistano no desastre que se viu na semana passada, soltaram-se os oportunistas e palpiteiros de todas as espécies. Até um doido desses de “sucesso em cinco minutos” fez-se passar por engenheiro do exército e deu entrevistas aos canais de TV. Houve quem criticasse o prefeito e o governador por irem abraçar pessoas aflitas na zona do resgate e nos velórios. Esse é um exemplo da parábola do menino o velho e o burro. Nunca vai estar bom para detratores, desafetos e descontentes atávicos. Se os homens públicos não aparecem, são omissos. Se aparecem, querem capitalizar. Devem aparecer mesmo. O prefeito e o governador representam a gestão da coisa pública e a solidariedade do Estado para com os desafortunados. É bom que aprendam também a visitarem policiais e bombeiros feridos em serviço ou prestar condolências às famílias quando eles perdem a vida. Até então, religiosos e políticos sempre se preocuparam em ser solidários com detidos e sentenciados. Falar bem das forças de segurança é feio no Brasil. Herança maldita dos tempos da ditadura, o descaso com a segurança pelos governos democráticos ainda acaba por levar-nos a perder os homens da lei para o crime. Por várias vias, e em todos os sentidos.
2- Um piloto da Continental Airlines, responsável por uma aeronave com 210 passageiros passou mal logo após a decolagem e morreu de infarto ainda no ar. A aeronave pousou numa rota alternativa conduzida pelo co-piloto e depois do susto todos seguiram para o México, destino original do vôo. Fosse no Brasil já se ia pedir uma CPI para saber do funcionamento das empresas aéreas e dos riscos etecetera e tal. Já não se comenta mais, mas os problemas de comunicação no tráfego aéreo continuam e as pistas de Congonhas, reformadas na gestão petista da Infraero, juntam água que causam aquaplanagem e, por isso, fecham nos dias de chuva. No fritar dos ovos, o governo atribuiu a TAM o apagão e ficou tudo por isso mesmo.
3- A idéia de transformar a ministra Dilma em virtual candidata à presidência em 2010 pode começar a emperrar o segundo mandato desde já, se é que já não está emperrado. Retrógrada, por um Estado gordo e dominante, a ministra posa de valente e deve invejar a atual mandatária do Chile. Ocorre que a distância entre a biografia das duas é muito maior do que a distância entre Brasília e Santiago. E não precisamos mais de Estado. Precisamos de investimentos e emprego, na iniciativa privada. Precisamos acabar com o aparelhamento do Estado. E Dilma é exatamente o oposto de tudo isso.
Escrito por José Ruy Veloso Campos às 18h47
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