O TURISMO BRASILEIRO NÃO É COMPETITIVO

O TURISMO BRASILEIRO NÃO É COMPETITIVO
O jornal Valor Econômico trouxe na página dois de seu caderno B de hoje, 26 de abril, notícia acerca de pesquisa realizada pela Unicamp (por encomenda do Ministério do Turismo) sobre o turismo brasileiro, cujos indicadores são de há muito conhecido pelos profissionais que atuam nessa área. A participação do turismo na entrada de divisas para diversos países do Caribe, por exemplo, é um dado bastante trabalhado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento, pela Organização Mundial do Turismo e também pela OIT. Os países europeus têm esses dados facilitados pelos seus órgãos de governo como Secretaria de Comércio e Turismo ou Banco Central. No Brasil o número de visitantes estrangeiros sempre foi meio duvidoso até que as informações ficassem mais claras na imigração, nas pesquisas em aeroportos e comércio dos portões de entrada. No começo da década de 1990 Luiz Renato Ignarra, economista com vários livros publicados sobre turismo, já mostrava o ranking do Brasil em números de entradas de visitantes. O mesmo fazia outro Luiz, o Gonzaga Godoi Trigo, um campeão em vendas de livros sobre turismo e o mais lido entre os estudantes dessa área. Eles e todos os consultores de turismo no país e também no exterior, falavam sobre a importância da Infra-estrutura como solução para o aumento da demanda turística. Caio Luis de Carvalho, então presidente da Embratur e depois Ministro do Turismo, constatou nas pesquisas que o lixo e a insegurança eram problemas que afastavam o turista estrangeiro. Sérgio Fogel e Guilherme Dutra, na Fundação Odebrecht (e depois Instituto de Hospitalidade) propuseram o desenvolvimento profissional para as populações da Costa dos Coqueiros, ao Sul de Salvador, Bahia. Norberto Odebrecht entendeu o espírito de Cancum e tratou de incentivar a construção do complexo turístico hoteleiro de Sauípe, também na Bahia. Caio Luiz de Carvalho implementou o projeto Costa Dourada, prevendo investimentos nos aeroportos e rodovias dos estados Nordestinos. E causou muita inveja nas regiões ao Sul de Salvador. Paulo de Paula, empreendedor na educação e no turismo, tem inúmeras propostas para implementar o turismo doméstico, beneficiando o seu Estado do Rio Grande do Norte. Os mineiros criaram as suas micro-regiões turísticas, como Serras e Vales e os paulistas já tiveram inúmeras divisões por regiões turísticas no Estado de São Paulo. Sobre o turismo doméstico, todo mundo sabe que as rodovias, fora do Estado de São Paulo, são mal conservadas e sem policiamento e que é um risco trafegar por elas. Todos sabem que a Varig, enquanto foi soberana no transporte aéreo civil no Brasil, voava pouco cobrando muito, nas linhas domésticas e internacionais e impediu durante quase três décadas o desenvolvimento do turismo brasileiro. Qualquer professor dos cursos de turismo sabe que a navegação de cabotagem foi outra vitória contra o obscurantismo nacionalista que não permitia que linhas estrangeiras de navegação oferecessem seus serviços para os brasileiros (e estrangeiros) nos cruzeiros rápidos na imensa costa brasileira. Qualquer professor de cursos de turismo sabe o potencial do Brasil é grande, que nos faltam infra-estrutura, estradas e segurança e que o Caribe é bem mais perto dos Estados Unidos do que a cidade do Recife ou do que a decadente Rio de Janeiro. Sabem também que faz apenas doze anos que os equipamentos hoteleiros começaram a melhorar com padronização internacional e que o Sebrae, o Senac, a CUT, o Senar e até o Senai, de há muito oferecem capacitação de mão de obra nos mais diferentes e distantes cantos do país. Todo mundo sabe também que sindicatos foram favorecidos com verbas do FAT para capacitação de pessoas e que muitos cursos fantasmas foram registrados. Enfim, muitos sabem muito sobre o turismo. Será que o Ministério do Turismo sabia dessa gente toda? E será que a Unicamp ouviu essas pessoas? Saber todo mundo sabe. Dureza mesmo é ver que as PPPs da vida, os PAC e outras besteiras movidas a siglas, nunca sairão do lugar. E continuaremos ruins no turismo por absoluta falta de infra-estrutura e dinheiro no lugar certo. Será que eles sabem disso?
Escrito por José Ruy Veloso Campos às 19h33
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