A TV ABERTA E AS HOUSEWIVES:MERCHANDISING
 
A TV ABERTA E AS HOUSEWIVES:MERCHANDISING
A Rede TV está com os trabalhos adiantados para as gravações da série Desperate Housewives, uma produção da Disney (ABC Network) que está na sua terceira temporada nos Estados Unidos e é visto no Brasil através do canal da Sony, pela TV paga. Pensada por Ângela Shapiro, atual presidente da Fox TV Studios, quando ainda trabalhava na ABC Studios, um dos braços do mundo da comunicação e entretenimento da Disney durante o reinado do polêmico Michael Eisner (1984 / 2004) como presidente do Conselho da empresa, a série é um comedydrama que reúne um misto de soap opera, ação e uma certa complexidade dramática e já teve várias indicações para vários prêmios além de dar fama para suas intérpretes e alavancar o mundo do merchandising. É uma boa receita para os estadunidenses e também para os latino-americanos. A Argentina já está entrando na segunda temporada com sua produção local (Amas de Casa Desesperadas) e com provável distribuição para os países “hermanos”.O “Donas de casa Desesperadas” que será produzido no Brasil já elegeu suas atrizes, entre elas Lucélia Santos, Sonia Braga (morre no primeiro capítulo e depois narra a história) e Izadora Ribeiro, no papel de uma separada excepcionalmente sensual. Os homens, que são sempre coadjuvantes, ainda não foram divulgados. E o que tem isso tudo? Tem que é mais um canal de bom merchandising, discreto e bem profissional para o mercado dos anunciantes. Num feriando desses, eu vi um trecho de uma novela das seis da Globo. O merchandising deles é muito pouco disfarçado e até agressivo. Uma cena mostrava crianças pré-adolescentes numa aula particular de inglês fazendo colagem de figuras com as palavras em inglês. A câmera fechava sobre as figuras e lá estava o OMO ainda em p&b numa revista O Cruzeiro, provavelmente. As crianças se sujaram de forma absolutamente inverossímil como escada para que a empregada dissesse: com esse sabão aí, ó, sai tudo facinho, facinho. Argh! A TV aberta brasileira já tem outras séries americanas dubladas (Friends, My wife and kids, CSI, Álias) e contam com boa audiência. Uma série de maior aderência ao público da TV aberta como House Wives, apresentada uma vez por semana, vai permitir maior sutileza na inserção de merchandising no dia-a-dia de seus personagens, em suas casas, seu trabalho e sua interatividade. Uma vez por semana gera maior compromisso de fidelidade do expectador. Não é como a novela brasileira que ficando três dias sem assistir, o expectador nada perde. Nas novelas, a história é lenta e enrolada. As séries estadunidenses mostram uma história a cada episódio embora a seqüência se mantenha. Mas é mais envolvente e atrativa. Gera maior fidelidade, até porque se o expectador perde o episódio, terá dificuldade para vê-lo depois, diferentemente dos canais pagos. Além disso, se mantido um padrão próximo ao da série original, o uso de produtos pelos personagens vai se incorporando de tal forma que o expectador identifica-os sem sentir que estão vendendo algo para ele. Tomara que de certo.
Escrito por José Ruy Veloso Campos às 14h29
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