A USP, STANELY KRAMER E ANTHONY QUINN
A USP, STANLEY KRAMER E ANTHONY QUINN
Lá estão cerca de trezentos estudantes da USP acampados na reitoria, onde entraram à força, reivindicando uma posição daquela instituição pública contra decretos assinados pelo atual governador. Fazem isso desde o dia três do corrente mês, há quatorze dias, portanto. Reivindicar é saudável. Protestar contra aquilo que pode prejudicar a sociedade ou um segmento dela é justo. O problema está na forma. Dizem os noticiários que esses estudantes, escudados pelo Sindicato dos trabalhadores da USP, arrombaram armários, abriram, leram e divulgaram documentos sigilosos e fizeram uma grande farra, no melhor estilo do MST, invadindo a fazenda de FHC, quando ele era Presidente da República. E todo mundo fica receoso de tomar uma posição mais dura. Polícia no campus? Imagine! Aqui é um lugar de democracia e liberdade. Como assim? Liberdade é poder quebrar e invadir? Esse número de estudantes representa de fato a população acadêmica da universidade? E os gestores da universidade, o que fazem para colocar ordem no recinto? Li num jornal que os invasores reivindicam aumento das moradias do CRUSP (centro residencial da universidade), mas que muitas daquelas moradias estão ocupadas por gente que já terminou os cursos e não quer sair. Como assim, não quer sair? Onde está a lei? Quem manda na universidade? Não são capazes de impedir que a gente ande de bicicleta nas alamedas do campus? Por que não impedir que essa gente ocupe indevidamente os apartamentos? É uma cultura difícil. Às vezes dirigentes da coisa pública confundem respeito e liberdade com permissividade e vandalismo. Talvez porque não tenham problemas na hora de prestar contas pelos gastos gerados por esse tipo de tolerância. Quebrou o Estado conserta (com alguma demora, é claro), como fazem os rebelados nas prisões e nos abrigos para menores. Há uma tolerância exagerada na gestão pública. Às vezes é possível que ela, a tolerância, encubra o corporativismo ou uma simples incompetência gerencial. A vida acadêmica, também às vezes, parece passar longe da realidade operacional de qualquer coisa. O respeito à universidade, à vida acadêmica é bom e necessário. E ele deve começar lá dentro, impondo limites. Dialogar é preciso. Respeitar ainda mais. Um protesto desse tem cores nítidas de domínio sindical, cujos dirigentes jamais se afinaram com as cores tucanas e muito menos com José Serra. É apenas uma oportunidade de criar fatos desestabilizadores. E tem estudante que entra nessa. No tempo da Guerra da Maria Antonia, dizia-se que eram “inocentes úteis”. O próprio Suplicy foi assim chamado. Hoje são apenas massa de manobra dos sindicatos, numa república sindical, cujo dirigente maior anda falando contra as greves no setor público. Um quadro difícil para quem elegeu um sindicalista. Enfim, a polícia deveria ter sido chamada há dias. Não é possível permitir esse tipo de bandalheira. Já basta o MST acabando com propriedades por aí, em atos de guerrilha aos quais ninguém quer por fim com medo de ser chamado de gorila. Gorilas são esses invasores que desrespeitam o patrimônio público e a hierarquia acadêmica. Eles têm que pagar pelos estragos e pelos dias perdidos, além de serem processados pelo constrangimento que causaram com a divulgação de documentos. Fora com essa gente!
Sobre o assunto, vale a pena resgatar um filme de 1970, dirigido e produzido por Stanley Kramer e interpretado por Anthony Quinn e Ann Margret. Quinn faz um professor liberal que anda de moto e tem caso com estudantes bem mais novas. No meio dos tumultos reivindicatórios dos tempos do Vietnã ele é indicado pelos baby boomers da época para a direção do Campus. Gerenciar não é o seu perfil, mas um dia ele se vê diante de um dilema: chamar ou não chamar a polícia? O título do filme é RPM- Revolutions per minute, e pode ser encontrado ainda em VHS da Sony Pictures. É um bom filme e você verá que decidir é preciso. Divirta-se.
Escrito por José Ruy Veloso Campos às 23h20
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O PODER E O CONTROLE DA INFORMAÇÃO.

Nesses tempos em que a América Latina começa a ter espetáculos pontuais de desprezo às liberdades de expressão, comércio e informação, nós os brasileiros, devemos estar em alerta permanente contra as tentações dos petistas em atentar contra esses princípios que são o alicerce das sociedades democráticas, ou das mais próximas delas. A perspectiva gramsciana de boa parte dos partidários de Lula é responsável pela permanente vontade de cercear a informação e outras liberdades de expressão. Essas tentativas vêm sob diversas formas, explicitas ou não. Começaram com as tentativas da criação do CNJ e da ANCINAV, caminho pelo qual os sindicalistas “compañeros” teriam controle sobre a imprensa, cinema e TV. A chiadeira foi grande e procederam àquela retirada estratégica. Mas estão longe da desistência. Trata-se apenas de uma tomada de fôlego. Enquanto isso, vão preparando a TV Lula que deverá “veicular informações negadas pela grande imprensa”(?!). É sempre assim com esses marxistas enferrujados e os ne-comunistas locupletadores: Se não estão conosco, estão contra nós. Dia desses, num evento, topei com uma jornalista dessas atuantes nos sindicatos. E fomos falando, levemente, dessas questões. Ela foi didática: “quando o fulano (não me lembro do nome) teve a idéia do CNJ, achou, inocentemente, que os sindicatos e os jornalistas apoiariam sem maiores problemas. O Lula achou bom e foram em frente. Foi uma ingenuidade. Os donos dos jornais caíram de pau.” Mas qual é mesmo o grande serviço que o CNJ pode prestar à imprensa? Ela foi enfática: “a liberdade de escrever a notícia que achar importante, independente da opinião do dono do jornal. É uma questão ética”. (?!) que funciona, por exemplo no Clarim (Argentina). E falou das matérias sobre a morte do capitão da empresa Folha da Manhã: “elogiaram o cara, quando todos sabem que ele navegou bem e cresceu nas águas turvas da ditadura. A Folha cresceu enquanto o Estadão sofreu”.Aleguei que hoje o PT é contra o Estadão: “Não é. O Estadão é que só mete o pau no Lula”. Ponderei que o Estadão sempre manteve sua linha democrática, através da qual defendeu o Lula sindicalista e seus compañeros, por muito tempo. “Mas é contra um governo que apóia as bases e por ela é apoiado”. E o Mainardi? “Mente, só mente. É pago para mentir. Tem uma página para mentir”. Mas e o caso Franklin Martins? Era mentira? “Claro. Os parentes do Franklin são funcionários de carreira. Nada a ver”. Lembrei sobre Paul Wolfowitz, o presidente do BIRD e sua namorada de carreira: “Nada a ver. Aquilo também é armação dos Democratas contra o Bush!” E o Bush? É amigo do Lula e a favor do CNJ? “Viajou”. Perguntei: “Você já deu uma olhada no livro Gramsci e o Estado? “Para com isso! O que o Lula fez pelo Brasil em quatro anos, os militares não fizeram em quase trinta e o FHC não faria em 40. A imprensa quer é privatizar tudo”... É preciso ter paciência.
Escrito por José Ruy Veloso Campos às 23h09
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