THE GILMORE HAS GONE
THE GILMORE HAS GONE
José Ruy Veloso Campos
Patrulheiros e viúvos (as) do muro de Berlim regozijai-vos! Vou falar de meu gosto por sitcom estadunidenses. Eu gosto de alguns e muita gente gosta de muitos. Os chavistas e lulistas, com certeza, vão dizer que TV boa é aquela que toca hinos nacionalistas durante o dia e fecha a programação ao som da Internacional. No máximo, se permitem a assistir ao National Geographic. E buscam ignorar quem produz aquelas matérias tão bonitas. Programas bons só mesmo o Roda Viva e o Observatório de Imprensa. Os programas são bons mesmo. Mas podemos ver outras atrações sem culpa. Muita gente admite num coffee break, num aniversário de criança ou numa reunião de colegiado (pode ser de condomínio também) que assiste os tais CSI, Six feet under, Cold case e outros. No nosso universo doméstico não desprezamos outros títulos que estão no ar ou já acabaram: Friends, EverWood, Desperate Housewives, Gilmores Girls, Everybody loves Raymond, Two and a half men. Não acontecem todos os dias e dão de mil a zero nos textos dessa tal de Gloria Perez ou nesses chatos que escrevem novela para dizer que o Rio de Janeiro é bonito e empurram goela abaixo na pobre TV aberta um par romântico como a Gloria Pires e o tal do Marcelo Anthony. É dureza! A vantagem desses sitcom enumerados acima é que eles são mais verossímeis, embora o Desperate tenha misturado na sua última temporada aqueles mistérios de porão ao gosto dos estadunidenses. Mas vá lá. São mais verossímeis por tratarem da rotina de famílias, de relações e de dificuldades sociais nas comunidades. Às vezes os roteiristas capricham nos problemas e parece que se está diante de um grupo de problemáticos. Mas o humor é inteligente, descomprometido, solto e, aí a melhor parte, não tem perseguições de carros, afogamento em banheiras ou lutas dentro de cozinhas cheias de chapas quentes e caldeirões fervendo. Tampouco saem da água cadáveres em decomposição. É entretenimento Só isso. A receita bruta da TV a cabo era, em 1999 (TRIGO, 2003,27), da ordem de setenta bilhões de dólares, contra 130,4 bilhões de dólares gerados pelo esporte, outro entretenimento. Hoje isso pode ter dobrado, mas nem me dou ao trabalho de pesquisar. É entretenimento leve e envolvente. No meu ambiente doméstico, nosso adolescente não perde a Eva Longoria (Desperate), a dona da casa é fã da Gilmore mãe e eu gosto da personagem de Felicity Huffman (Desperate) e do pai do Raymond (cujo ator Peter Boyle faleceu em dezembro de 2006). Personagem de sitcom não cansa o espectador. Mas tudo isso para dizer que ficamos tristes com o final da série Gilmore Girls. Gilmore Girls é ambientada em uma pacata cidade fictícia chamada Stars Hollow e trata dos encontros e desencontros amorosos, profissionais e acadêmicos de Lorelai, a mãe e Rory, a filha. A mãe, que engravidou na adolescência, resolveu criar a filha longe dos pais milionários e, por ser muito jovem, tornou-se também a melhor amiga de sua única herdeira. O primeiro capítulo da série foi exibido nos Estados Unidos em cinco de outubro de 2000, e estreou no Brasil em 23 de outubro do mesmo ano. De acordo com notícias do mundo dos sitcom, a decisão de terminar a série deu-se por conta da saída de Amy Sherman Palladino, que criou as personagens, da produção dos roteiros. Depois disso, sob o comando do produtor executivo David Rosenthal, os roteiros geraram muitas reclamações dos fãs e, ao mesmo tempo, pesquisas qualitativas apontaram para um certo cansaço depois de sete anos de convívio com a família e personagens satélite do mundo de Stars Hollow. Mas para os fãs que trabalham à noite e têm dificuldades para assistir a essas séries, nada era cansativo. O prefeito de Stars Hollow resolvia tudo em assembléia, só com um conselho comunitário aberto. O pai/avô da Gilmore era um former studant de Yale e fazia o merchandising da universidade, insistindo para que a neta estudasse lá. E lá ela se formou. O cachorro da mãe era o Paul Anka, astro dos anos 50/60 conhecido no Brasil com suas canções Diana, My Way e Lonely Boy. A menina Rory e suas amigas eram democratas enquanto o avô provedor era um republicano que diz no final: paraninfo bom teria sido o Bill Clinton: não é um bom político, mas fala bem e é culto. Nas últimas cenas a nova graduada em jornalismo arrumou um emprego (a razão do final da série é a sua formatura e a saída oficial de casa) como jornalista de uma revista on line e vai acompanhar a campanha presidencial de quem? De Barac Obama, o Senador Democrata que disputa com Hillary Clinton a candidatura à presidência dos EUA. E não é melhor ver isso do que agüentar o Renam Calheiros ou o Marco Aurélio Garcia falando bem do Chaves? The Gilmore has gone. So sad...
Escrito por José Ruy Veloso Campos às 22h54
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