TURISMO E ESTUPIDEZ
QUANDO TURISMO É SINÔNIMO DE ESTUPIDEZ
José Ruy Veloso Campos
Entre os anos 1980 e 2000, tive a oportunidade de participar, todos os anos, de eventos internacionais que tratavam de hotelaria e turismo. Fosse no Canadá, na Espanha, no México, Portugal, França, Suíça, Argentina, Chile, Áustria ou República Dominicana, as sessões de abertura e encerramento dos congressos, seminários ou qualquer que fosse o evento, sempre contavam com a presença de um representante oficial do órgão de turismo. Só não me lembro disso nos Estados Unidos. A valorização do evento pelo Estado era coisa para brasileiro estranhar. Primeiro pela grande participação da indústria que equipa ou presta serviços nessa atividade econômica. Todos os cartões de crédito se faziam presentes como sponsors no transporte, na alimentação ou em espetáculos aos quais os participantes iam assistir. Segundo pela importância que o Estado dá para essa atividade econômica. No Brasil era muito difícil de se conseguir uma adesão daquelas: Amex, GE FrigoBar, Nestlé, Hilton, Diners, Mercedez Benz, General Mills, Phillip Morris/ Kraft e outras tantas bandeiras estavam sempre presentes apoiando as iniciativas do trade turístico local. Foram anos de sentimentos de inveja. Inveja porque no Brasil não se consegue esse tipo de apoio e porque, por mais esforçado que fosse o titular oficial do Turismo (nos anos 1990 Caio Luiz de Carvalho praticamente dominou o cargo) não há dinheiro e autoridade suficiente para fazer valer a real importância do turismo na economia do país. Criar um ministério, nos tempos de FHC, já foi um grande passo. Porém, como para as demais áreas, falta sempre o dinheiro. A questão que nos interessa nesse texto é a relativa importância que se dá ao tema no país. Tratar do turismo, por mais sérias que sejam as intenções ou os estudos (vejam as pesquisas do professor Wilson Rabay para a revista “Turismo em números”), é secundário. O turismo é sempre visto como algo menor, sem importância e até fútil. Tratam de uma questão séria como se tratassem de um grupo de crianças indo para a Disney que, a propósito, é algo sério e merece atenção sob vários aspectos. Uma vez convidei a atriz Nair Belo a dar um depoimento para um anúncio de um hotel de lazer. O texto que preparei para a foto dela dizia algo como “lazer no hotel tal não é comédia. É coisa séria”. Ela me fez corrigir e disse que não queria passar a impressão de que ser comediante não era coisa séria. Pois é. Mas não é assim que, regra geral, se vê a atividade do turismo. E foi assim que o Lula enxergou a oportunidade de acomodar a companheira Marta Suplicy depois de sua derrota para a reeleição à prefeitura de São Paulo. Depois de Mares Guia no ministério do turismo, colocar lá a Marta soou como uma provocação. Mas foi pior. A própria ministra se encarregou de firmar a imagem da falta de seriedade do assunto, ajudada pelo besteirol do seu presidente Lula. Lançar um plano de turismo para o período de 2007/2010 (nada de novo. Vão assaltar os aposentados de novo) foi um desastre total, da fala presidencial (batendo contra a imprensa que dá “más notícias”, o presidente estava mesmo numa ressaca brava) até o encerramento quando Marta disse aos jornalistas que os passageiros que enfrentam o atraso nos aeroportos devem “relaxar e gozar”. Essa senhora e sua arrogante estupidez apenas contribuem para “desconstruir” (bem ao gosto “republicano” dos petistas gramscianos) a imagem do turismo no país. Ah, me curvo apiedado ao esforço de anos para melhorar o cenário do turismo, de seus estudiosos e de seus profissionais, que foi desenvolvido por amigos como Luiz Trigo, Dóris Ruschmann, Marília Ansarah, Miriam Rejowski, Luiz Renato Ignarra, Silvio de Barros, Ada Dencker, Geraldo Castelli, Caio Luiz de Carvalho, Marlene Burato, Haroldo Leitão, Gracira Cabrera, Célia Serrano, Margarita Barreto, Mário Beni, Beatriz Lage, Sara Bacal, Sergio Fogel, Virgílio de Carvalho, Sonia Marly e tantos outros diante dos quais, essa senhora Marta deveria genufletir e pedir perdão. Essa senhora se nos cospe no rosto e não pode representar o turismo brasileiro. Fora com ela!
Escrito por José Ruy Veloso Campos às 23h31
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|