TRISTEZAS
  
TRISTEZAS
Bush, Lula e Chaves são pragas da mesma espécie com variações de formato e comportamento. Os três são autoritários, querem ficar no poder até morrer, favorecem apenas os amigos, se pudessem acabariam com a imprensa e com seus críticos, espionariam deus e o mundo e fariam a humanidade mais fria e iletrada. São uns ogros servindo a oportunistas e acabando com as nações que dirigem.
Não há prova mais concreta do que aquelas que envolvem o descaso deles com o concreto de rodovias, pontes e aeroportos. São todos iguais. Na Venezuela o grande viaduto que ligava o litoral, onde fica o aeroporto que serve Caracas, a capital, quase veio abaixo por pura falta de manutenção. Imaginem o resto, que não é caso de noticiário internacional. No Brasil não é preciso (nem é possível) enumerar todos os problemas com concreto e asfalto. Estradas que cruzam Minas Gerais ou que levam ao Paraná têm viadutos danificados e já causaram desastres e mortes de arrepiar. Não vamos falar das pistas dos aeroportos, da segurança no controle do espaço (e tráfego) aéreo. É o caos. Mas aqui é a América Latina, sem a ética protestante de que fala Weber. E na terra do Tio Sam? Como isso pode acontecer? O Bush não gasta milhões no Iraque e mantendo bases mundo afora? Não gastam investindo na Coréia do Norte e em países europeus com nomes impronunciáveis? E como podem os estadunidenses trabalhadores e contribuintes ficar à mercê do tempo como foi o caso das vítimas do Katrina cujo socorro Bush levou três dias para iniciar? (o Lula levou três dias também para falar sobre o acidente com o avião em Congonhas) Com tanto dinheiro, como os EUA podem deixar em ruínas suas pontes e estradas? Como pode o governo Bush permitir um desemprego desenfreado beneficiando as empresas estadunidenses que foram se instalar no México pagando salário de fome para os camponeses abaixo do Rio Grande? Que humilhação para o finado e republicano John Wayne essa da ponte cair sobre o rio Mississipi matando contribuintes inocentes! Isso para não falar da possibilidade de astronautas da NASA terem embarcado bêbados na nave espacial. Cadê o primeiro mundo, Santo Deus?
Não há primeiro mundo quando gente como Bush, Lula e Chaves ganham o poder. Aqueles que os colocaram lá em cima não sabem o que é valor humano e não pensam no amanhã. Querem apenas o lucro (profit, ganancia) fácil e imediato. O povo que se dane. Eles são banqueiros e industriais. Lá e cá. Nem todos, é claro, mas alguns muito poderosos e que fazem a diferença, para o mal.
Lula, Bush e Chaves: que o inferno consuma suas almas causando-lhes muita dor e sofrimento.
Escrito por José Ruy Veloso Campos às 13h31
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JANE FONDA

CINEMA 2 – JANE FONDA
Jane Fonda foi musa e objeto sexual de Roger Vadim; militante contra a Guerra do Vietnã; mulher do mais poderoso homem da TV no mundo; instrutora nos seus vídeos, de exercícios para manter a forma. Agora é atriz de idade assumida, navegando entre o drama e a comédia. Assim está em “A Sogra” e agora em “Georgia Rule”. É ótima. Dramática, bonita, com rugas ao vivo, e força nas suas expressões. Em “Geórgia Rule” ela contracena com duas atrizes com peso no atual cinema estadunidense: Felicity Huffman e Lindsay Lohan. Huffman, que é uma das principais no seriado “Desperate housewives” também está ótima em “Transamérica” no qual faz um transexual. A história de “Geórgia Rule” é tragicômica, contada com leveza e algum humor. Trata de uma relação familiar despedaçada no interiorzão caipira dos EUA, em Idaho. Quando vejo filmes assim, me pergunto por que não se produzem filmes parecidos aqui no Brasil. Por que precisamos de tantas histórias do folclore nordestino? Podemos tratar de uma temática comum, situando-a geograficamente no Pantanal, em Barretos ou na Chapada dos Veadeiros. Além do entretenimento, teríamos mais para mostrar do país lá fora. Enfim, nada a ver com os filmes dos monstros que nos deixaram entre ontem e hoje. “Geórgia Rule” é outro cinema, do povão mesmo. Mas é uma idéia para essa gente que quer fazer cinema onanístico onde só eles, diretores, podem gozar.
Escrito por José Ruy Veloso Campos às 16h14
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BERGMAN E ANTONIONI

CINEMA 1: BERGMAN e ANTONIONI
Foram-se dois grandes ícones dos Cine Clubes das décadas de 1960/1970. Bergman nunca foi compreendido pelo grande público.Fazia um cinema que era ele ou dele. Introspectivo, tratava das coisas de sua infância e juventude ou analisava pessoas complicadas. Com meus dezesseis anos vi o título “Quando duas mulheres pecam” (o título original é “Persona”) e pensei, como os demais de meu tempo, naquelas cenas que rolariam com sexo entre duas mulheres. Qual o que. Foi difícil compreender aquela linguagem se é que a compreendi na primeira vez, ainda que já tivesse aulas com o Alberto D´Aversa, que falava sobre a sensibilidade do cinema para retratar sutilezas dramáticas. Era atroz o sofrimento de Bergman e o nosso de expectadores à época. O Nelson Chaves dizia que aquilo era um cinema alienante, coisa de país rico que o povão não entendia. Bom era o Glauber. Que também ninguém entendia. “Morangos silvestres” e “Gritos e sussurros” eram o melhor das discussões na porta do cine Bijou, ali na Praça Roosevelt e nas mesas do “Redondo Bar”, em frente ao teatro de Arena. Eu fazia pose e procurava entender as discussões. Bergman era mesmo um cineasta de elite. Era preciso gostar de ver, analisar, entender e discutir. Tudo muito “anos 1960”. Mas precisamos desse cinema, como precisamos da filosofia, da sociologia, da teologia, da numismática e tudo o que não é popular. Precisamos preservar essa linguagem, essa forma de ver e de contar as histórias. Bergman já é história.
Já Antonioni era mais acessível ainda que “Blow up” (Depois daquele beijo) não fosse nada linear. Era o início da ditadura. A patrulha dizia que os militares iam fazer lobotomia nos opositores, o que não acontece no filme e só aconteceria muito mais tarde em “Um estranho no ninho”, que nada tem a ver com o Antonioni. “Um estranho...” foi dirigido pelo Checo / americano Milos Forman que é outro grande nome do cinema. Mas Antonioni em sua fase de filmes em inglês dirigiu também “Zabriskie Point” que trata da revolta da juventude estadunidense contra o stablishiment com direito ao som de Pink Floyd e muito protesto em tempos da Guerra do Vietnã. “A Noite” é um clássico que reúne Mastroianni, Jeane Moreau e Mônica Vitti e foi também deliciosamente discutido e comentado à época. São poucas as locadoras nos dias de hoje que têm essas jóias disponíveis. O segredo está em comprá-las e guardá-las, como faz o Juvenal Alvarenga. Como no caso de Bergman, estamos precisando de cineastas que façam coisas belas e “cabeça”. Antonioni aprendeu cinema no neo-realismo italiano. Quer mais o que?
Escrito por José Ruy Veloso Campos às 16h08
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