Luíza faz muito bem o "Me faz bem".
“Me faz bem”, de Luíza Possi, é bem feito.
Quando a conheci era ainda uma criança lá na terceira ou quarta série do ensino fundamental. Ficou amiga de minha filha mais nova, a Camila, e formaram uma pequena turma para trabalhos escolares, vai-e-vem entre as suas casas e algumas daquelas baladas do tipo “mingau”. Integravam o grupo o Lane, o Rufo, o Bruno, o Beny, a Carol, a Saes e a Lígia. Entre os trabalhos escolares que precisaram fazer, rolou um vídeo em que cantaram e declaram poesias. Era o embrião do que seriam no futuro. Hoje a Camila é formada em cinema e vai tateando nesse mercado e Luíza virou cantora pra valer. Aliás, se tinha algo que ela levava a sério eram as aulas de canto e de balé. Curtia o som da mãe, a Zizi, e tinha nela um modelo.
Achava a profissão do pai, produtor musical, o máximo. Tinha no sangue o DNA de artista. Hoje segue com cautela a sua jornada profissional. E canta bem. Canta muito bem, sem forçar, sem maquiar o som. É uma garganta aveludada, sensual e madura. Sabe como interpretar. Tem voz e talento. Hoje me deparei com ela cantando na UOL a canção “Me faz bem”. E faz bem mesmo. Para quem ouve e para quem canta. Luíza faz “Me faz bem” muito bem feito. É do ramo. Fico orgulhoso da turma da Camila. Um pessoalzinho “direto ao ponto”. Alguns já viraram empresários, outro já está a quase na Fórmula 1 e as outras crescendo em suas profissões. É uma geração dos anos 1980. Foram educados na Escola Pacaembu, que era dirigida por educadoras responsáveis e com os olhos no futuro. Sua clientela era heterogênea na renda e homogênea nos objetivos educacionais: queriam o melhor para os seus filhos. A escola não fazia diferença entre os seus clientes (aliás, proibiam a ostentação na escola) e as educadoras estavam sempre prontas a ouvir, acatar ou orientar os pais. Não era uma escola barata, mas oferecia um benefício enorme para o custo que diminuía ao se ver os resultados. A escola se constituía, antes de tudo, num bom ambiente. Foi bom. Valeu.
E aí estão elas e eles, Luízas, Camilas, Carols, Brunos e Benys que não conhecemos e que devem estar trilhando bons caminhos.
Educação é um valor imensurável.
E a Luíza? Ah é claro, comprem o CD e o DVD, porque ela é demais. Melhor do que a Sandy do que a Vanessa e, arrisco, do que a Maria Rita. Duvida? Compre o CD.
Escrito por José Ruy Veloso Campos às 22h06
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O debate dos Democratas
Para quem não viajou no feriadão o debate dos pré-candidatos do Partido Democrata dos Estados Unidos foi uma alternativa de programa na noite de garoa do dia 15 de novembro. O evento transmitido pela CNN foi realizado na Drexel University, na Philadelfia num grande auditório onde estavam separados imprensa e o público geral. Conduzido pelo jornalista Brian Williams, o debate não parece ter tido grande altos e baixos. Hillary Clinton foi quem se saiu melhor e a impressão, às vezes, era a de que perguntas dos jornalistas serviam de escada para suas respostas inteligentes. Barack Obama teve uma atuação decepcionante, tendo em conta a projeção de seu nome como um candidato absolutamente diferente: negro e democrata. Foi superado por outros, desconhecidos de nós brasileiros, que falavam e respondiam com mais ênfase o que lhes era perguntado. A senhora Clinton pareceu poupada pelos debatedores e só teve maior contundência nas perguntas por parte de um jornalista chamado Tim Russert. Ela se esquivou das questões sobre ataques terroristas, sobre a América Latina e sobre restrições aos imigrantes. Por causa disso o debate ficou um bom tempo polarizado entre ela Obama deixando os outros debatedores como mero expectadores. Quem quer se comprometer? Falou sobre questões da saúde, da mulher e dos agricultores. Que não se duvide de que uma vez no poder, ela mantenha (e aperte) as restrições aos produtos de agro-negócio de outros países. Um senador do Delaware chamado Joe Biden foi também esperto diante das câmaras e deu respostas hilárias para os jornalistas ganhando aplausos da platéia. Hillary foi a dona do espetáculo, mas a imprensa estadunidense anda dizendo que a classe média consciente (isso significa as duas Costas, Leste e Oeste) anda cansada de ver na Casa Branca o entra e sai das famílias Bush e Clinton. Pode ser, mas há uma grande diferença entre as raízes e intenções dessas pessoas. Isso é claro como a luz. Por que assistir ao debate com sono e perdendo palavras aqui e ali? Porque é um debate político e sempre nos interessa. Afinal, eles ainda dão as cartas no mundo. E depois, só de ver o cenário, a organização e a educação dos debatedores que não se agridem e nem falam fora de seu tempo e do público que se limita aos aplausos, a gente tem um pouco de inveja e fica pensando que estamos chegando lá, isto é, se os banqueiros não fecharem com Lula o terceiro mandato.
Escrito por José Ruy Veloso Campos às 20h17
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