PERDAS

PERDAS - Foi-se Michael Jackson. Teria que ir um dia. Mas não precisa ser assim, às vésperas do início de uma turnê. Dizem que ele, nos últimos tempos, estava como o Elvis, também no seu final: todos mandavam menos ele. Estaria perdido e sem noção da realidade. Teria acertado por um milhão de dólares uma entrevista em Londres e acabou recebendo apenas duzentos mil. O resto teria sido rachado entre a antourrage. Foi um menino complicado, cheio de problemas que, parece, deixaria o Freud encabulado. E quem na verdade se aproximou dele para ajudá-lo? E os tratamentos feitos para perder a pigmentação preta da própria pele? Por que os médicos toparam fazer isso? Ninguém para propor seriamente um tratamento psicológico? E o pai? Vestido de malandro carioca dos anos 1950 divulgando seus produtos e serviços, às gargalhadas, nas entrevistas sobre a morte do filho? E as revelações de que os filhos não são seus filhos e sim filhos que não são filhos. E essas mulheres que se sujeitaram gerar essas pessoas sem pensar no seu amanhã? E a mídia? E os pais daquelas crianças que um dia dormiram na cama do Rei do Pop? (ele diz que dormia no chão, ao lado) Quanto dinheiro eles pegaram nos acordos feitos para livrá-lo das denúncias de pedofilia? E os advogados? E os empregados da mansão que acabaram fazendo (e retirando) denúncias logo negociadas por dinheiro de varejo? Ah, vida! O rapaz era problemático, como problemáticos são tantos famosos que vêm do nada e se transformam em celebridades. Lembremo-nos de nossos jogadores de futebol que de repente estão na Europa ganhando quase um milhão de Euros por mês e dois anos antes ainda moravam à beira da favela. Não estudaram e muito menos têm preparo emocional para enfrentar essa nova realidade. Michael, como Elvis e tantos outros, era frágil, pobre vítima do próprio sucesso e da ganância dos que o cercavam. Era inteligente e conseguiu ter por muitos anos os direitos autorais das músicas de Elvis Presley e dos Beattles. Agora ele é um outro ídolo morto. Já dizem que, a exemplo do herói de Memphis, no Tennessee, ele também não morreu. É bom que ele, como o Elvis, permaneça vivo. Vai gerar emprego e renda com o turismo, mas poderá, sobretudo, ficar presente na memória de alguns os males que podem causar o dinheiro àqueles que não têm preparo para conviver com o cinismo do mundo fake.
- Foi-se Sarah Farrah Fawcet Majors. Ao morrer já não assinava mais Majors que era nome do marido lá nos anos 1970. Sara não pegou como boa atriz. Mas ficou na cabeça de uma geração como uma mulher linda, de olhos estonteantes e um corpo longelíneo. Parecida com ela só conheci, no começo dos anos 1980, a brasileira Regina Rocha Brito. Essa brasileira era um páreo duro até para a Sara. Mas ela se foi e deixou também um legado. Deixou gravadas suas falas sobre o enfrentamento de sua doença terminal, o câncer. Tudo bem que ela não foi a primeira estadunidense a fazer isso e não terá sido a última. Mas ela e o atual marido se reconciliaram e ele, também sofrendo desse mal, ficou ao seu lado até a sua partida. Uma solidariedade mineira de Otto Lara Rezende. É possível que aproveitem para relançar um DVD das Panteras daquela época. Ou que as TVs passem alguns episódios para mostrar quem era a Sara. Tudo bobagem. O fato triste é que ela deixou a vida terrena ainda jovem (62) para os padrões holliwoodianos. Com tanta beleza e sucesso, não conseguiu manter-se no estrelato, não manteve o casamento e ainda acabou vítima dessa terrível doença. Sarah Fawcet foi apenas uma mulher bela.
Escrito por José Ruy Veloso Campos às 13h07
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